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Cultura Pop

Rita Lee & Roberto para dançar, vol. 3

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Rita Lee & Roberto para dançar, vol. 3

O mais extenso dos três volumes da série Classix remix, que mexe (literalmente) no catálogo de Rita Lee & Roberto de Carvalho, já está nas plataformas. Lançando o pacote de 17 faixas em evento online da gravadora Universal Music Brasil na quinta (24), João Lee, DJ, filho do casal e produtor do projeto, disse já estar louco para levar todo o material para as pistas de dança, assim que as aglomerações estiverem devidamente liberadas e não causarem perigo.

“Mal posso esperar para ouvir isso na pista, mas tenho recebido vídeos de pessoas que estão dançando em casa sozinhas. Cada pessoa tem uma memória afetiva com alguma música em algum momento”, conta João, que convidou para participar amigos como Coppola (Só de você), Gui Borato e Junior C (Pega rapaz) e Elekfantz (Shangri-Lá). Vivi Seixas (filha de Raul Seixas) e Kryptus Gomes (filho de Baby do Brasil e Pepeu Gomes), que formam com João Lee o coletivo Filhos do Rock, unem-se a ele num dos dois remixes de Lança perfume que aparecem no álbum.

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João conta que a ideia do projeto dos remixes de Rita Lee e Roberto de Carvalho, que chega ao fim agora, já vinha da época em que começou a tocar.

“Sou DJ há 25 anos e desde quando comecei a tocar, sempre quis ter versões das músicas dos meus pais em meus sets. Aproveitei os 25 anos para fazer a fusão da música deles com a minha, e para celebrar o catálogo deles convidando meus amigos, as pessoas que foram meus aliados durante todos esses anos”, conta.

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“A gente fez história com esse projeto. São quase 20 músicas originais com remixes, foi enorme a quantidade de músicas que a gente conseguiu encontrar para fazer digitalização” completa ele, dizendo que se trata do álbum mais “pista” da série. “Os remixes têm uma liberdade de desconstrução maior do que nos outros. Nesse disco, eu tocaria todas as faixas num set de duas horas. Conseguimos pegar todos os momentos de um set do começo ao fim”.

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Remixes de canções que fizeram sucesso, e que não eram produzidas exatamente como canções de pista, sempre são um risco enorme. Afinal, mexem em algo que parecia já perfeito e terminado – e que ainda por cima já era aprovado pelo público. Gui Boratto lembra que deu uma titubeada na hora de pegar Pega rapaz, ao lado de Junior C. O retrabalho no hit de 1987 entrou aos 45 minutos do segundo tempo no disco.

“Todo mundo ama essa música e ela representa mil e uma coisas. Foi difícil fazer por conta das mudanças de harmonia, da história da música, da letra”, conta ele, que chegou a cortar um dos versos. “Mas o fundamental é a letra, o discurso da letra. Não faria sentido por exemplo, uma versão dub, sem voz, ou com vultos das vozes. O ideal tentar fazer uma versão que não seja concorrente do original e que também não o distorça”.

Jornalista e pesquisador de Rita Lee, presente ao lançamento online, Guilherme Samora recorda que as batidas dançantes já eram bem próprias do trabalho de Rita & Roberto. “O Saúde (1981) foi um dos primeiros discos de música eletrônica do país. Tinha bateria eletrônica em quase todas as músicas”, recorda.

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O DJ Coppola pegou Só de você (“a favorita da Hebe Camargo e dos fãs”, lembra Samora) e passou por um breve crivo familiar antes da escolha. “Perguntei à minha família qual música eles escolheriam. Minha mãe falou que esse disco (Rita Lee & Roberto de Carvalho, o “da piscina”, de 1982) foi tocado na festa de casamento deles. Esse mesmo vinil (mostra no vídeo, por Zoom). E o casamento foi na Igreja que tem no condomínio em que os pais do João moram”, recorda.

“Já tinha curtido a ideia porque a música tem uma pegada pro jazz. Tive o desafio de mudar o ritmo, a bateria, a harmonia. Fiz vários loops com ideias diferentes. Quando estava cheio de ideias, precisei começar a montar o quebra-cabeças”, completou.

Diego Moura, responsável pela marca DEE:VISION, escolheu o hit Saúde e afirma que a época em que vivemos determinou isso. “Esse tempo louco em que vivemos, e saúde é o que todo mundo está precisando em primeiro lugar. Foi um processo demorado, e foi muito bom”.

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João conta que o próximo projeto deverá envolver outros nomes conhecidos do pop nacional, e vai ser feito justamente com Vivi Seixas e Kriptus Gomes, os Filhos do Rock. “Estamos fazendo um lance com músicas do Raul e dos pais do Kriptus”, conta. “Toco muitos estilos diferentes de música eletrônica. Fiquei feliz de ver que essas músicas servem para todos os momentos de pista”.

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Cinema

Toomorrow: quando Olivia Newton-John fez um musical espacial “jovem”

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Toomorrow: quando Olivia Newton-John fez um musical espacial "jovem"

Fãs de Olivia Newton-John (que saiu de cena nos últimos dias) deram uma reclamada, com razão, quando viram nas redes sociais um bando de gente que só lembrou da fase Physical da cantora. Ou de clássicos da telinha como Grease e Xanadu, surgidos de uma fase em que Olivia já era tudo, menos um rosto novo. Antes disso, ela já vinha gravando discos na onda do country pop e do folk desde 1971, tinha conseguido o primeiro disco de ouro em 1975 com o sexto álbum, Clearly love, e vinha fazendo filmes desde o começo da década.

