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Tem um documentário sobre o show dos Cramps no Napa Mental Hospital

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Tem um documentário sobre o show dos Cramps no Napa Mental Hospital

Se você não fazia a mínima ideia, o famoso “show dos Cramps no Napa State Mental Hospital” não teve só eles – a banda punk The Mutants, de San Francisco, também tocou lá. Howie Klein, uma figura da cena punk de San Francisco que escrevia para zines locais, tinha prometido ao novo diretor do hospital, Bart Swain, enviar uma banda new wave para tocar lá, já que Swain estava agendando shows para os internos, numa de animar as coisas no hospital.

Klein enviou Cramps e Mutants para o show (ocorrido em 13 de junho de 1978). Swain, quando viu a zona armada. chegou a se desesperar achando que seria posto na rua. Afinal os dois grupos estavam bem distantes do estereótipo tranquilo de banda new wave, e tinham um comportamento bem mais anárquico e que-se-foda.

Só que os internos do hospício adoraram os dois shows, e a apresentação em dupla marcou época. Muito mais pelo fato de o show dos Cramps, importados de Nova York e da cena do CBGB’S para o palquinho do Napa, ter sido gravado e lançado em VHS nos anos 1980. O lançamento foi feito por uma empresa chamada Target Video, especializada em cruas apresentações punk de má qualidade. A Target chegou a viajar pelos EUA mostrando os vídeos – entre eles o dos Cramps.

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Vale citar que o shows das duas bandas no Napa teve um público formado apenas pelos internos, que eram bem poucos. Mas a interação entre eles e os Cramps marcou época por poder ser assistida em vídeo. Lux Interior, vocalista, abria o show berrando que “alguém me disse que vocês são loucos, mas não tenho tanta certeza disso. Vocês parecem normais para mim”. Internos começam a subir no palco, a dançar com a banda (literalmente: Lux puxa uma garota internada para dançar) e a berrar no microfone. Quem viu de perto, ou pelo menos “viu em vídeo”, sabe: chega uma hora em que é difícil saber quem era dos Cramps e quem estava internado lá.

Isso tudo você fica sabendo no documentário We were there to be there, dirigido por Jason Willis e Mike Plante, que está no Vimeo – em inglês, mas tem pelo menos legendas automáticas no idioma britânico. O filme começa detalhando o quanto forças antagônicas concorriam na San Francisco do fim dos anos 1970, começo dos 1980. Havia um puta conservadorismo rolando, com o ex-governador da Califórnia Ronald Reagan disputando as eleições presidenciais, após ter cortado os serviços sociais locais.

>>> Veja também no POP FANTASMA: As oitenta edições do fantástico zine Punk Planet estão na web

Muita força para um lado cria força igual no extremo oposto: a região, que já fora uma meca hippie e contracultural, era naquele momento repleta de artistas experimentais, bandas punk e shows dados em bibocas. Ou mesmo em espaços pouco usuais. Os Mutants tocaram em 1978 numa escola para crianças surdas em Oakland, Califórnia, com direito a tradutor de linguagem de sinais. E também se apresentaram no assustador People’s Temple, onde o pastor Jim Jones levou vários jovens a cometer suicídio. Na cidade, havia também um programa em TV a cabo só dedicado às bandas punk (no San Francisco Cable Channel).

Confira tudo aí. E alegre-se em ver o lado social que esse show acabou tendo, não apenas para os internos, como para as bandas: ninguém esqueceu os Cramps.

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Aliás, não foram só os Cramps e os Mutants que tocaram no hospital. Uma banda da Bay Area chamada Irish Newsboys – formada basicamente por jornalistas e músicos da antiga, que tocam música irlandesa – tocou no hospital em março de 2014. Um dos músicos do grupo era ninguém menos que Barry Melton (guitarra), que tocava nos anos 1960 na banda de Country Joe & The Fish e se apresentou no último dia do Festival de Woodstock. Leia mais sobre isso aqui, num texto antiguinho do POP FANTASMA (com mais infos sobre o show dos Cramps).

Via Open Culture

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Quando fizeram um drama televisivo com John Lennon e Yoko Ono

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Quando fizeram um drama televisivo com John Lennon e Yoko Ono

Em 1985, você deve saber, John Lennon completou cinco anos de morto, o que dava espaço para que começassem as várias homenagens, tributos e coisas parecidas. Era um ano bastante movimentado no que dizia respeito a tudo do catálogo dos Beatles, já que os direitos do songbook de Lennon-McCartney tinham ido para um inacreditável leilão público, e tinham sido comprados por Michael Jackson. Já o nome de John, para uso em homenagens e tributos, esbarrava numa questão que talvez fosse um pouco mais complicada: sem Yoko Ono, nada rolaria. Mas de qualquer jeito, ela foi bem colaborativa quando uma turma apareceu com a proposta de fazer um telefilme sobre a vida dela com John, e que se tornaria John and Yoko: A love story.

