Crítica
Ouvimos: Forever ☆ – “Second gen dream”

RESENHA: Dupla do Kansas, o Forever ☆ (essa estrela faz parte do nome do grupo) estreia com Second gen dream unindo jungle pesado + shoegaze enevoado, com barulho intenso, beats fortes e beleza nas melodias.
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O Forever ☆ tem realmente essa estrela ao lado do nome, é uma dupla do Kansas formada por David Chavez e Rachel Stang, e se dedica a uma espécie de junglegaze – ou seja: os beats selvagens do jungle misturados ao clima enevoado e emparedado do shoegaze. Second gen dream, estreia da dupla, é um álbum curtinho, de pouco mais de vinte minutos, que investe mais no peso do que em melodias sonhadoras e vaporosas.
Blade silver metallic, na abertura, tem breakbeats hipnóticos e guitarras que formam paredes – e emparedam os vocais de David e Rachel, sempre em dupla e sempre harmonizando. A mesma estileira continua em S-klasse dub e na porradaria eletrônica de Competizione – esta, soando como um Republic (lembra deles?) pesado e embalado a vácuo.
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Convém acrescentar que tem muita coisa em Second gen dream que faz lembrar o som da banda mineira Paira – só que num clima mais pesado e selvagem. E após os últimos segundos de Supercharger, que fecha o disco soando como um power pop eletrônico distorcido, a plataforma de música oferece nada menos que Raindrops & sunshowers, segunda faixa de Machina/The machines of god, disco de 2000 dos Smashing Pumpkins – o que provoca logo um inevitável “ah, agora eu entendi!”. São, digamos, referências que podem interessar bastante a quem quiser conhecer o grupo.
Completando Second gen dream, a dupla une beleza e porradaria no jungle intermitente de Point star, faz britpop barulhentíssimo em Heat seeking missile e traz violência rítmica apaziguada pelos vocais em Second generation dream, a quase faixa-título. As letras do Forever ☆, segundo a própria Rachel, são “quase todas metáforas de carros”, mas em meio às paredes de som, pouca coisa pode ser compreendida de verdade. Aproveite o barulho.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: A La Carte Records
Lançamento: 29 de agosto de 2025.
Crítica
Ouvimos: Scrambled Heads – “Inward, then apart” (EP)

RESENHA: No segundo EP, Inward, then apart, o duo curitibano Scrambled Heads mistura emo, pós-hardcore, shoegaze e hardcore dos anos 1990 em músicas sobre dúvidas, inseguranças e culpa, entre peso e melodia.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 7 de agosto de 2026
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Buga (Redlightz, também ex-Abraskadabra) e André Pamplona (ex-Monaco Beach) fizeram do Scrambled Heads um projeto de estúdio, bem diferente das outras bandas que eles já tiveram. Com um bom tempo de experiência no DIY curitibano, eles já passaram por turnês (fora do Brasil inclusive) com sérias restrições orçamentárias, viagens de van por tudo quanto é canto, e o Scrambled Heads vem num momento de sossego para ambos.
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Inward, then apart, segundo EP do grupo investe em uniões de emo, pós-hardcore, shoegaze e hardcore californiano dos anos 1990 – com uma certa pressão nesse terceiro estilo. Não chega a ser um “punk pop”, mas as melodias em sua maioria são ganchudas e cantaroláveis, cabendo boas harmonizações em The observer, linhas vocais bem construídas em Chaos left unsaid e porrada punk em faixas como Wildfire e I build shelter from branches of second-guessing – esta, com andamento sinuoso, meio herdado do skate-rock e do reggae.
As letras acompanham a porrada, falando de dúvidas, inseguranças e sombras – além do fantasma da culpa tomando conta de Guilt trip. Som de peso, em busca da calma.
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Crítica
Ouvimos: 14 Flamingos – “Fine art” (EP)

RESENHA: O coletivo canadense 14 Flamingos, que chega a reunir até 14 músicos em shows, lança em Fine art, EP de três faixas que cruza rock setentista, soul, yacht rock, psicodelia e pós-punk com arranjos expansivos.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 27 de agosto de 2026
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O 14 Flamingos era só uma banda-dupla – depois virou uma banda de verdade, e depois, uma multidão de colaboradores, que chega a somar 14 pessoas dependendo da gravação e do objetivo a alcançar. O EP Fine art, com três faixas, usa essa turma toda para contar histórias através das letras, das melodias e dos arranjos.
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O grupo (que vem do Canadá) é tão bom em bandeirar seu próprio trabalho, que dá até pra deixar a banda falando sobre si própria. Como em Habsburg chin, que eles definem como “imagine um baile em Versalhes, só que a banda foi substituída por um grupo de pessoas que provavelmente entraram pela porta dos fundos de uma taverna” – na verdade é um rock anos 1970, que tem muito de soul e yacht rock, e até das invenções musicais de Kevin Ayers e Tom Waits.
Yesterday’s fair responde pelo lado mais carnavalista do disco, chegando a lembrar Mutantes em alguns momentos. The duke, terceira e última faixa, é uma fanfarra pós-punk, com ritmo funkeado, e a mehor melodia do disco.
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Crítica
Ouvimos: Cella – “Efeito borboleta”

RESENHA: A amazonense Cella estreia com Efeito borboleta, disco de MPB-pop que cruza ritmos nortistas, reggaeton, funk e dance music em canções sobre mudanças, amores e autoconfiança.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Urban Pop
Lançamento: 8 de maio de 2026
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Estreia da amazonense Cella, que é cantora e atriz (esteve na montagem carioca da peça Fala sério, mãe, ao lado da autora Thalita Rebouças), Efeito borboleta é um disco de mudanças pessoais em clima de MPB-pop. Cella mistura sons de sua terra e climas de reggaeton e funk, relembrando amores em que precisou se esforçar para caber na vida de outra pessoa (Demais pra você) e de situações bem mais tranquilas e empoderadoras (Encantaria, Meu norte). Mas depois as coisas saem do controle, romanticamente falando, com as lentinhas Veneno (com participação de Doral) e Me ignora.
É um pop correto, brasileiro, bem produzido, com boas canções e cantado em tons de bossa – e que, de certa forma, reapropria muitas vibes sonoras do Norte que volta e meia aparecem em gravações feitas em outros lugares. Lá pelo final, Karma junta dance music, latinidade e riffs de guitarrada, seguida por dois remixes (da própria Karma e de Meu norte).
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