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Som

“Despacito” cantado por uma galinha de borracha

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"Despacito" cantado por uma galinha de borracha

Sim, é isso. Com vocês, o hit Despacito cantado por uma galinha de borracha, Mr, Chicken. A ideia foi de um sujeito chamado Franco Muñoz. Não precisa agradecer. 😀

Tem também Despacito tocado com duas calculadoras – veja aqui

Via Boing Boing

Cultura Pop

Relembrando: Lydia Lunch, “Conspiracy of women” (1990)

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Relembrando: Lydia Lunch, "Conspiracy of women" (1990)

Ex-integrante dos provocativos Teenage Jesus & the Jerks, e figura conhecida da chamada no wave (a turma de Nova York que contestava a caretice e o lado pop do próprio punk), a cantora e compositora Lydia Lunch vem desenvolvendo há anos um trabalho de spoken word. Faz shows inteiramente falados, declamando textos cínicos, políticos e críticos – um filão que também foi bastante explorado por seu amigo Henry Rollins e por Jello Biafra, por sinal.

Volta e meia Lydia faz turnês apenas lendo textos. Recentemente, fez shows falados na Austrália e lançou um livro exclusivo para o país com seus textos. “Desde que comecei a escrever, pode parecer que estou apenas conversando. Os textos são todos muito roteirizados, mas é claro que há espaço para espontaneidade e improvisação. Você nunca sabe o que vai sair da minha boca imunda”, contou ela, que recentemente lançou também um podcast de entrevistas, The Lydian Spin. “Eu realmente me sinto evangélica. Bem-vindo à minha igreja. Primeiro mandamento, rebelião da falsa virtude. É domingo aqui – bem-vindo à minha igreja!”.

Recentemente, o fruto de uma dessas apresentações de Lydia chegou às plataformas digitais. Lançado originalmente em CD, LP e fita em 1991, Conspiracy of women surgiu de uma apresentação de spoken word em Berlim, Alemanha, em 12 de abril de 1990. Os lançamentos originais traziam duas enormes faixas sem título, extraídas de performances da cantora, mas hoje os lados A e B originais ganharam nomes.

I just got back from Los Angeles relembra uma ida recente à “terra de Henry Rollins, do NWA e das estrelas de cinema”, narrando encontros com as bandas locais e com a indústria “decadente” de astros de Hollywood. “Lá todo mundo age como estrela de cinema ou do rock, e todo mundo dirige limusines. Além disso todo mundo lá dirige filmes e eu meio que faço filmes também”, brinca, chamando Nova York de “necrópolis”. No lado B, o protesto anti-imperialismo de Why why was I born an american?, quase trinta minutos de discurso anti-tudo, pregando a eliminação de reis, juízes e tribunais, e soltando frases como “odeio deus porque ele foi o primeiro tira”.

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Crítica

Ouvimos: Paul Weller, “66”

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Ouvimos: Paul Weller, "66"
  • 66 é o 17º álbum solo do cantor e compositor inglês Paul Weller. O disco foi lançado um dia antes do aniversário de 66 anos do cantor (comemorado no dia 25 de maio). A capa foi feita por Peter Blake, artista pop britânico de 91 anos que fez, entre outras coisas, a capa de Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles.
  • O disco tem parcerias com Suggs (Madness), Noel Gallagher, Bobby Gillespie, o cantor e compositor escocês Erland Cooper e Dr Robert (da veterana banda londrina The Blow Monkeys), entre outros.
  • “Para este álbum, eu tinha pelo menos vinte músicas para escolher. Foi um luxo poder passar um tempo com elas e deixá-las me dizer quais precisavam ficar registradas”, conta Paul. Isso porque o disco anterior dele, Fat pop (volume 1) saiu em 2021 e Weller é do tipo que lança um disco atrás do outro, sem descanso.

Ao chegar a Jumble queen, a terceira faixa deste 66, você já terá sido apresentado a alguns lados diferentes de Paul Weller, ex-líder do The Jam e do Style Council, e compositor peculiar, capaz de caminhar do punk ao quase sinfônico. Em 66, mais do que apenas compor, Paul volta como herdeiro de uma musicalidade que vem lá dos discos dos Beach Boys, passa pelas óperas rock do Who, pelo pop barroco dos anos 1960, pelas sinfonias pop de Paul McCartney, chegando ao pop sofisticado que ele mesmo, ao lado de Mick Talbot, fez no Council.

