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Um papo com Júlio Andrade (Baggios) sobre Tupã-Rá, Nordeste, política e esperança em 2022

Fato: Tupã-Rá, quinto disco de estúdio da banda The Baggios, é um dos melhores álbuns de 2021. Gabriel Perninha (bateria), Júlio Andrade (voz e guitarra) e Rafael Ramos (piano, órgão e baixo), vindos do Sergipe, deram outras dimensões, bem mais variadas, ao termo “rock brasileiro”. Isso rolou em escolhas musicais, como em faixas como Chegança, Clareia trevas e Avia menino!. E também, claro, nos temas das letras, como a overdose de lucidez e protesto de Espelho negro e Barra pesada, essa com participação de Cátia de França e Chico César. No geral, um disco pesado, variado, esperançoso e muito bonito.
Em dezembro, batemos um papo com Julio – cuja carreira solo rendeu uma estreia excelente em 2020, Ikê maré, que assinou usando o apelido Julico. Na época do papo com o guitarrista, a banda estava lançando o novo disco, ocupada em divulgar as músicas e já estava botando um pouco a cabeça para fora, após quase dois anos de isolamento. De lá para cá, saiu até um single novo, Brilhou, feat com a Ferve.
Como está sendo pra vocês lançar um disco bastante esperançoso numa época tão bizarra e perversa como a que estamos vivendo no Brasil atualmente?
Então, acho que a música vem como uma forma até de bater de frente com a realidade, muitas vezes. E como a nossa fase já é muito difícil, já é um momento muito delicado de lidar, que mexe muito com nossa cabeça, nossa auto-estima, nossa esperança… Quis ir pelo caminho contrário, até para me animar também (rindo). A música acaba sendo uma forma de terapia em plena pandemia. Escolhi as músicas mais pra frente, dançantes, vibrantes, justamente por isso. Quis contrastar mesmo com esse momento e não mergulhar nesse breu que a pandemia e o atual governo vêm trazendo pra gente. E pra mim foi muito satisfatório foi muito prazeroso conseguir ter feito isso, fugir dessa névoa obscura e entrar no portal do Tupã-Rá.
A ideia de encerrar a trilogia iniciada com Brutown com um som mais “pra cima” já vinha de antes ou foi algo que veio por uma observação de vocês, dos tempos em que estamos vivendo? Aliás, vale observar que o clima do disco é bem alegre, mas as novas letras vêm carregadas de denúncias, como a letra de Espelho negro…
É curioso porque só agora me dei conta que Sun Rá, última música do disco, é a última música de uma trilogia, que é algo que já vinha do Brutown, mas a gente não aproveitou nem no Brutown nem no Vulcão. São coisas que acontecem sem a gente perceber, se você não citasse nem iria reparar muito nesse detalhe. Não é pensado o repertório do começo ao fim quando estou compondo. Penso nas nuances, na narrativa do álbum.
O lado A tem uma coisa mais crítica, com esse tom ainda do Brutown, mas um pouco da introspecção do Vulcão. O lado B é mais solar, mais resolvido, mais prafrentex, dançante, temas um pouco mais leves… As músicas têm uma coisa leve, mas tem realmente Espelho negro, que fala de desigualdade, racismo.
E tem Barra pesada, que fala de um tema um pouco mais ligado a esse lance da desigualdade, da ganância do homem. Aqui onde eu moro era uma ilha de pescadores que virou um ponto turístico, e virou a chave, porque os nativos viraram empregados dos grandes empresários. Isso acontece em vários lugares do Brasil, não só no lugar que me inspirou, que foi Barra Grande. Mas eu percebi também que vários outros lugares se tornaram algo similar. Isso pode ser relacionado a um garimpo, a um outro tipo de empresa que envolve esse tipo de exploração.
Digaê foi a primeira música composta à distância? Como foi compor assim?
É a música mais diferentona do álbum, mas você vê que devido a essa personalidade de cada um impressa ali na música… O Gabriel tinha um groove de bateria de estudo dele, e eu comecei a provocar os caras, porque são ótimos músicos, mas a gente nunca tinha composto uma música juntos, assim do zero. Eu sempre chegava com uma composição semipronta. A gente fez duas outras músicas e só entrou uma nesse álbum.
