Nesta quarta (21), completa-se cinco anos sem um dos maiores ídolos do POP FANTASMA: Prince. Para lembrar a data, uma das investidas do cantor no cinema durante os anos 1980 chega à telinha hoje às 21h30 no Canal Bis. É o filme Sign O’ the times, feito para alavancar as vendas do álbum de mesmo nome, lançado em 1987. E inclusive, feito após um passo mal dado de Prince no cinema.

Em 1986, Prince, que já havia chamado a atenção na telona com Purple rain, de dois anos antes, decidiu fazer sua estreia como diretor. Foi na comédia romântica retrô Under the cherry moon (no Brasil ficou mais conhecida como Sob o luar da primavera), com participação de nomes como Kristin Scott Thomas, Francesca Annis e Jerome Benton.

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No filme, rodado em preto e branco, Prince e Jerome Benton são gigolôs americanos (o tema ficou na moda durante os anos 1980) que passam a perna em milionárias da Riviera francesa. Christopher Tracy, personagem de Prince, tenta dar o golpe do baú numa herdeira rica, mas acaba se apaixonando por ela. Aliás, a ideia do cantor, segundo uma reportagem da revista americana Jet, era capturar a atmosfera dos filmes dos anos 1940 que ele havia visto na infância.

O tema parecia até envolvente para os psicodélicos anos 1980, e o filme chegou às telas envolvido em um hit irresistível (Kiss, do bem sucedido disco Parade, que serviu de trilha sonora). Principalmente, havia a certeza de que, depois de Purple rain, tudo que Prince tocasse viraria ouro. Mas a crítica não caiu nessa: Under the cherry moon levou três Framboesas de Ouro. Prince foi considerado um ator ruim por muita gente, e um diretor pior ainda.

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No estúdio e nos shows, as coisas davam bem mais certo, e havia uma expectativa alta por Sign O’ the times, o disco, lançado em março de 1987. Aliás, como tudo envolvendo Prince, o nono álbum do cantor não seria realizado sem um pouco de drama. O álbum duplo traria material de vários discos descartados do cantor, incluindo um álbum triplo (!!) chamado Crystal ball, gravado entre março e novembro de 1986.

A imprensa anunciou esse álbum e as notícias deixaram fãs de Prince ao redor do mundo sem dormir. Só que o cantor, que geralmente não queria saber de muita conversa com executivos da gravadora, foi gentilmente chamado às falas pela Warner. Acabou topando cortar custos e diminuir o trabalho para um disco duplo. Sign saiu e revelou hits como a faixa-título, If i was your girlfriend e U got the look.

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Aliás, em Sign, Prince fez uma investida no universo dos artistas-que-criam-personagens. Adotou um falsete, e criou um alter-ego feminino, Camille. Em 1986, inclusive, ele concluíra um disco inteiro com o nome dela, e a Warner até chegou a prensar umas cópias iniciais. Mas Prince misteriosamente arquivou tudo e vazou parte do material para Sign O’ the times e para alguns lados-B.

Sign O’ the times, o filme, também teve seus dramas. Prince mandou arquivar parte da filmagem, feita na Holanda, porque detestou som e imagem – embora muita gente dissesse que estava tudo bem com o material. Prince refez boa parte do filme no estúdio Paisley Park, de propriedade do cantor, e sincronizou com uma parte das imagens da Holanda. Entre as canções, o artista incluiu algumas atuações e vinhetas, para transformar tudo num filme de verdade. Aliás, mais ou menos como acontecera em The song remains the same, do Led Zeppelin.

No fim das contas, uma montoeira de grana e uma extravagancia de tempo foram gastos num filme que, em vez de alavancar as vendas de um disco, desapareceu rapidamente das telas. O filme Sign O’ the times reabilitou Prince com os críticos de cinema, mas fez mais sucesso quando chegou no valoroso mercado dos homevideos, em 1989. Em compensação, o disco duplo, mesmo contando com uma turnê prejudicada (Prince cancelou os shows nos EUA), rendeu vários hits e mudou a vida de muita gente. E pode mudar a sua. Ouça o disco (que ganhou edição expandida não faz muito tempo) e veja o filme.

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