Em 1969, saiu um disco duplo, gravado em poucas horas, que já foi considerado “o equivalente musical do arame farpado”. O vocalista e principal compositor fez todas as músicas no piano. E não sabia tocar o instrumento. Na hora de cantar, berrava em todas as canções. Na hora de orientar sua banda, dizia basicamente quais eram as partes de cada músico, sem que necessariamente essas partes combinassem. As músicas poucas vezes obedeciam a uma estrutura convencional de “canção”. Por outro lado, esse disco é cultuado até hoje como um ícone do experimentalismo no rock.

O canal Vox tenta explicar porque é que o álbum detentor de todas essas características – Trout mask replica, terceiro disco de Captain Beefheart and His Magic Band – é uma obra de arte. Produzido por Beefheart e por Frank Zappa, o disco teve influência decisiva no punk e pós-punk e confunde ouvintes até hoje. Músicas como Frownland, que abre o álbum, têm vários ritmos diferentes, como se cada instrumento estivesse tocando uma música em separado. O vídeo lembra um pouco como o disco foi gravado, recorrendo a entrevistas antigas de Beefheart (que diz ter tratado músicos “no chicote”) e a conversas com ex-integrantes.

Aliás, olha o disco inteiro aí.