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The Cure faz um p… show comemorativo em 2018

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The Cure

Se tiver algo que você classifique como “show do ano”, me fala aí. Isso porque, na minha humilde opinião, a definições dessa expressão para 2018 foram mudadas agora. O The Cure vai fazer um show de 40º aniversário no Hyde Park de Londres, no sábado, 7 de julho de 2018. E eles serão os headliners de uma turma bem bacana: Goldfrapp , Editors, Ride, Slowdive e The Twilight Sad, além do retorno do Interpol.

https://www.youtube.com/watch?v=M9Ha4ob-IBQ

A apresentação faz parte do festival British Summer Time, que inclui outros headliners, como Bruno Mars, Roger Waters, Michael Buble e Eric Clapton. The Cure, como os fãs sabem, se formou na verdade em 1976. Mas o grupo escolheu as quatro décadas de seu primeiro single, Killing an arab, como motivo da festa. Vai ser o único show europeu da banda no ano que vem, pelo menos até o momento (é o que diz o New Musical Express).

Olha o pôster do festival aí.

Crítica

Ouvimos: Dua Lipa, “Radical optimism”

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Ouvimos: Dua Lipa, "Radical optimism"
  • Radical optimism é o terceiro álbum de estúdio da cantora anglo-albanesa Dua Lipa, e o primeiro de estúdio em quatro anos.
  • Em comunicados à imprensa, a cantora chegou a citar influências como a neo-psicodelia e o brit-pop no disco. O álbum foi produzido por Danny L. Harle, Ian Kirkpatrick, Kevin Parker (Tame Impala) e Andrew Wyatt (Miike Snow).
  • À Billboard, Dua disse que se trata de seu disco mais pessoal. “Por um longo período de tempo eu pensei: ‘O que eu guardo para mim, o que coloco lá fora?’. ‘Como posso falar sobre minhas histórias sem colocar toda a minha vida pessoal em risco?’ É uma posição bastante vulnerável para se colocar, enquanto neste álbum eu me senti muito livre para contar minhas histórias e falar sobre minhas experiências”, contou.

O título e a capa do disco novo de Dua Lipa entregam bem mais do que o resultado do álbum. A imagem da cantora nadando entre tubarões e o nome “otimismo radical” soam um tanto mais revolucionários do que o disco, que traz um pop bacaninha, não exatamente perfeito. Future nostalgia, o anterior, dava novos contornos à disco music e contornos clássicos à house music. Já Radical optimism é bem diferente do que a própria Dua Lipa andava prometendo: em entrevistas e comunicados, ela dizia que se tratava de “homeagem à cultura rave do Reino Unido” e “um disco que faz infusão pop-psicodélica”.

O que acabou saindo foi um disco de música pop com bons momentos (a abertura com End of an era e Houdini anima), mas que soa bem mais ou menos se comparado a referências que provavelmente acompanham Dua Lipa há anos, como a disco music e o pop dos anos 1990. O tipo de disco que poderia ter sido melhor trabalhado para não soar tão genérico, embora talvez faça parte de um projeto de Dua para simplificar cada vez mais as coisas, em tempos de epopeias pop e sarrafo levantadíssimo para um estilo musical cuja gênese é o single. Provavelmente a presença de Kevin Parker (Tame Impala) entre os produtores e parceiros foi criando outros caminhos e trazendo outras referências. Mas pra encontrar neo-psicodelia num disco como Radical optimism, basicamente tomado por um tom mais tropical de r&b e house music, você vai ter que procurar bastante.

Por outro lado, é um disco de identificação bastante fácil e rigor quase conceitual. As letras de Radical optimism falam sobre dates furados, bandeiras vermelhas, relacionamentos que deixam marcas (Happy for you é sobre a mulher que vê o ex-namorado com a atual namorada, a ciumeira bate, mas ela se sente feliz pelo tal sujeito), ex-namorados e ficantes que uma mulher nunca mais vai querer ver na vida. Em alguns momentos, as faixas soam quase como um diário do Tinder, ou como threads do Twitter musicadas (já reparou como as pessoas se soltam ao responder perguntas como “qual foi seu pior date?” nesta rede social?).

