Nos anos 1970, no universo da música pop, cabia de tudo. Motivos não faltavam e aí vão alguns deles: 1) discos vendiam a rodo; 2) a década era estranha o suficiente para que o espírito da época pedisse coisas estranhas; 3) passado o período hippie, havia uma sociedade de consumo de rock e cultura pop pronta para comprar tudo o que aparecesse pela frente. E etc. Não é estranho que uma banda como o Sparks despontasse no começo da década, liderada por dois irmãos norte-americanos completamente diferentes um do outro – o sisudo Ron Mael, nos teclados, e o exuberante Russel Mael, nos vocais – e com uma sonoridade que abarcava hard rock, trilhas de filmes e musicais, músicas de cabaré alemão, etc.

Sparks ao vivo e causando estranhamento em 1974O começo do grupo também foi marcado por uma história bizarra. Contratada pela Bearsville Records (selo dirigido pelo empresário de Bob Dylan e Janis Joplin, Albert Grossman) e produzida pelo influente Todd Rundgren, a banda lançou o primeiro disco em 1971 – só que o nome do grupo era Halfnelson. O disco não vendeu nada. A gravadora sugeriu a mudança de nome para Sparks Brothers, ele aceitaram (sem o “brothers”) e o disco foi recolocado no mercado, com outra capa e o nome novo. E, fato, só aí que as coisas começaram a acontecer para o grupo, muito embora o Sparks fosse estranho o suficiente a ponto de gravar uma versão rock de “Do re mi” (da trilha de “A noviça rebelde”). Em 1974, morando na Inglaterra e tendo a formação complementada por músicos britânicos, foram contratados pela Island e lançaram, no mesmo ano, os clássicos “Kimono my house” e “Propaganda”, dois discos preferidíssimos dos fãs. Inclusive no Brasil (os dois álbuns saíram em LP por aqui naquele ano).

Em 1974, no segundo aniversário do programa “ABC In concert”, a rede de TV norte-americana ABC achou que seria uma excelente ideia misturar vários artistas que faziam sucesso na atração, em aparições ao vivo. A edição (que chegou a ter melhores momentos lançados numa edição bootleg em DVD) tinha apresentação de Keith Moon, baterista do Who, e misturava o astro folk Jim Croce, o rei do soul James Brown, roqueiros como Edgar Winter Band e Bad Company… e os Sparks.

Você pode assistir à apresentação da banda no programa nos vídeos abaixo. Keith Moon introduz a banda de modo bastante sequelado (com participação de ninguém menos que o ex-beatle Ringo Starr, que corta a gravata do amigo) e a banda entra no palco na maior seriedade.

Dois momentos bastante interessantes na plateia, durante o show da banda: um coroa meio perdido e uma garota que parecia achar aquilo tudo muto estranho.

Sparks ao vivo e causando estranhamento em 1974 Sparks ao vivo e causando estranhamento em 1974

A história dos irmãos Mael e dos Sparks ganha mais um capítulo este ano – em setembro de 2017 sai o 23º disco do grupo, “Hippopotamus”. O primeiro single (da faixa-título) tá aí.