O blog Boing Boing publicou uma entrevista que pode deixar em crise um monte de colecionadores de discos ao redor do mundo. O papo é com o colecionador John Tefteller, cujo foco é em discos raros de blues. Uma das maiores raridades da coleção de Tefteller, comprada em 2013, é um 78 rpm de um músico chamado Tommy Johnson, lançado em 1930, com a música Alcohol and Jake blues. O detalhe é o preço que Johnson pagou pelo disco no eBay: nada menos que US$ 37.100 (!).

Tommy (1896-1956), nascido em Crystal Springs, Mississippi, gravou uma série de 78 rpm para gravadoras como Victor e Paramount. Era um cara conhecido pelo seu registro incomum de voz (usava bastante falsete) e era considerado um bom guitarrista. Existem lendas meio bizarras a respeito de ele ter vendido sua alma ao diabo numa encruzilhada, em troca de sua habilidade como músico – as mesmas lendas que rolaram a respeito de Robert Johnson, de quem por sinal ele não era parente.

Apesar do preço que Tefteller pagou pelo disco, ele faz questão de dizer que não é o disco mais raro de blues do mundo. “É complicado quando você diz ‘mais raro’, porque quando você diz isso, significa que só existe uma cópia do disco. Então, você pode chamar de ‘o mais raro'”, contou.

Olha o papo aí.

O que torna esses 78 rpm de blues tão raros hoje em dia? Nas décadas de 1920 e 1930, as empresas que produziram esses registros fizeram cópias limitadas para um público limitado. Essa pequena audiência, com o tempo, quebrou os discos, deixou-os inutilizados ou jogou tudo no lixo. As gravadoras raramente mantinham masters e não havia como rastrear a compra e venda da música. Isso tudo tornou as gravações de blues daquele período extraordinariamente difíceis de encontrar.

Tudo mudou depois da Segunda Guerra Mundial. Houve melhor manutenção de gravações. No entanto, os registros de 1926 a 1935, se você os encontrar hoje, são super raros.

Como você achou esse disco do Tommy Johnson? Eu tinha uma cópia dessa gravação antes de comprar o disco no eBay, que era a única cópia (conhecida) existente. Mas o som era barulhento e distorcido. No eBay, vi que alguém na Carolina do Sul estava vendendo. Havia uma foto disco e ele estava em bom estado. Eu coloquei um lance bem alto, algo realmente estúpido, porque era uma chance única para eu conseguir outra cópia desse registro. Só que eu não imaginava que o disco venderia. Eu sabia o quão raro era, mas não sabia o quão desejável era.

Fiz o lance vencedor por US$ 37.100. Quando foi listado pela primeira vez, o vendedor estava pedindo US$ 100, mas em alguns dias o preço subiu.

O vendedor do disco percebeu o quão raro era? Acho que não. Ele havia comprado o disco em uma venda de imóveis por alguns dólares.

E como faz para comprar um toca-discos de 78 rpm? Hoje, você pode obter um toca-discos barato de 78 rpm no mercado por US$ 100. Mas eu não aconselho você a fazer isso, porque você pode causar danos aos discos. Existem toca-discos na faixa de US$ 500-600 que são decentes. Existem turntables que custam milhares de dólares.

Costumo encontrar 78 rpms em brechós e vendas de garagem. Essa é uma boa maneira de começar a coletar esses discos? Eu não recomendo ir pelo “jeito antigo”: brechós, vendas de imóveis, feiras de troca. Se fizer isso, você vai acabar vasculhando um monte de discos em mau estado. Essa abordagem leva muito tempo, e requer paciência, porque você vai ter que lidar com frustrações.

A entrevista na íntegra tá aqui, em inglês. Ah, segue aí a tal música do 78 rpm que o cara comprou. O áudio foi tirado da tal cópia ruim que ele tinha antes.