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Guilherme Lamounier: single resgata versão soul-progressiva de canção dos Beatles

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Guilherme Lamounier: single resgata versão soul-progressiva de canção dos Beatles

Muitos fãs mais recentes de Fabio Jr não devem se lembrar, mas nos anos 1970 ele apresentava um programa de TV ao lado de ninguém menos que Silvio Brito, o Aleluia, na Tupi. Era basicamente um musical, do qual volta e meia participavam outros artistas, mas no qual Silvio e Fabio também cantavam, o primeiro fazendo um estilo mais irônico, o segundo dando uma de (claro) galã jovem.

Foi de lá que veio o novo single póstumo de Guilherme Lamounier, cantando With a little help from my friends, dos Beatles, numa releitura que une soul e progressivo em doses quase iguais, com Lamounier cantando e tocando piano. Guilherme foi convidado do programa e em 1975, no palco da atração, fez a releitura dos Beatles, cujo registro ficou guardado por anos e chega só agora às plataformas.

O single foi lançado nas plataformas pelo selo Discobertas. A música foi extraída de uma fita que estava com Sérgio Van Lammeren, irmão do Guilherme, cedida na época da produção do álbum Simples – o primeiro álbum póstumo do cantor. A fita foi remasterizada por Zeca Viana e a arte foi feita pelo pesquisador Alipio Argeu, criador das contas do cantor nas redes sociais.

Recentemente saiu o single de Tudo ou nada, gravação de Guilherme feita em 1986 como tema da novela de mesmo nome, da Rede Manchete. Fabio Jr, por sinal, era amigo de Guilherme (aprendeu a cantar com ele, como muita gente afirma) e fez sucesso gravando outras canções dele, como Enrosca e Seu melhor amigo.

Crítica

Ouvimos: Liam Gallagher & John Squire

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  • Liam Gallagher & John Squire é o disco que reúne ex-cantor do Oasis (Liam) e o ex-guitarrista dos Stone Roses e do Seahorses (John). É o primeiro disco de Squire com seu nome a sair em vinte anos – o anterior foi o segundo álbum solo, Marshall’s house, de 2004. Já Liam vinha dando andamento à sua carreira solo após o fim de sua banda pós-Oasis, Beady Eye.
  • Num papo com a Radio X há um mês, Squire afirmou que os fãs deveriam esperar “grandeza” do disco. Liam definiu o disco como uma mistura de “canções que fazem você querer chutar alguém na canela, canções que fazem você querer sair e festejar, e canções que fazem você querer sentar em casa, pensar em algo bom e chorar um pouco”. “One day at a time é uma música boa para atirar cadeiras pela janela num salloon do velho oeste”, atalhou Squire.
  • Liam garantiu que na turnê do álbum não rola material do Oasis, nem dos projetos anteriores dos dois. “Só material do disco e talvez umas covers”, contou.

Como já dizia a velha piada de um humorista televisivo (talvez o Ary Toledo, o Ronald Golias ou o Tiririca): “Eu já tentei fugir de mim mesmo, mas onde eu ia eu tava”. É quase a mesma coisa que acontece com esse disco unindo dois dos maiores nomes da história do rock britânico mais recente. Liam Gallagher (Oasis) e John Squire (Stone Roses, Seahorses), se tentassem fugir de si próprios, só conseguiriam encontrar a mesma mescla de referências que marcou o trabalho de suas ex-bandas.

Antes de mais nada, é bom informar: o som que você vai escutar em Liam Gallagher & John Squire é bom. Muito bom, por sinal. Pelo menos dois amigos meus concluíram que os singles lançados previamente não davam conta da qualidade do álbum, e isso é uma verdade. Inovação, aqui, não tem nenhuma: a própria vontade de não inovar já é um atração do disco – e não custa citar que, se o disco fosse feito por outros artistas que não fossem os dois envolvidos, muita coisa desse álbum pareceria forçada demais.

