Cultura Pop
Roky Erickson nos anos 1980

De 1972, quando deixou o hospital psiquiátrico (onde, devido a um injusto encarceramento por causa de porte de maconha, chegou a tomar choques elétricos), até o começo da década de 1980, o já saudoso Roky Erickson virou um compositor compulsivo. Surpreendia amigos e parceiros de trabalho com canções feitas diariamente. Seu agente Craig Luckin lembrou aqui que o número de músicas feitas pelo compositor até 1980 pode ter chegado a 300. O empresário chegou a ver as letras de muitas delas impressas.
Foi graças a esse reencontro com Luckin que Roky Erickson conseguiu retomar sua carreira (aos trancos e barrancos, diga-se) e fazer uma série de lançamentos nos anos 1980, fazendo todo mundo recordar da época em que ele, adolescente, levava a psicodelia a outros níveis com sua banda 13th Floor Elevators. Alguns desses discos foram reeditados faz pouco tempo. Olha eles aí.
Até que em 1990 o produtor Bill Bentley resolvesse fazer um tributo a Roky, Where the pyramid meets the eye, com participações de nomes como ZZ Top, Jesus & Mary Chain, T-Bone Burnett, Lyres e outros, o nome do cantor e compositor texano continuaria permanecendo meio obscurecido. Apesar disso, essa fase anos 1980 de Roky bem que rendeu frutos.
O primeiro disco, Roky Erickson & The Aliens (que em reedições teve mudanças na lista de faixas e ganhou o nome de The evil one), foi lançado pela grandalhona CBS em 1980, e teve produção de Stu Cook, do Creedence Clearwater Revival. O material que vinha no álbum trazia uma mescla de hard rock e psicodelia tardia, numa espécie de reinterpretação “moderna” do proto-punk ao qual Roky era costumeiramente associado. As letras eram repletas de referências bizarras: demônios, zumbis, um cachorro de duas cabeças com quem Erickson teria trabalhado no Kremlin e vai por aí. Esse cão maluco era o personagem de uma das melhores do disco, Two headed dog (Red temple prayer). Ouça no último volume.
Essa música já tinha sido gravada por Roky num EPzinho lançado pelo selo francês Sponge, em 1977.
Pega aí I think of demons, balada power pop com versos como “Lúcifer, Lúcifer, Lúcifer, Lúcifer/Quem está te esperando?”.
A CBS deu apoio para uma turnê de Erickson pela Grã-Bretanha mas não deu nada certo: o cantor não havia se afastado totalmente das drogas (fãs lhe presenteavam com heroína e ácido) e fugia das entrevistas. Em alguns bate-papos, marcados pela mais completa indiferença dos repórteres e pela falta de zelo do entrevistado, Erickson dizia que tinha lançado poucos discos após os 13th Floor Elevators “por causa dos espiões russos”, e que havia começado na música “tocando piano no pântano”. Antes de uma bateria de entrevistas, fugiu com a mulher para tomar ácido e não apareceu.
O clima, tanto em termos de letras quanto de música, continuou no disco Don’t slander me, de 1986. Antes da gravação desse disco, Erickson decidiu que um marciano havia tomado conta do seu corpo – chegou a circular portando um contrato falso que dava a ele a identidade de “alienígena”. Apesar disso, colegas dizem que nunca viram Erickson tão sóbrio quanto nas gravações desse disco.
Já Gremlins take pictures, disco com gravações ao vivo entre 1975 e 1982, trazia surpresas como a versão de Roky para Heroin, do Velvet Underground. Pouco depois desse álbum, Erickson começou a desenvolver uma obsessão por correio (!). Escrevia cartas para todo mundo que desejava, não importando se a pessoa estivesse viva ou não – e chegou a ser preso, acusado de roubo de correspondência, em 1989. Foi dessa situação lamentável que ele foi resgatado em 1990. E posteriormente, na década seguinte, ganhou outro resgate quando começou a se apresentar com mais regularidade.
Aliás, se você chegou até aqui, segue de brinde um vídeo de emocionar. Roky em 1983, numa filmagem pra lá de caseira, cantando e tocando violão. O repertório ia de sons mais pro power pop até temas de blues e folk.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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