A partir da bateria de Perninha, o Rafa colocou o arranjo de teclado. Isso foi enviado para mim e aqui em casa, no meu homestudio, eu montei uma canção para aquilo, picotei um pouco, coloquei texturas. E de repente a gente tinha ali uma faixa de dois minutos, troncha, que foge um pouco do som dos Baggios. Nunca nos rendemos a um segmento linear, sempre tivemos em cada disco a ideia de agregar novos ritmos e novos sons, e essa música tá aí, como uma forma de se reinventar. E foi mágico, velho, foi uma musica que surgiu de maneira mágica.
O disco leva o samba para o som de vocês, em Espelho negro. Vocês já haviam feito outras tentativas de levar o ritmo para a sonoridade dos Baggios?
O samba tem me conquistado a cada ano, sim. Eu lancei o Ikê maré, que tem muito de samba rock, samba soul, o som que era feito por Tim Maia, Di Melo, Cassiano. É um lance que me pegou em cheio. Sempre achei Tim Maia, o próprio Jorge Ben, grandes influências pra mim. Sempre foram referências sonoras, de como construir letra em português, de colocar uma verdade, uma originalidade no som. E eu tento colocá-los de alguma maneira nas minha lista de inspirações prioritárias, na música brasileira. Então naturalmente uma hora ia sair algo assim.
Mas enfim, essa música Espelho negro, eu tenho o maior carinho por ela, por retratar um tema urgente, necessário e que tem o meu ligar de fala ali também. E ao mesmo tempo explorando uma sonoridade nova, misturando samba com baião no meio. E é um som que representa muito o que é a Baggios hoje em dia, uma representação massa do que a gente é hoje.
O disco tem uma chuva de referências legais: música de países africanos, manifestações populares… Vocês diriam que o som de vocês envolve muita pesquisa musical, ou são sonoridades e referências que sempre fizeram parte do dia a dia musical de vocês?
Tudo isso tá impregnado na gente. Afinal de contas toda música brasileira é afrodescendente no final das contas. Se você for rebobinar a fita, a gente tá sempre bebendo da fonte da música africana. Isso me fez chegar no Mali, no Deserto do Saara, para ouvir o blues do deserto, o afrobeat, a música do congo, a música da Etiópia. É uma música que tem grooves que batem com outros sons que eu curto que vêm dos Estados Unidos, da Inglaterra… E vamos conectando os pontos, a cada ano eu vou descobrindo coisas novas. Faz parte de uma pesquisa musical, mas é uma pesquisa que não tem um propósito definido, é uma pesquisa de prazer, de descobrir coisas novas. E quando chega na hora de compor, essas inspirações vão colando em mim.
Como você viu a receptividade a seu disco solo?
O Ikê maré já me trouxe bastante felicidade de ter sido lançado (rindo). Produzir algo na pandemia não é fácil. A gente tenta se superar, nem artisticamente mas humanamente falando. Tentamos não nos deixar levar por esse clima tenso, que deixa a gente pra baixo. É uma notícia ruim atrás da outra, a gente sempre super mal representado pelo presidente, que só traz o regresso… A gente não vê o cara falar nada que traga um passo a frente, né, velho? É só caos, o cara é o senhor do caos.
O Ikê maré veio nesse tumulto, mas foi quando começou a pandemia e eu me vi com vários instrumentos. Só pensei: “Vamos lá gravar!” Foi sem muita pretensão, de ser um disco que soasse grandioso, foi algo mais caseiro. Mas foi muito boa a recepção. Todo mundo que chegou a ouvir, viu uma direção musical diferente do que a Baggios tava trazendo. Claro que minha guitarra e minha voz estão ali presentes, mas minha intenção era valorizar mais esse segmento do samba-soul, da própria soul music. Essa brasilidade não era tão explorada com a Baggios. E isso me trouxe muita realização pessoal como compositor, produtor, ver as pessoas descobrindo um disco massa ali me deixou feliz.
É comum que discos solo de integrantes de bandas sirvam para abrir os horizontes do grupo, trazer novas influências, dar uma arejada. Como foi isso com os Baggios no caso do seu disco?