A novidade é que esse filme está legendado no YouTube para alegrar (ou não) a tarde de sábado que você passaria assistindo ao Caldeirão do Mion.

John and Yoko: A love story assusta pela duração: são três horas (!) de filme contando a história do casal, com Mark McGann e Kin Mioyri nos papéis principais. Yoko colaborou, cedeu músicas, mas também apitou em algumas coisas. “John J. McMahon, produtor executivo da Carson Productions, escolheu Sandor Stern como roteirista e diretor depois que um roteiro inicial de Edward Hume (do filme O dia seguinte) supostamente não agradou Yoko porque continha muito material sobre drogas, A versão de Stern dos anos de John e Yoko é muito mais diplomática, apenas tocando em partes dos incidentes de drogas públicos e privados, sem mencionar algumas das infidelidades amplamente divulgadas de Lennon”, contou o The New York Times no lançamento do filme, em dezembro de 1985.

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Bom, a vida do casal era romantismo com alguns lances bem estranhos: uso de drogas, abandono parental (Julian, filho mais velho de John, ficou anos sem vê-lo), traições, inseguranças de Lennon, brigas domésticas. Da história romântica do casal, não deu para não falar da época em que John e Yoko se separaram e o ex-beatle foi viver com May Pang, e do dia em que John e o brother Harry Nilsson foram expulsos de uma boate por atrapalharem um show dos Smothers Brothers. Isso tem no filme. O contexto político de todos os períodos

Aliás John and Yoko: A love story não fica só na história do casal. Ele abre com nada menos que os próprios Beatles, em 1966, vivendo a tensão de ver seus discos queimados no Alabama, depois que o próprio John Lennon declarou que a banda era mais popular do que Jesus Cristo. Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr são interpretados respectivamente por Kenneth Price, Peter Capaldi e Phillip Walsh.

O filme, aliás, tem dois detalhes interessantes. Aos 22 anos e iniciando carreira, Mike Myers faz um papel rápido e não creditado, como um entregador (vídeo abaixo). E um ator chamado Mark Lindsay chegou a ser considerado para o papel de Lennon, após impressionar a própria Yoko Ono durante um teste. Só que a viúva de Lennon descobriu que o nome do ator era… Mark Lindsay Chapman. E, como você deve saber, o nome do cara que matou Lennon era Mark David Chapman. Claro que Yoko dispensou Mark na hora.

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Aquela vez em que fizeram um documentário sobre Karen Carpenter com bonecas Barbie

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Aquela vez em que fizeram um documentário sobre Karen Carpenter com bonecas Barbie

“O problema nunca foi a Mattel, sempre foi Richard Carpenter”, vociferou certa vez o diretor Todd Haynes, quando perguntado sobre seu documentário Superstar: The Karen Carpenter story, feito em 1987, e que usava bonecas Barbie e Ken (da empresa de brinquedos Mattel) em todas as encenações dramáticas, até mesmo na morte da cantora por anorexia (ocorrida em 1983).

Todd, que lança na Apple TV em outubro o documentário The Velvet Underground, sobre a banda americana, lembrou numa entrevista que o filme deixou o irmão de Karen Carpenter muito zangado. Por razões familiares, afetivas e pessoais, segundo o cineasta.

“Se você já o ouviu dar entrevistas ou falar sobre Karen Carpenter, nota que há muita raiva lá, e ressentimento. Acho que ele está zangado porque ela morreu e levou a carreira dele junto, quando Richard pensava que sempre tinha sido o talento da dupla, o que gerou tudo”, disse Todd, ele mesmo bem puto da vida com o músico.

O filme também insinuou que Richard fosse homossexual, o que – numa era em que além da homofobia, havia muito desconhecimento e bem menos sensibilidade – provavelmente deixou o cantor bastante irritado, até porque publicamente ele nunca havia tratado do assunto. Superstar o exibiu também como um personagem bastante manipulador. Em “troca”, Richard proibiu que o filme utilizasse qualquer música dele e do grupo, claro.

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O filme, realizado quando Todd estava concluindo seu mestrado em Bard College, sequer tem uma duração longa: são apenas 43 minutos. E, diz um texto do The Guardian, parecia ter sido feito para a internet mesmo antes dela ganhar acesso público, já que sua linguagem influenciou vários canais do YouTube.