O hit Houdini fala sobre filas que têm que andar, recorrendo a uma imagem bem interessante, já que o nome do rei da escapologia Harry Houdini é usado como verbo. Se o candidato a namorado da personagem não disser logo a que veio, Dua Lipa se manda (“vou dar uma de Houdini”, em tradução extremamente livre). O r&b latino French exit faz a apologia do ghosting moleque, de várzea, e sugere a saída estratégica antes do fim da festa (“não é um coração partido se eu não quebrar/um adeus não dói se eu não disser”, jura Dua Lipa).

Tem mais: End of an era pega pesado no clima “ih, lá vamos nós de novo” do começo de qualquer relacionamento. A boa balada Anything for love (que talvez responda pelas influências do britpop das quais Dua falou em entrevistas) põe no mesmo balaio empoderamento, noções de auto-estima e… busca de um final romântico e feliz. O hit Training season, põe na mesa mais papo sobre expectativas em relacionamentos, e traz um lado meio ABBA-Cher-Eurovisão para o disco.

Diante das letras do álbum, o otimismo do título chega a soar tóxico. Tá mais para aquele sentimento e aquela atitude que a gente sente que precisa ter quando parece que tudo já ruiu, e nos quais nem a gente bota fé (e, bom, diante da imagem da capa, dá pra sentir a ironia). Musicalmente, talvez você tenha vontade de ouvir o lançamento anterior de Dua Lipa. Mas é isso.

Nota: 6,5
Gravadora: Warner

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Crítica

Ouvimos: Beth Gibbons, “Lives outgrown”

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Ouvimos: Beth Gibbons, "Lives outgrown"
  • Lives outgrown é o primeiro disco solo de Beth Gibbons, musicista britânica que fez parte da banda Portishead. Segundo Beth, o disco foi escrito durante uma década e fala sobre “maternidade, ansiedade, menopausa e mortalidade”, entre outros assuntos. A produção é de Beth, James Ford e Lee Harris.
  • “As pessoas começaram a morrer. Quando você é jovem, você nunca sabe o final, você não sabe como tudo vai acabar. Você pensa: vamos superar isso. Vai melhorar. Alguns finais são difíceis de digerir”, contou Beth em um comunicado.
  • O disco usa piano preparado (tocado por Ford com colheres) e efeitos inusitados, como o uso de caixas e material de cozinha para a percussão.

O primeiro disco solo de Beth Gibbons vale como uma resposta ao tempo tão poderosa quanto a música Resposta ao tempo, de Aldir Blanc e Cristóvão Bastos, imortalizada por Nana Caymmi. O problema é que ao contrário da letra da música, não há batidas na porta da frente, nem o tempo é uma eterna criança. Qualquer surpresa que ele pudesse causar já é pedra cantada, mas pouca coisa é evitável. São problemas que vêm com o envelhecimento, com o tom sinistro das últimas notícias, com a tristeza de ver pessoas partindo, por questões de vida ou de morte. E a sensação de que você foi longe demais para voltar atrás.

O tom de Lives outgrown (“vidas superadas”) é bastante direto, as letras não deixam margem para dúvidas, os arranjos não são o tipo de som que muita gente gostaria de ouvir numa noite solitária. Floating on a moment fala que “estou indo em direção ao limite”. Se ouvida com o pensamento na tragédia do Rio Grande do Sul, e com a certeza de que histórias como essa não acontecem por acidente, Rewind ganha outro contexto: “a natureza não tem mais para dar/não faz sentido/este lugar está fora de controle/e todos nós sabemos o que está por vir”, com ruídos de crianças se divertindo na água, bem no final. Burden of life assevera: “não há respostas sobre o porquê”. Isso só para ficar em três exemplos.

Musicalmente, rola todo um clima de cidade-fantasma, de terror solitário, em Lives outgrown. Há críticos definindo o disco como “folk”, o que é uma meia-verdade. O som é experimental, une violões, efeitos especiais de percussão e bateria tocada igualmente como se fosse uma percussão (pelo co-produtor Lee Harris). E há faixas que soam como um redesenho acústico, repleto de madeiras, numa música originalmente eletrônica, como acontece em Reaching out. Se alguém quiser estabelecer comparações com o Portishead, ex-banda de Gibbons, o conceito é quase (quase, calma) comparável ao clima de Third, último disco da banda, de 2008.

Músicas como Rewind, Beyond the sun e For sale soam como sonhos perturbadores – trazendo influência de música do oriente médio unida a tons psicodélicos. Burden of life, com vocais soprados, e soando quase como um organismo vivo, com cordas, batidas e violões, é o tema de abertura ideal para uma série que falasse sobre vida e morte, esperanças perdidas e caminhos possíveis. E dessa forma o disco segue, até chegar a notas de esperança em Whispering love, a faixa final, que surpreende por fazer Beth Gibbons lembrar a voz de Annie Haslam, do Renaissance. Tudo muito bonito, mas muito triste. E muito verdadeiro.