Ele foi um laboratório muito positivo nesse sentido, de trazer um segmento novo para o que a Baggios costuma fazer. Abriu mais um portal de referência musical, de produção. Acredito que a cada trabalho que eu vá fazendo paralelo, vá abrir um outro horizonte para um trabalho da Baggios, também. Ano que vem devo gravar um outro álbum solo, já tentando fugir um pouco do que foi o Tupã-Rá e trazendo outras coisas.
Para mim é um laboratório. A todo momento eu estou aprendendo coisas. Estou com meu estúdio aqui, num momento massa de desenvolvimento, de estar produzindo outros artistas sergipanos. Fico feliz de estar sendo identificado como um produtor musical, podendo contribuir com sons que fogem da minha percepção de música, do meu lugar comum. O ruim é ficar parado e venho me mantenho em movimento.
Como foi feita a capa do disco? Houve alguma referência de alguma capa clássica?
Ela veio de um insight que eu tive, lendo uma matéria sobre o Marku Ribas, que tinha lançado um álbum pela revista Noize. Um álbum que era bem difícil de ser encontrado, porque foi um disco independente, que foi redescoberto depois de muito tempo. E aí eu tive a felicidade de comprar uma cópia pra mim. Sou muito fã dele. Soube que foi um disco trabalhado sem grana, com os brothers que tinham parceria com ele, contribuindo como músicos… Ele prensou o disco e foi vendendo de mão em mão nos shows. O Marku era um artista que tinha lançado discos muito bons nos anos 1970, zerou ali e voltou a ser um artista independente, fazendo shows, vendendo disco dessa forma.
Isso me fez refletir muito sobre o artista independente mesmo, que muitas vezes tarda a ser descoberto. Isso me trouxe uma imagem de alto desértico na cabeça e a Baggios estaria sendo redescoberta no futuro, já com o desgaste aparente (rindo), com bastante história para contar, mas de uma maneira tardia. Eu gosto de mexer muito com imagens que tragam essa reflexão do tempo e veio esse insight junto com essa obra do Marku Ribas. Trouxe o deserto, a areia, o sair do underground, do subsolo. Foi uma forma de refletir um pouco essa redescoberta. Uma coisa que me veio também foi representar a redescoberta da música brasileira, esses artistas da vanguarda paulista, as bandas underground de rock, como Perfume Azul do Sol – que trazia muita coisa nordestina mesmo sendo de São Paulo.
E é um disco com um clima Nordeste, eu queria um clima mais árido também. Uma coisa que me lembrasse o barro. As cabeças são feitas de barro. O disco tem participações só de nordestinos, uma influência da música nordestina muito forte. É um conjunto de ideias que me veio para chegar nessa conclusão. A foto foi do Marcelinho Hora, que é um parceiro antigo nosso, fotografa a gente de dez anos pra cá e é um grande nome da fotografia sergipana.
Como surgiu a ideia de trazer Cátia de França e Chico Cesar para cantar em Barra pesada, e como foi o contato com eles?
O contato com a Cátia de França pintou através do Ruan, que até então era o produtor dela. A gente estava no festival Psicodália em 2017, ele tinha acabado de deixar a Cátia no aeroporto, só que a gente não encontrou com ela. Ele estava precisando voltar para o festival e ele estava com a van. Oferecemos uma carona para ele, ele comentou que o show do dia anterior foi massa, que era o produtor da Cátia… E todo mundo aqui curte o trabalho dela. Ele começou a manter contato com a gente, foi num show nosso no Rio. Eu vi através dele essa possibilidade e fiquei muito feliz. Sem dúvida é a música que mais trouxe um peso de participação. Ela com Chico César foi uma participação dobrada.
Já o Chico, a gente já se encontrou algumas vezes no aeroporto, ele já tinha vindo algumas vezes para Sergipe, foi no nosso show em São Paulo. Saímos depois, conversamos bastante sobre música, vida, política e ele deixou telefone com a gente. Falei: “A hora é agora”. Tivemos em 2019 essa cartada e no final de 2020 mandei uma ideia para ele, já falando da Cátia, achando que era massa ter os dois na mesma música. Tem o lance do baião aguçado ali… mas com um rock da pesada. E ele é um ótimo instrumentista, vejo ele como um cara muito guitarreiro também! É uma referência musical.
