“Sentimental journey”, o primeiro disco solo do baterista dos Beatles, Ringo Starr, foi lançado há exatos 47 anos na Grã-Bretanha. E assim que ele saiu, a crítica não perdoou a investida do músico. Terceiro disco solo de um beatle (ex-beatle, na real, já que a banda estava se desmanchando) e primeiro lançamento solo de um ex-integrante da banda que não era um experimento maluco ou vanguardista, o álbum foi visto por Greil Marcus, da Rolling Stone, como “horrendo, mas cheio de classe”. John Gabree, da revista High Fidelity (publicada nos EUA em 1951 e 1989), afirmou que o dream team de arranjadores do LP compensava “o fato de que Ringo simplesmente não sabe cantar” – os maestros convidados pelo produtor George Martin para cuidar das canções eram Richard Perry, Chico O’Farrill, Ron Goodwin, Maurice Gibb, Klaus Voorman, Paul McCartney, Oliver Nelson, Quincy Jones,  John Dankworth, Elmer Bernstein e Les Reed.

Ringo, que criou o disco a partir de uma constatação existencial básica (“o que devo fazer da minha vida agora que está tudo acabado?”), escolheu gravar as canções favoritas de seus pais – e chegou a pedir a eles e a outrtos membros da família que ajudassem a escolher músicas. No repertório, clássicos como a música-título (gravada por The Platters, Ella Fitzgerald e mais uma porrada de gente), “Night and day” (Cole Porter), “Stardust” (gravado por Bing Crosby) e “Love is a many splendored thing” (dos repertórios de Frank Sinatra e Nat King Cole). Ringo acusou o recebimento das porradas da crítica: o baterista afirmou que fez o disco “para minha mãe” (não deixou de ser verdade) e voltou naquele mesmo ano com um disco de releituras do country, “Beaucoups of blues”. Depois passaria a misturar covers, músicas de amigos e material próprio.

Olha aí Ringo divulgando “Sentimental journey” no programa do apresentador e comediante inglês David Frost (tem legendas automáticas em inglês).

O disco foi o último lançamento solo de um dos Beatles a sair antes de “Let it be” – este, liberado pela Apple em 8 de maio de 1970 como sinal definitivo de que a banda havia acabado. A gravadora decidiu lançar a estreia de Ringo assim que o cantor e os músicos terminaram de gravar, para que não houvesse concorrência com o álbum dos Beatles.

Uma curiosidade é que a capa do disco trazia uma ideia que apareceria reaproveitada, de certa forma, no LP duplo “Physical graffiti”, do Led Zeppelin (1975). Ringo mandou fotografar o pub The Empress, em Liverpool, e colocou fotos de seus parentes nas janelas.

E se você nunca ouviu, tá aí a estreia de Ringo Starr como solista.