Olha o que a bíblia Popcorn – O almanaque dos filmes de rock, de Gary Mulholland (que, no Brasil, teve apresentação de Kid Vinil e prefácio de Rubens Ewald Filho) tem a dizer sobre Confessions of a pop performer. Segundo o livro, o filme dirigido por Norman Cohen e inspirado nas aventuras sexuais de um personagem chamado Timothy Lea (que rendeu quarto livros) é “uma comédia pornô moderada produzida apressadamente no mesmo ano em que McLaren formou os Sex Pistols (1975)”.

Mulholland crê que, se bobear, McLaren até chupou o conceito ultrajante dos Pistols das aventuras escritas por Christopher Wood, e lançadas sob o pseudônimo Timothy Lea, em livros pulp, de preço baixíssimo. Confessions aponta para as desventuras de uma banda disfuncional, e de seus empresários mais distópicos ainda. Sidney Noggett (Anthony Booth) resolve virar empresário de uma banda quase-glam quase-punk que vê tocar em seu pub, e convida seu cunhado Timothy Lea (Robin Askwith, os cornos cuspidos e escarrados de Mick Jagger) para ajudá-lo na empreitada.

O grupo, ruim, passa mais tempo fazendo sexo do que tocando. E por acaso, Timothy, também passa mais tempo se dando bem com as mulheres e arrumando encrenca do que empresariando.

Aberrações sexuais do pré-punk, em disco e filme: conheça Confessions Of A Pop Performer

Timothy até aquele momento ainda era lavador de vidraças. Isso porque o narrador-personagem Timothy Lea, tinha estrelado também Confissões de um lavador de janelas (filme trash com algum sucesso em 1974). As Confissões eram uma série de livros com as desventuras de Timothy. E aliás, cada livro ganhou um filme. A série também Confissões de uma colônia de férias, Confissões de uma colônia nudista. No caso do “pop performer”, o conteúdo foi adaptado de Confissões da cena pop, um dos maiores sucessos da série.

Aberrações sexuais do pré-punk, em disco e filme: conheça Confessions Of A Pop Performer

Mulholland dá uma definição bizarra sobre o humor de Confessions of a pop performer (que já foi exibido em mostras de cinema trash e filmes de rock). Na visão do autor, o roteiro se resume à animadora sequência “transa-cunhado-banda-trepada-apresentação-foda-programa de talentos na TV-trepar-Royal Variety Show-mamilos-caos-fim”.

Eu vi o filme uma vez e tem momentos até bem engraçados. Mas engraçados no nível de uma pornochanchada dos anos 1970. Daria um bom filme da Sessão das Dez do SBT (opa, possivelmente nunca foi exibido lá) até pelo esquema Férias do barulho de Pop performer. Aliás, uma boa parte do roteiro dedicava-se a fazer graça do encontro amoroso de belas atrizes com atores não muito dotados de beleza física (o casal Jill Gascoine e Bob Todd).

A notícia ruim é que Pop performer, pelo menos até o momento, não está inteiro no YouTube. Mas temos o trailer.

Os créditos.

Ficou interessado nas aventuras cinematográficas de Lea? Pois então saca aí Confessions from a holiday camp, que alguém jogou sem cortes no YouTube. Tem legendas automáticas.

Confissões de um lavador de janelas também tá lá.

Sabia que o papel de Timothy Lea ainda rende aparições na mídia para Askwith? Pois uma delas você vai ver agora. Olha ele aí sendo entrevistado por um canal do YouTube chamado The Gentleman Cabbie, não faz muito tempo.