Como surgiu Baggios encontra Siba? É uma música feita em quarteto? O nome é um “título de trabalho” que acabou ficando?
Com o Siba, desde 2017, a gente vem fazendo alguns encontros em shows. Em Vulcão (disco de 2018) já tem uma música que era mais rascunhada para fazer com ele, mas não botei para a frente porque já estava com repertorio fechado e com pouco tempo de finalizar. E acabou que ele fez participação em outro show da gente. Falei: “Nesse disco, que vai ter o Nordeste como um dos fios condutores, tem que ter o Siba!!” Ele é um ótimo poeta, letrista, guitarrista e toca rabeca.
Lembrei da rabeca, sugeri a ele botar rabeca em vez da guitarra para ser um elemento novo. Fiz grande parte da música e separei um trecho ali – uns 40 segundos da faixa – para ele improvisar na rabeca e ficar livre para fazer os versos. Isso aconteceu com Chico também, falei que tinha um trecho da música para ele fazer o que quisesse: um poema, uma narração, qualquer coisa. Isso foi muito massa porque eles contribuíram na faixa, como letristas e arranjadores também. Eles deixaram a impressão deles com mais propriedade na faixa!
Além da própria eleição do Bolsonaro, qual foi a maior tragédia que o Brasil teve desde 2018?
Cara, eleger Bolsonaro foi a principal tragédia mesmo… De todas as coisas que aconteceram de 2018 para cá, ele tem culpa. Quando o cara foi eleito, a gente já sabia que a cultura e a arte não iriam ser valorizadas. É um cara de extrema-direita, que vai valorizar um nicho diferente da economia, olhar menos para a desigualdade, porque economistas querem saber de lucros, de grana, que os pobres dependam ainda mais dos ricos… Que sirvam mais para os ricos, enfim.
A fala do cara já dizia isso. Tava na testa. E aí no fim das contas, o Brasil sofreu com a ideologia do Bolsonaro. A gente não tem esperança nenhuma de melhorar nada até o fim do ano. Perdemos bastante força dos incentivos à cultura, à educação, nas vias que trariam uma força popular. Porque para essas pessoas o poder popular significa construir um inimigo. Eles não querem as pessoas mais inteligentes, consumido arte. Querem as pessoas na rédea, que sigam as leis e vontades deles. Claro que a pandemia já foi outra tragédia mais mundial, não foi só no Brasil. Mas seguimos aí nesse luto até o fim de 2022.
Nenhuma esperança mesmo em 2022?
Em 2022 eu espero que o povo brasileiro tenha enxergado os quatro anos de regresso, e que tirem esse cara do poder. Temos muitos candidatos aí, né? O Lula para mim é uma força grande que pode tirar o Bolsonaro do poder. Deposito uma esperança grande no Lula para ele tirar esse atraso de quatro anos e botar o país no eixo novamente. Que não vire uma chacota mundial como tem sido, uma vergonha onipresente, né, velho? Onde o cara vai, ele passa vergonha, e as pessoas não valorizam. A gente tem um poder máximo na política brasileira, que é a presidência, que não representa ninguém, só aquele nicho dele. Infelizmente é isso que a gente tem para oferecer nesse momento. Mas minha esperança vai estar nas eleições desse ano.
Como está sendo esse período de retorno ao mundo “fora de casa” para vocês, como pessoas e como profissionais? Já conseguiram encontrar amigos? Os shows começaram a rolar?
Esse momento de retorno tem sido revigorante. A Baggios mesmo já tem ganhado força novamente, voltou a ensaiar, tem promessas de show, voltei a fazer show solo de voz e violão… Isso já está trazendo uma alimentação para minha alma que estava um pouco mais para baixo, mais triste. O contato com o público é revigorante. Voltamos a abraçar pessoas, a ter contato físico. A gente estava há dois anos numa jaula. Todos os que eu ando estão vacinados. Infelizmente tem quem siga outra rota. Essa coisa de não acreditar na ciência, de seguir os passos de um presidente como Bolsonaro… Mas estamos bem nesse momento. Aos poucos o disco vai chegando na galera.