Todd falou do filme no vídeo abaixo, entre outros assuntos. O cineasta diz que uma das coisas mais interessantes do filme é que ele parece algo feito a mão, meio infantil, “até pela sensação que ele dá de brincar com bonecas”. Mas que quando as pessoas vão assisti-lo, veem que não se trata de uma piada com a dupla e que a história é bastante séria e pesada. Sim: em vários momentos, o filme de Todd chega a lembrar alguma maluquice de Kenneth Anger, como o bizarro Mouse heaven. E o material é bem claro: Karen passava por momentos de abuso, a máquina do showbusiness era cruel e ela precisava muito de ajuda.

E, bom, o filme está no YouTube já há um tempinho, após entrar e sair outras vezes.

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Lembra da fase rocker de Mae West?

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Lembra da fase rocker de Mae West?

Famosa como atriz, como celebridade de Hollywood e como cantora, Mae West ficou dez anos sem gravar. Aliás, ficou mais tempo ainda afastada do cinema. Foram quase trinta anos, voltando apenas em 1970 num filme que resultou num fracasso de bilheteria e numa recepção mais humilhante ainda da crítica, Myra Breckinridge, com Raquel Welch no papel principal (opa, você já leu sobre esse filme aqui no Pop Fantasma).

O que muita gente não esperava é que Mae – cujo primeiro álbum, The fabulous Mae West (1956), tinha basicamente grandes clássicos da canção norte-americana – retornasse em formato rock and roll no fim dos anos 1960. E depois retomasse o estilo em 1970. Olha aí o segundo disco da cantora e atriz, Way out west, formado por clássicos do pop, do soul e do rock. No álbum, lançado em 1966, a estrela era acompanhada por uma banda chamada Somebody’s Chyldren, formada por quatro cabeludos – enfim, por quatro garotos com cabelo crescendo pouco acima das orelhas.

Olha ela cantando If you’ve gotta go, go now, de Bob Dylan.

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Day tripper, dos Beatles, ficou bem legal na voz dela.

Olha que rock de garagem perfeito a versão dela para Shakin all over, de Johnny Kidd, que fazia parte também do repertório do The Who (e de mais uma porrada de bandas)

Hoje em dia, o mundo está acostumadíssimo com roqueiros de 60, 70, 80 anos – evidente, já que o próprio estilo musical tem mais de sete décadas. Na época em que gravou Way out west, Mae West tinha 72 anos e isso causou certo escândalo – afinal, era uma senhora, grande dama de Hollywood, voltando com um disco de rock de garagem. Seja como for, foi uma grande surpresa: o disco chegou à posição de 116 no Hot 200 da Billboard e Mae se tornou a mulher mais idosa a atingir a parada. Além disso, Mae West curtiu mesmo cantar rock. Olha aí o terceiro disco dela, lançado em novembro de 1966, Wild Christmas.

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Wild Christmas era quase um mini-álbum, com oito músicas e pouca duração (só 22 minutos e uns quebrados). Cinco das faixas tinham “Papai Noel” no título, sendo que duas delas haviam sido gravadas por Elvis Presley, Santa Claus is back in town e Santa bring my baby back (To me).

Quem produziu esses dois discos de Mae foi um jovem músico e produtor chamado David Mallet – um inglês que anos depois viraria diretor de clipes e faria vídeos como Bicycle race (Queen), Hangin on the telephone (Blondie) e nada menos que Ashes to ashes (David Bowie), entre vários outros. Mallet na época era um garotão roqueiro de 20 e poucos anos que estava dando lições de guitarra à estrela de Hollywood, e Mae já tinha até seu próprio instrumento, como diz essa matéria do The Sun Herald, de 3 de julho de 1966. “Desde que descobriu o rock, ela tem deixado a estação de rádio local de Hollywood em explosão total”, diz o texto.

O mergulho de West no rock deu certo, tanto que ainda teve um terceiro disco – só que Great balls of fire saiu um pouco atrasado. Foi gravado em 1968 e saiu só em 1970, por uma gravadora bacana, a MGM Records. Ao contrário dos dois primeiros, este disco foi produzido por Ian Whitcomb, compositor, produtor e escritor inglês. Não fez sucesso e não chegou às paradas, mas tem uma versão curiosíssima (e boa demais) de Light my fire, dos Doors.

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E teve, claro, o sucesso gravado por Jerry Lee Lewis, que virou faixa-título disco e foi gravado por ela.

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