Diz um velho ditado dos estúdios de gravação que ninguém termina uma mixagem: simplesmente desiste dela. Algo que, com certeza, se passou com vários técnicos de gravação ao longo dos tempos. Especialmente nos anos 1960/1970, em que as gravações eram analógicas e os canais eram mais escassos. Tanto que há um monte de discos repletos de “vozes fantasma”.

Como assim? Explico: em vários discos conhecidos de rock e música pop (e MPB) era comum que o cantor fizesse uma gravação inicial com a voz guia, para servir de monitor para todos os envolvidos: outros músicos, produtores, técnicos, etc.

Com a música finalizada, a tal “voz guia” muitas vezes continuava lá, só que estava enterrada na mixagem com os instrumentos. O técnico esquecia de tirá-la, abaixava seu volume… Mas ela continuava audível. Ou pode ser que alguém achasse que dava uma bossa incrível deixar aquela voz “fantasma” ali para sempre.

O canal You Can’t Unhear This fez um vídeo com algumas dessas vozes-guia “esquecidas” em gravações e mixagens. Yer blues, dos Beatles, tem uma gravação “fantasma” de John Lennon. Angie, dos Rolling Stones, tem uns “uooou” gravados por Mick Jagger antes do término da música. Misty mountain hop, do Led Zeppelin, tem um “I really don’t know” cantado por Robert Plant antes que o próprio cobrisse aquilo tudo com “uuuuu”, etc.

No Brasil, de vozes esquecidas em gravações, eu lembro desse vozerio incompreensível que aparece lá pra 2:32 em De bar em bar, de Cassiano.