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Urgente!: Quatro apostas nossas pro Grammy 2026

A 68ª edição do Grammy Awards vai rolar neste domingo (1º) em Los Angeles, com transmissão pela TNT e pela HBO Max, a partir das 21h30 – a apresentadora Carol Ribeiro vai acompanhar tapete vermelho. O comediante Trevor Noah ocupa mais uma vez o cargo de mestre de cerimônias. A lista inteira de indicados você já acompanha em vários sites por aí – tem até Caetano Veloso e Maria Bethânia concorrendo na categoria Melhor álbum de música global por causa de Caetano e Bethânia ao vivo, registro da turnê dos irmãos. Os dois são os únicos brasileiros da lista, aliás.
E seguem aí quatro apostas nossas para a premiação (esse texto não tem patrocínio de nenhuma bet e aconselhamos você a não apostar dinheiro em premiação nenhuma).
Álbum do ano: Chromakopia, Tyler The Creator. Lançado em 2024, e não em 2025, Chromakopia é mais um divisor na carreira de um artista cuja discografia só tem divisores. O álbum vai além do hip hop e cai pra cima de r&b, jazz, rock, psicodelias e maluquices – algo que Tyler já vinha fazendo em discos anteriores, mas que aqui ganha outro foco. Como costuma acontecer na discografia de Tyler, é pra ouvir prestando atenção nas letras, já que, partindo de histórias de sua infância e adolescência, o cantor dialoga com sua mãe, com antigos amores, com velhas versões de si próprio, e com vários lados diferentes de sua versão atual.
Quem mais concorre: Bad Bunny, Debí tiras más fotos. Justin Bieber, Swag. Sabrina Carpenter, Man’s beat friend. Clipse, Pusha T & Malice, Let God sort em out. Lady Gaga, Mayhem. Kendrick Lamar, GNX. Leon Thomas, Mutt.
Quem deve ganhar: Bad Bunny, ou Sabrina Carpenter. Recentemente, a academia botou todos os votantes do Grammy Latino para votar junto com eles, o que talvez ajude Bad Bunny.
Canção do ano: Abracadabra, Lady Gaga. Mayhem, seu disco de 2025, foi prometido desde o início como um retorno à fase “grêmio recreativo” de Gaga. E sim, ele entrega o que promete: Gaga revisita sua era inicial, piscando para os fãs das antigas, trazendo clima de sortilégio no refrão do single Abracadabra (que remete ao começo do icônico hit Bad romance), e mergulhando de cabeça em synthpop, house music, boogie, ítalo-disco, pós-disco, rock, punk (por que não?) e outros estilos.
Quem mais concorre: Doechii, Anxiety. Rosé, Bruno Mars, Apt. Bad Bunny, DtMF. Guerreiras do K-Pop, Golden. Kendrick Lamar e SZA, Luther. Sabrina Carpenter, Manchild. Billie Eilish, Wildflower
Quem deve ganhar: Pode ser que Bad Bunny ganhe. Ou Kendrick, que tem o maior número de indicações de 2026.
Artista revelação do ano: Olivia Dean. Não resenhamos ainda o ótimo The art of loving, seu segundo disco – fica para uma das próximas semanas. A Variety aposta que ela será a vencedora por causa de sua turnê concorridíssima e cara que está a caminho, ainda que seu disco não tenha entrado na lista de melhores discos porque saiu tarde demais para isso. Como é um baita disco pop, é uma aposta bem especial para a gente.
Quem mais concorre: Katseye, The Marias, Addison Rae, Sombr, Leon Thomas, Alex Warren, Lola Young.
Quem deve ganhar: Talvez o histórico complicado de Lola Young comova os jurados, mas algo nos diz que Sombr, grande cantor a bordo de um disco mediano, I barely know her, tem um bom número de benzedores.
Álbum de rock: HAIM, com I quit, discão lançado em junho e que aparentemente, foi pouco lembrado ao longo do ano – mas cujo repertório pode conquistar muitos jurados. O que pode parecer uma versão musical da novela Quatro por quatro (no caso Três por três, enfim) na real é um disco bastante arrojado, rock de olho no pop e vice-versa. É também um disco que ensina que, às vezes, as histórias mais duras não terminam em vingança nem em perdão – terminam no entendimento de que esse mundo é cheio de gente sonsa mesmo.
