Continuando o papo sobre “Live at Leeds”: como todo fã do Who já está careca de saber, a ideia original da banda era gravar dois shows em fevereiro de 1970: um em Leeds em 14 de fevereiro, e um em Hull, no dia seguinte, pertinho de Leeds. E juntar os dois num disco. Ao ouvir o show de Hull gravado, a banda não ficou satisfeita e deixou só o show da universidade.

O álbum de Hull circulou muito tempo em versão pirata (ironicamente clonando a capa de “Live at Leeds”, que já era uma paródia de discos piratas) e finalmente saiu em CD como parte de um relançamento de “Live at Leeds”, em 2012.

No vídeo da BBC acima, o vocalista Roger Daltrey – que nunca foi muito de concordar com Pete Townshend nem com ninguém do Who – diz ter achado o show de Hull bem melhor que o de Leeds. “Para ser honesto foi bem melhor sim. Foi em condições melhores, num teatro de verdade, com acústica boa. Só que o baixo não foi gravado”, conta a ninguém menos que Rick Wakeman, rindo.

Não foi mesmo. Olha “Heaven and hell” sem baixo, no piratão “Live at Hull”. A música foi composta e cantada justamente pelo baixista John Entwistle, e é uma das melhores compostas por ele para a banda.

Aliás pega aí “Young man blues” (de Mose Allison), primeira faixa de “Live at Leeds”, na versão de Hull.

E “Substitute”, segunda do LP de Leeds, em Hull.

E “Summertime blues”, terceira de “Live at Leeds”.

“Shakin’ all over” encerrava o lado A de “Live at Leeds” e aqui aparece na releitura de “Live at Hull” (e, opa, dá pra ouvir o baixo!)

Sei lá o motivo, mas “My generation”, primeira do lado B do LP “Live at Leeds”, aparece em duas partes no YouTube na versão de Hull. Também tem trechos retirados de “Sparks”, tema instrumental de “Tommy”, e é bem maior que a versão de Leeds.

“Magic bus”, última do LP “Live at Leeds”, não foi tocada no show. Pega aí um monte de áudios de Hull.