O canal de vídeos Criswell subiu David Lynch – The elusive subconscious, um vídeo que tenta explicar, em vinte minutos, o que é que define uma produção como sendo, digamos, “lynchiana”. Acaba sendo uma boa introdução para quem quer conhecer mais da obra de David Lynch, com cenas de várias de suas produções (entre elas a série Twin Peaks e o clássico O homem-elefante) e explicações quase psicanalíticas para o que está por trás dos filmes.

O canal diz que, entre o que mais caracteriza o cinema de David Lynch, está “o fato de produzir estranheza onde havia algo familiar”. O narrador recorre a Freud para contar que existe uma área obscura, no espectro do temor, que divide o perigo da segurança. Explicar isso de maneira racional é BASTANTE complicado, mas é mais ou menos isso que o vídeo mostra que acontece no cinema de Lynch, onde as coisas acontecem de repente, e muitas vezes, o medo vem do que está apenas sendo insinuado – ou de um gesto ou olhar de um personagem. É como se – já que estamos lidando com coisas que não nos parecem nada familiares- tudo fosse matematicamente pensado para nos causar hesitação. Ou a incerteza se deveríamos mesmo estar olhando para aquilo tão calmamente.

Pega aí. Tem legendas automáticas em inglês. E vale a descrição que a crítica de cinema Pauline Kael deu para o trabalho de Lynch: “É o primeiro surrealista populista”.

Aliás, aproveita e pega aí um áudio do portal The Atlantic com um animadíssimo David Lynch explicando de onde ele pega suas ideias.

“Ideias são como peixes. Eu não fabrico o peixe, eu pego o peixe. Desjar ter uma ideia é como colocar uma isca no anzol e colocar tudo dentro da água. Você pode pegar ideias sonhando acordado, ou visitando lugares. Se você precisa de um lugar para conjurar ideias, você precisa sair de casa e viajar”, disse. “Sempre falo que é como se houvesse um homem em outra sala com todo o filme pronto, mas as cenas estão como peças de quebra-cabeça. E esse homem me manda uma peça de cada vez. E, a princípio, é muito abstrato. Eu não sei tenho uma pista. Mais peças vêm, mais idéias são capturadas. Começa a formar uma coisa. E então um dia, aí está. Então de certa forma, não há ideias originais. São apenas ideias que você pegou. A coisa é ser fiel à ideia”.