Quem mais concorre: Deftones, com Private music. Linkin Park, com From zero. Turnstile, com Never enough. Yungblud, com Idols.
Quem deve ganhar: A tal info de que os votantes do Grammy Latino estão no corpo de jurados talvez ajude os Deftones. Ou o Linkin Park.
Notícias
Urgente!: Tom Morello faz show para vítimas da violência policial em Minneapolis nesta sexta (30)

Tom Morello, um dos nomes mais politizados do rock, anunciou um show beneficente em Minneapolis para apoiar famílias vítimas da violência de agentes federais. Batizado de A Concert of Solidarity & Resistance to Defend Minnesota!, o evento acontece nesta sexta (30), no histórico First Avenue, palco que já viu de tudo no rock americano – inclusive o show histórico do Hüsker Dü que deu origem a esta caixa que a gente resenhou aqui.
A ideia do show é arrecadar fundos para as famílias de Renee Good e Alex Pretti, ambos mortos em janeiro de 2026 durante ações do U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) e da U.S. Customs and Border Protection. Morello, que não é de fazer rodeios, divulga o show chamando as ações dos agentes federais pelo nome: fascismo.
“Se parece com fascismo, soa como fascismo, age como fascismo, se veste como fascismo, fala como fascismo, mata como fascismo e mente como fascismo, meninos e meninas, é fascismo, porra”, escreveu Morello no Instagram. “Está aqui, está agora, está na minha cidade, está na sua cidade, e deve ser combatido, protestado, defendido, enfrentado, exposto, deposto, derrubado e expulso. Por você e por mim”.
Além de Morello, o palco vai receber Rise Against, Ike Reilly e o guitarrista de jazz fusion Al Di Meola, com direito a convidado surpresa prometido pela organização. Os ingressos custam US$ 25, e toda a renda vai direto para as famílias das vítimas.
Cinema
Urgente!: Show solo de Thom Yorke (Radiohead) na Austrália vira filme

É provável que os fãs do Radiohead estejam esperando BASTANTE por um filme de concerto do grupo – mas pelo menos vem por aí um filme de show de… Thom Yorke, líder da banda. A primeira tour solo do cantor vai ganhar o registro oficial Thom Yorke Live at Sydney Opera House, com os shows que ele fez em novembro de 2024 no Forecourt, pátio da Ópera de Sydney. Detalhe que os fãs não apenas do Radiohead como também de todos os projetos capitaneados por Thom podem esperar para se sentirem contemplados pelo filme. A direção é de Dave May.
Isso porque, segundo o comunicado de lançamento, Thom Yorke Live at Sydney Opera House “abrange todos os aspectos dos mais de trinta anos de carreira de Yorke como artista de gravação, desde uma versão acústica de tirar o fôlego de Let down (Radiohead), até faixas menos conhecidas favoritas dos fãs (como Rabbit in your headlights, do UNKLE) e seleções de seus aclamados álbuns solo com influências eletrônicas”. Ou seja: você confere lá todo o baú de recordações do cantor, que mergulhou também em canções de sua banda paralela Atoms For Peace e de seu projeto em dupla com Mark Pritchard (o disco Tall tales foi resenhado aqui pela gente).
Um outro detalhe que o release promete: mesmo que a casa de shows seja enorme, a sensação é a de assistir a um show bem intimista, tipo “uma noite com Thom Yorke”. “O filme tem ares de um vislumbre íntimo dos bastidores, permitindo testemunhar um mestre em ação. Yorke une as diversas vertentes de sua carreira com seu falsete arrebatador e presença de palco magnética. Para fãs de Radiohead, The Smile e tudo mais, esta é uma experiência cinematográfica imperdível”, dá uma enfeitada o tal texto.
Live at Sydney Opera House estreou no Playhouse da Ópera de Sydney no último dia 20 de janeiro. No dia 6 de março, uma sexta-feira, ele chega nos cinemas da Austrália. Vale aguardar? Confira aí Thom soltando a voz em Back in the game, dele e de Pritchard, e o trailer do filme (e sem esquecer que temos um podcast sobre o começo do Radiohead, que você ouve aqui).





































