Lançado bem antes do termo “psicodelia” ganhar uma baita fama em cadernos culturais, The sounds of the office, invenção de um músico chamado Michael Siegel, ganha fama de “disco psicodélico pouco conhecido” em alguns sites e blogs – e listas de discos. Ele saiu em 1964 por um selo chamado Folkways Records e, bem, é um disco que não contém nenhuma música de fato.

The Sounds Of The Office: quando um cara resolveu gravar todos os barulhos de um escritório em disco

Todas as suas 19 curtas faixas trazem apenas barulhos registrados num escritório (faz jus ao nome, enfim). Vale até como documento histórico, porque se trata de um escritório de mais de 50 anos atrás, com aparelhos obsoletos como máquina de escrever e termofax, além de uma máquina de gravar letras em placas (Adessograph, sétima música do lado B). E evidentemente há pelo menos uma música com o som de uma calculadora, anos antes do Kratwerk resolver produzir música (aí sim) com uma, e até mesmo vender uma calculadora com o nome da banda.

O disco tá aí. Não fazemos muita ideia de que tipo de público ouviria isso.

FOLKWAYS

A Folkways, a gravadora que lançou esse disco, foi fundada em 1948 por um cara chamado Moses Asch, responsável por criar demanda para discos de música folk nos Estados Unidos – lançou LPs de Woody Guthrie, Pete Seeger, Lead Belly, Elizabeth Cotten e vários outros. Asch também lançou LPs de música folclórica da Índia, da Etiópia, de spirituals e vários outros álbuns de caráter documental. O produtor tinha cuidado extremo com cada lançamento, a ponto de tentar manter tudo em catálogo, mesmo que os discos não vendessem.

Anos depois, quando o catálogo da Folkways foi adquirido pelo Smithsonian Institution – instituição de pesquisa administrada pelo governo dos Estados Unidos – Asch já tinha morrido. Mas fez questão de determinar em seu testamento que o catálogo da gravadora deveria estar sempre disponível e que fitas não aproveitadas deveriam ser pesquisadas.

O DISCO

O álbum Sounds of the office hoje está no catálogo da instituição. O site da Folkways apresenta o disco afirmando que ele “abre com estrondos e rangidos e pode ser confundido com uma peça sonora minimalista. Na verdade, é o som de um escritório de 1964. Papel farfalhado, gavetas fechando, digitação e passos são apenas alguns dos sons ouvidos neste álbum”. No encarte do disco (que segundo o Discogs, tem oito páginas!), Michael – uma figurinha misteriosa, de quem se acha pouco material na internet – esclarece que “são essencialmente sons de papel e máquinas. Aqui estão alguns deles, em uma sequência cronológica aproximada, do início de um dia ao fim, ou pelo menos o final da manhã”.

Detalhe que a carreira de Siegel na Folkways ainda incluiu um LP de… sons do ferro-velho. Sounds of the junk yard saiu em 1964 e chegou a ganhar uma reedição em CD (!).

Via Boing Boing