Trazendo a nova idade de Paul em seu título, o disco novo do cantor fala, antes de qualquer coisa, sobre expectativas, perdas e ganhos. E não sobre qualquer expectativa, perda ou ganho já que 66 é um disco de rock feito por uma pessoa (bastante) vivida, mas que (vá lá) ainda está a procura de algo novo, existencialmente e emocionalmente. Paul faz questão de encerrar o álbum com Burn out, cuja letra termina com os versos “eu nasci de novo/não estou cansado de viver/estou bem”.

A celestial A glimpse of you, com uma orquestra que evolui em torno da melodia, traz Paul falando sobre encontrar “um assento de madeira onde posso esperar/até o fim do mundo/só por um vislumbre de você”. Soul wandering, parceria com Bobby Gillespie (Primal Scream), traz o cantor dizendo que quer “acreditar/em algo maior que eu”. In full flight, uma balada doo wop tristonha, fala sobre a dificuldade de viver num mundo “onde as mentiras se tornam verdades”.

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I woke up, outra balada melancólica, traz todo o estranhamento que o mundo inteiro viveu no começo da pandemia – em especial a sensação de que nada mais aconteceria da mesma forma. Na abertura, a terna e aconselhativa Ship of fools (de versos como “esses mares altos podem ser tão cruéis/quando você está tentando encontrar seu próprio caminho”), parceria entre ele e Suggs (Madness), localiza o disco numa esfera entre Burt Bacharach e Kinks. Vale citar que muita coisa do disco lembra bastante as fases mais sofisticadas musicalmente de David Bowie, até mesmo no que diz respeito à voz de Paul Weller.

O lado mais luminoso e alegre de 66 fica por conta de canções como o synth rock fantasioso Flying fish, o glam rock Jumble queen (parceria com Noel Gallagher), o soul Rise up singing (a mais bonita música do disco), e o art pop de Nothing, que lembra o próprio Paul na era do Style Council. Um disco para conhecer detalhadamente os vários lados de Paul.

Nota: 9
Gravadora: Polydor/Solid Bond

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Cultura Pop

Relembrando: B-52s, “Mesopotamia” (1982)

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Mesopotamia: quando B-52's e David Byrne trabalharam juntos (só que deu merda)

Mesopotamia, EP do B-52’s lançado em janeiro de 1982, tem mais histórias bizarras por trás do que um fã da banda pode imaginar. Aliás, tem mais bizarrices do que se costuma associar a EPs, que geralmente são lançamentos de meio de caminho na história de um artista. E no caso do B-52’s, o meio de caminho não veio apenas por um lançamento, mas por dois, já que antes desse, ainda saiu um álbum de remixes, Party mix (1981), para manter os fãs ocupados.

O EP do B-52’s era para ter sido o terceiro LP da banda, depois de B-52’s (1979) e Wild planet (1980). E veio de algumas mudanças na história do grupo. Ricky Wilson, Keith Strickland, Kate Pierson, Fred Schneider e Cindy Wilson, já fazendo sucesso, haviam se mudado de Athens, Georgia, para uma espécie de “sítio dos Novos Baianos” em tom pós-punk, em Mahopac, interior de Nova York. Fizeram amizade com os Talking Heads (banda, você deve saber, de David Byrne) e passaram a dividir até mesmo o escritório com o grupo, já que Gary Kurfirst, também empresário dos Ramones e do Blondie, também passou a cuidar dos negócios de Ricky Wilson e seus amigos.

O grupo havia tido um sucesso real com Wild planet mas naquele momento se encontrava numa crise criativa bizarra. Um problemão que Kurfirst tentou resolver empurrando Byrne para fazer a produção de um eventual terceiro disco do B-52’s. Esse disco seria (seria mesmo, nesse tempo verbal) Mesopotamia. E enfiou banda e produtor logo no estúdio em 1981, para gravação e lançamento imediatos.