Nota: 8,5
Gravadora: Domino.

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Crítica

Ouvimos: Slash, “Orgy of the damned”

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Ouvimos: Slash, "Orgy of the damned"
  • Orgy of the damned é o segundo disco solo de estúdio do guitarrista do Guns N’Roses, Slash. É um álbum de covers de blues (com alguns outros estilos misturados), trazendo convidados nos vocais, como Brian Johnson (AC/DC), Demi Lovato, Billy Gibbons (ZZ Top), Beth Hart, Tash Neal, Chris Robinson (Black Crowes) e Iggy Pop.
  • “Eu sou um cara do blues. Essa tem sido a base do meu estilo desde que peguei numa guitarra. Mas todo mundo me conhece como um cara do hard rock”, contou à Billboard Slash. “Sempre pensei: ‘Deus, seria legal fazer um disco como esse’, uma espécie de brincadeira só por diversão. Mas nunca tive tempo para fazer algo assim”.
  • Slash surge no disco acompanhado por dois integrantes de seu antigo projeto de blues Slash’s Blues Ball:  Johnny Griparic (baixo) e Teddy Andreadis (teclados), além de Michael Jermone na bateria. Mike Clink produziu o disco.

O disco novo de Slash é um misto de álbum feito para tocar no rádio, com disco feito para sair na seção Rápido e rasteiro, da antiga revista Bizz. Não que seja ruim, só é aquele tipo de ideia feita para “dar certo”: regravar vários clássicos do blues, além de uma ou outra variação para o soul, com convidados especiais nos vocais, e uma guitarra realmente poderosa (queiram os detratores do Guns ou não, ele é um grande guitarrista).

Orgy of the damned segue nessa linha: produção e arranjos transformaram o novo disco de Slash basicamente num álbum de rock motoclubista. The pusher, de Hoyx Axton, imortalizada pelo Steppenwolf, ganha mais de 7 minutos com Chris Robinson (Black Crowes) no vocal, mas apaga toda a marginália do original. Oh well, do Fleetwood Mac, ganha vocais econômicos e sem muito brilho da parte de Chris Stapleton. Gary Clark Jr solta a voz em Crossroads, de Robert Johnson, e dá brilho a uma versão bacaninha.

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Killing floor, aquele clássico do blues (de Howlin’ Wolf) que o Led Zeppelin mexeu daqui e dali e fez Lemon song, ganhou um retrabalho só ok com Brian Johnson (AC/DC), além da gaita de Steven Tyler (Aerosmith).  Sem ouvir o disco, já dá para supor que o melhor de Orgy ficou com o experiente Paul Rodgers (Born under a bad sign, de Albert King), com Iggy Pop (Awful dreams, de Lightinin’ Hopkins, com nome escrito errado no Spotify), com Billy Gibbons, do ZZ Top (relendo Hoochie coochie man, de Willie Dixon) e com Demi Lovato (Papa was a rollin’ stone, dos Tempations).

Bom, não está longe da verdade, não. Iggy foi o que mais deu sorte com a banda, inclusive. O blues acústico de Slash e seus colegas em Awful dreams, com direito a uma gozadora gaita-vocal do cantor no final, chega a lembrar uma gravação antiga do estilo. Demi surge mandando bem em Papa, uma das melhores, mais criativas e (de certa forma) mais inesperadas faixas do álbum. E uma enorme surpresa é ver Living for the city, clássico de protesto urbano de Stevie Wonder, na lista de faixas – e essa música ganhou a versão mais memorável do disco, cantada pelo norte-americano Tash Neal, em clima de total diálogo com a guitarra de Slash. É o que o disco tem de muito bom.

Daqui a alguns anos, quando novas gerações perguntarem “quem é Slash?” em alguma rede social, talvez Orgy of the damned seja lembrado como uma celebração da negritude no rock, o que de fato ele é – Slash preferiu expor realmente as raízes da música que toca e, mesmo na hora de gravar um blueseiro branco, optou pelo pouco lembrado Peter Green (de Oh well). O conceito é ousado, a musicalidade nem tanto.

Nota: 6
Gravadora: Gibson

 

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