A curiosidade no disco da dupla é que em vez da obsessão com Beatles da discografia do Oasis, Liam e John entraram em estúdio com vontade de imitar o que pudessem dos Rolling Stones pós-anos 1970. Embora tenham misturado tudo com a mania de querer parecer um pouco com os quatro de Liverpool – especialmente com a era do White album, de 1968.

Os dois copiaram principalmente os fraseados de guitarra de Keith Richards (que introduzem algumas faixas), além de algumas batidas lembrando Charlie Watts. Mas o álbum tem músicas como Mother’s nature song (referência a Mother’s nature son, do White album) e I’m so bored (chupando I’m so tired, do mesmo disco). Tem Mars to Liverpool (note o nome), em clima flower power que une os Stones de Sticky fingers aos Beatles pós-1967.

I’m a wheel põe sujeira sonora num blues que imita as tentativas de Mick Jagger, Keith Richards e cia de fazerem blues com guitarras, mas sem soarem “pesados”. E quem quer mais pirataria para cima dos Beatles, pode conferir Just another rainbow, um assalto à introdução e às linhas de baixo de Rain, single do quarteto de 1966.

Como o material todo do álbum foi composto por John Squire (não há nenhuma parceria dos dois), não custa citar que até mesmo as linhas vocais de Liam lembram as do vocalista Chris Helme nos Seahorses. Mas de modo geral, se você quiser imaginar John Lennon gravando um disco com os Rolling Stones, e tentando soar como o Oasis e o próprio Seahorses (!), Liam Gallagher & John Squire é esse furo no espaço e no tempo aí.

Nota: 8,5
Gravadora: Warner

Foto: Reprodução da capa do álbum.

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Crítica

Ouvimos: Hurray For The Riff Raff, “The past is still alive”

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  • The past is still alive é o nono álbum do projeto musical Hurray For The Riff Raff, criado por Alynda Segarra, responsável pelos vocais e composições. O disco foi produzido por Brad Cook.
  • Alynda é pessoa não-binária, nasceu no Bronx e viveu bastante tempo em Nova Orleans. Começou a escrever poesia desde cedo e ouvia música da Motown por intermédio de tios com quem morou.
  • No fim da adolescência, passou dois anos viajando de trem pelos Estados Unidos com colegas. Alynda e seus novos amigos costumavam pegar carona em trens de carga e a turma já foi pega pela polícia algumss vezes. “Naquele ponto, eu estava ouvindo Woody Guthrie profundamente”, contou Alynda, que pensou até em trabalhar piilotando trens.

É possível criar coisas novas num estilo musical repleto de reis (e poucas rainhas), e que geralmente despeja nas rádios e nas plataformas digitais uma renca de canções sonolentas. A junção de várias nomenclaturas (country, folk, country-rock, heartland rock, rock sulista, bittersweet) que geralmente é comercializada pelo nome de americana, ganhou um/uma correspondente indie na figura de Alynda Segarra, a voz da banda indie Hurray For The Riff Raff.

Não apenas isso: The past is still alive, o novo álbum, mostra de verdade aquela sensação de que o passado ainda é presente. Isso rola não apenas por causa do repertório estradeiro, rico na exibição de aventuras solitárias por lugares que podem ser tão atraentes quanto perigosos. O disco novo do projeto de Alynda vai fundo na noção de que caminho e vida se misturam. E de que a memória dos lugares tem muito a ver com nossa própria existência, nosso desconhecimento dos perigos que eram corridos em determinadas situações.

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Entre violões, slide guitars e canções introspectivas, Alynda fala sobre a “menina com uma faca e uma falsa identidade/um saco de dormir e uma mochila na cidade grande” em Hawkmoon, aconselha que “o tempo pode te levar para um passeio/pode te pegar de surpresa” em Alibi, encara a estrada como fator modificador de vidas e como conexão com o passado na bela Colossus of roads, adere ao country fora-da-lei e nostálgico em Dynamo.