E aí que começaram os problemas.

Só para começar, a tal “crise criativa” deixou o B-52’s quase sem músicas, e a banda nem sequer se sentia pronta para entrar em estúdio. Gary insistia que tudo fosse feito logo. “Não estávamos realmente prontos para lançar este álbum, e Gary sugeriu trabalhar com David Byrne, mas não tínhamos escrito todas as músicas do disco. Ele disse: ‘Você precisa lançar outro disco!’ Ele era desses empresários que falavam: ‘Você precisa fazer isso! Você precisa fazer isso!’ Então ele meio que nos forçou”, recordou Kate Pierson. Músicas do futuro disco como Deep sleep tiveram suas letras criadas em estúdio, na maior pressa.

Do lado de Byrne as coisas não andavam muito em ordem. O líder dos Talking Heads estava fazendo uma trilha sonora para o projeto de dança de Twyla Tharp, The Catherine Wheel, e tinha resolvido pegar os dois trabalhos ao mesmo tempo: com a trilha ele passava o dia ocupado, enquanto virava a noite com o B-52’s. O músico levou para o trabalho com a banda alguns dos valores que cultuava nos Talking Heads e pôs até metais no som do grupo. Trouxe também músicos de estúdio para colaborar. Tava ficando bem legal (e Mesopotamia é um bom disco), mas acabou não dando certo, já que a colaboração parou no meio. Em vez de um LP cheio, banda e produtor ficaram com 25 minutos de música.

“Mas além das seis músicas do disco, nada mais foi feito ou gravado?”, você deve estar se perguntando.

Bom, Queen of Las Vegas foi regravada para o disco Whammy! (1983), o subsequente da banda, e a versão gravada para Mesopotamia apareceu numa coletânea do grupo, Nude on the moon. Big bird também foi regravada para Whammy! e tinha sido descartada do EP em prol de Deep sleep, por ordens da gravadora, a Island. A banda, de pirraça, tirou Deep sleep da turnê de lançamento de Mesopotamia e incluiu Big bird. Butterbean também apareceu em Whammy!. E teve também Adios desconocida, que – fazendo jus ao nome – nunca foi lançada pelo grupo. Mas tem em demo.

Um tempo depois, Kate Pierson afirmou numa entrevista que não era verdade que a banda não tinha se dado bem com David Byrne no estúdio e que, pelo contrário, o B-52’s tinha conseguido evoluir bastante com ele no comando. O problema todo, disse a musicista, aconteceu porque Kurfirst prometeu “o disco do ano” tanto para a Warner (gravadora da banda nos EUA) quanto para a Island (que publicava a banda no Reino Unido) e fez o que pôde para apressar e tensionar o processo.

E por causa desse estresse todo, ainda deu mais merda: a Island estava com tanta pressa para lançar Mesopotamia que mandou para as lojas um álbum com remixes mais extensos de Cake, Loveland e Throw that beat in the garbage can. Hoje você acha esses remixes no YouTube e eles costumam ser chamados de “David Byrne mixes” por fãs mais animadinhos. Mas o tal “novo EP” do grupo acabou se transformando num quase-LP de 35 minutos. A gravadora percebeu a cagada rapidamente e mandou recolher tudo.

Até hoje Mesopotamia é um disco, hum, controverso na história da banda, mesmo sendo uma excelente opção para quem quiser conhecer algo diferente do B-52’s. A banda não trabalhou mais com Byrne e entrou numa espiral meio bizarra após o lançamento desse disco, com álbuns cada vez mais malhados pela crítica e mais crises internas. Para divulgar o EP, a banda fez até uma aparição numa das séries mais duradouras da televisão americana, Guiding light.

Ricky Wilson, grande aglutinador da banda, ficou doente em 1984 e morreu de complicações causadas pela aids um ano antes do lançamento de Bouncing off the sattelites (1986), quarto disco, que acabou fracassando. O grupo passou a ter idas e vindas, mas continuou lançando álbuns (Cosmic thing, de 1989, é bem legal) e existe até hoje. Vieram para o primeiro Rock In Rio, de 1985 e ainda emendaram outras vindas ao Brasil.

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