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Cultura Pop

Black Ark: o maravilhoso estúdio de Lee “Scratch” Perry

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Black Ark: o maravilhoso estúdio de Lee "Scratch" Perry

Se você tem um estúdio pequeno em casa e curte fazer experimentações na hora de gravar, além de recorrer a expedientes inusitados na hora de microfonar baterias, instrumentos acústicos e coisas do tipo, faz muito bem em dar uma estudada nas aventuras do já saudoso Lee “Scratch” Perry, cuja morte foi anunciada neste domingo (29). Em 1973, o produtor e compositor de reggae, e grande desenvolvedor de técnicas de dub, aproveitou um espaço vazio no quintal da casa da sua família, que ficava no bairro Washington Gardens, de Kingston, Jamaica. E lá, montou seu próprio estúdio, o Black Ark.

O Black Ark foi a casa de muitas produções bacanas e de muitas aventuras em estúdio. Perry não tinha uma tecnologia de último tipo à sua disposição, nem dinheiro o suficiente para conseguir os equipamentos dos grandes estúdios da época. Usava uma máquina de quatro canais enquanto vários estúdios já tinham equipamento de 16 pistas. Mas inovou unindo sua musicalidade à vocação para “rei das gambiarras”.

Antes disso, Perry vinha levando (desde o fim dos anos 1950!) uma carreira bem prolífica de produtor e compositor. Também tinha montado sua própria banda de estúdio, The Upsetters, e havia solidificado a fama de mago do estúdios e de criador excêntrico, capaz de inventar novas maneiras de gravar reggae sem precisar de muitos recursos.

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Músicas como Little funny boy, hit de 1968 composto e produzido por ele (e gravado por Doctor Bird), deram reputação e dinheiro a Perry, e o ajudaram a montar o Black Ark. Também empoderaram o músico e o ajudaram a trabalhar por conta própria. Perry, vale citar, não levava desaforo para casa. Começou trabalhando com uma lenda jamaicana dos estúdios, Coxsonne Dodd, mas se dizia explorado por ele.

Perry saiu fora, e pulou para a Amalgamated Records, gravadora do produtor Joe Gibbs. Com ele, teve embates a ponto de Little funny ser uma zoação com o patrão, movida a altos teores de ranço (“tudo que fiz por você/você não se lembra/quando você estava por baixo, eu te ajudei”).

No Black Ark, Perry costumava ser visto ajustando coisas com uma chave de fenda enquanto gravava. Também fazia coisas como ligar microfones a uma palmeira ao lado do estúdio, com a ideia de captar o “bater do coração da África” (certa vez enterrou microfones para criar um som de “bumbo misterioso”).

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Max Romeo lembra de ter visto Perry tirando sons percussivos de pedras e garrafas. Outras testemunhas lembram do produtor criando de maneira bem louca ruídos como os de bebês chorando, chuva caindo e até vacas mugindo – estas últimas “eram” nada menos que o cantor King Burnett fazendo vocais através de um tubo de papelão amarrado com folha de estanho.

Olha aí alguns minutos do produtor em ação em seu estúdio.

Perry e família no local.

O Black Ark (que também virou gravadora) era uma espécie de oficina comandada por Perry, como dá para ver aí no vídeo. Acompanhado por um séquito, passava os dias recebendo amigos músicos, criando sons e desenvolvendo sua própria música. Nomes como Max Romeo disseram terem passado lá “alguns dos melhores dias” das suas vidas.

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O foco de Perry não era, vamos dizer assim, na conservação de equipamento. O músico usava técnicas “espirituais” como benzer tapes e máquinas com fumaça de maconha, acender incensos e velas no estúdio, e aspergir nas fitas misturas variadas (como urina e sangue). No geral, fazia pouca diferença: o livro Dub: Soundscapes and shattered songs in jamaican reggae, de Michael Veal, chega a apontar que quanto mais o equipamento de Perry ficava decadente, mais ele era obrigado a achar novas saídas e criar sons diferentes.

Um dos clássicos de Perry no Black Ark foi a bela House of parliament, dos Meditations, grupo vocal jamaicano que acompanhou Bob Marley em várias gravações.

City too hot, música solo de Perry, de 1977, também saiu das dependências do Black Ark – e foi lançada por um dos selos dirigidos por ele, o Upsetters.

O sucesso do Black Ark teve faces diferentes. O local atraiu gente como Bob Marley e até Paul McCartney para gravar lá. Mas tanto o comportamento errático de Perry quanto o excesso de loucura no estúdio impediram o local de entrar para uma espécie de mainstream do som jamaicano, como diz o livro de Veal. A Island, cliente de Perry, chegou a recusar lançar alguns discos do selo no Reino Unido, o que fez com que o produtor tivesse que fazer negócios com outros selos e vários malabarismos para manter a empresa funcionando. Depois de 1978, os vários estresses acumulados fizeram com que Perry desistisse do Black Ark. A casa ficou parada por uma pá de tempo, e quem ia lá, ficava assustado com o péssimo estado do equipamento.

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Em 1983, o fim de tudo: rolou um incêndio no Black Ark que destruiu casa e equipamentos. O curioso é que o próprio Perry diz ter incendiado o estúdio, com a ideia de fazer um sacrifício, porque “a energia não era mais boa”. O produtor se mandou para lugares como Inglaterra, EUA e Suíça, e continuou produzindo artistas e lançando discos, alguns deles colaborativos. Como legado do Black Ark, deixou a ideia de que a máquina deve obedecer ao pensamento, e não o contrário: “O estúdio deve ser como uma coisa viva, uma vida em si. A máquina deve ser viva e inteligente. Então coloco minha mente na máquina e a máquina realiza a realidade”, afirmou.

Pega aí quarenta minutos do saudoso Perry nos estúdios da rádio americana KEXP. Reggae psicodélico de primeira linha.

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No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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