Já o country-rock Vetiver resume o disco com o verso “está tudo no passado, mas o passado ainda está vivo/minha raiz vive no lastro da linha principal”. Hourglass, por sua vez, é a balada triste dos versos “ainda me sinto como o garoto sujo que comia da lata de lixo/sei que provavelmente deveria superar isso/mas de alguma forma parece que ainda estou nessa”. Não é por acaso que lá pelo final, o disco tem uma balada anos 1950 chamada The world is dangerous, e que a quase faixa-título Snake plant (The past is still alive) tem versos aludindo a um duro começo de carreira na música: “toco minha música para o bando de malucos/e vamos roubar na hora de comer/eles nem sabem meu nome”.

Nota: 8
Gravadora: Nonesuch

Foto: Reprodução da capa do álbum.

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Crítica

Ouvimos: Cast, “Love is the call”

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Ouvimos: Cast, "Love is the call"
  • Love is the call é o sétimo disco de estúdio da banda britânica Cast. O disco é produzido por Youth (Killing Joke) e é o primeiro álbum feito como trio, com John Power (voz, guitarra e baixo), Liam “Skin” Tyson (guitarra solo) e Keith O’Neal (bateria).
  • Power, que é autor de todas as faixas, foi baixista do The La’s – aqueles caras do hit There she goes, sucesso em 1990. Após quatro anos de trabalho no novo disco, o músico sentiu que Love is the call “volta ao espaço onde eu estive, entre o La’s e o Cast” e que “é como se fosse nosso primeiro disco”.
  • Se você nunca escutou, pelo menos já deve ter ouvido falar do vitorioso All change, primeiro disco da banda, lançado em 1997. Foi o disco de estreia mais vendido da história do selo Polydor, e montou uma base bem fiel de fãs do Cast, até no Brasil.

O Cast é uma grande paixão do brit-pop, e uma banda de rock daquelas de dar orgulho a quem é fã. Se o Oasis chupava os Beatles, e o Blur sempre foi uma espécie de cavalo do lado storyteller do rock britânico, o Cast carregava em si toda a história do rock feito na Inglaterra. All change (1995), seu extremamente bem sucedido disco de estreia, abria com uma faixa, Alright, que tinha guitarradas herdadas do Who, corinho herdado dos Kinks, vocais lembrando o David Bowie de Ziggy Stardust (1972), solos de guitarra honrando o melhor do glam rock.

Não era só música, era pesquisa musical: referências de Rolling Stones, Hollies (especialmente na fase anos 1970), Beatles e até Joy Division e Echo & The Bunnymen surgiam em momentos muito bem escolhidos no som do Cast. O grupo permaneceu na Polydor até 2001, quando saiu o controverso álbum Beetroot, o quarto deles. Um álbum mais experimental, mais dançante, repleto de novas influências (tinha até um curioso reggae acústico, Curtains) e considerado mais pop que os anteriores. Uma decepção em tempos confusos do mercado musical, ainda mais porque o som não tinha muito a ver com o indie rock que dobrava a esquina naquele momento. Um disco bem legal a ser descoberto nos dias de hoje.

Em Love is the call, o Cast volta como trio, disposto a recordar o lado glam rock de seu som – tanto que abre com uma balada de violão, Bluebird, que soa como o David Bowie do segundo álbum (o de Space oddity, 1969), ainda mais por causa dos vocais de John Power. Prossegue, sempre com muita personalidade, caminhando entre referências de The Who, T. Rex (o boogie renovado de Love you like I do), Sweet (o hard glam rock Starry eyes) e até Suede, em músicas como The rain that falls, First smile ever e Love is the call.

O disco apresenta também uma balada radiofônica com cara de anos 1990, a bela e pop Faraway, une o som dos anos 1960 à energia punk em I have been waiting, e insere energia beatle em outra balada, Tomorrow call my name, que encerra o álbum. Emocionante.

Nota: 9
Gravadora: Cast

Foto: Reprodução da capa do álbum

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