Um filme bem interessante que Olivia fez, e que está inteiro no YouTube (pelo menos por enquanto), tem um plot bem curioso, e ainda por cima rendeu um trilha sonora que prometia. Aliás, o próprio filme foi uma promessa – que não rolou. Toomorrow, dirigido por Val Guest, saiu em 27 de agosto de 1970 no Reino Unido, e tinha a cantora como protagonista. Olivia fazia uma personagem chamada Olivia, que era a líder de um grupo pop (cujo nome era Toomorrow) que era observado de longe por extraterrestres, e acabava sendo abduzido.

Além da cantora, o grupo tinha Karl Chambers (bateria), Ben Thomas (voz, guitarra) e Vic Cooper (teclados). Essa turma, que mantinha a banda como uma forma de financiar os estudos, acabava envolvida numa trama que misturava musical, ficção científica e filme “jovem”, com direito a cenas de protestos estudantis e sit-ins alegres. Se você nunca viu, nem ouviu falar e tem curiosidade, segue aí.

Toomorrow não chegou a ser um grande sucess… não, pensando bem foi um retumbante fracasso. O filme teve problemas desde o começo porque sua dupla de produtores começou trabalhando direitinho e depois passou a se odiar. Os dois eram ninguém menos que Harry Saltzman, que produziu filmes de James Bond, e Don Kirshner, que foi o primeiro produtor dos Monkees. Nessa época inicial, problemas com o roteiro, que nunca ficava do jeito que a dupla e o diretor queriam, e problemas maiores ainda com grana (Guest diz nunca ter sido pago pelo filme) melecaram o processo ainda mais. Olivia chegou a afirmar que o filme “pelo menos valeu a experiência”.

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No fim das contas, Toomorrow foi exibido por apenas uma semana em Londres, e ressurgiria anos depois em exibições especiais, além de seu lançamento em DVD. O mais curioso é que o filme teve até uma trilha sonora, lançada pela RCA. Apesar de ser uma trilha, era creditada à banda Toomorrow, que não existia na prática. Esse disco, um não-marco do pop gostosinho, está até no Spotify.

A tal trilha saiu em 1970, junto do não-lançamento do filme, e honrava bem um projeto que, de certa forma, havia começado com a ideia torta de ser um Monkees de luxo da nova década. Don Kirshner atuou como supervisor musical (todo o material foi publicado em sua editora) e tanto as composições das faixas quanto a produção do LP são creditadas ao cantor e compositor Ritchie Adams e ao produtor Mark Barkan. Chegaram a sair mais duas faixas do Toomorrow num single, também de 1970, lançado pela Decca – a capinha do disco anunciava até pôsteres do grupo.

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Cultura Pop

Relembrando o 120 Minutes da MTV em site e clipes

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Relembrando o 120 Minutes da MTV em site e clipes

Tá faltando gente pra fazer isso com os programas de música do Brasil – ok, dá mais trabalho, enfim. Lá fora tem uma turma bastante dedicada a recordar os bons tempos do 120 minutes, programa “de música alternativa” da MTV que misturava novos lançamentos, entrevistas, bate-papos reveladores e apresentadores especiais (gente como Lou Reed e Henry Rollins).

O programa durou de 1986 a 2000 (foi encerrado pelo canal sem alarde) e foi substituído por um programa análogo chamado Subterranean, além de dois retornos à telinha, no canal associado MTV 2. Entre os apresentadores titulares, gente como JJ Jackson, Martha Quinn e Adam Curry. Agora, a lista de músicas que foram lançadas pela atração e que hoje são tidas e havidas como clássicos, assusta. Tem Smells like teen spirit (Nirvana), Under the milky way (The Church), Kool thing (Sonic Youth), Mandinka (Sinead O’Connor), World shut your mouth (Julian Cope), Seattle (Public Image Ltd), Just like heaven (The Cure) e outras, umas mais, outras menos conhecidas.

A novidade é que um sujeito chamado Chris Reynolds subiu no YouTube uma playlist chamada 120 minutes full archive, com supostamente todos os clipes que foram lançados pela atração.

E uma radialista chamada Tyler Marie criou um site que traz tudo (ou quase tudo) sobre o programa: quem apresentou cada edição, os convidados, os clipes que foram apresentados, etc. “A partir de nossa página inicial , você pode navegar por 27 anos de playlists de 120 Minutos da MTV e seu sucessor, Subterranean“, explica ela. “Este projeto começou em 2003 como o site não-oficial do 120 Minutes, quando o programa ainda estava no ar na MTV2. Surgimos com a ideia de postar a playlist toda semana, porque a MTV não o fazia”, completa.

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Aqui no Pop Fantasma, a gente já recordou o dia, em 1986, que Lou Reed foi um dos apresentadores do programa. Só que chegou usando óculos escuros quase cobrindo o rosto todo, falando com voz grave, de cara amarrada, e disposto quase a encher um convidado da atração de porrada – ninguém menos que Mark Josephson, um dos criadores do New Music Seminar, painel de música que serviu de modelo para vários music conferences ao redor do mundo, reunindo bandas, novos artistas, CEOs de gravadoras, gente de mídia, etc. Mas ele também deu uma de fan boy quando entrevistou a iniciante Suzanne Vega e apresentou clipes.

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Cinema

Tangarella: uma pornochanchada com Jô Soares e Paulo Coelho (!)

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A carreira de Jô Soares como ator incluiu um filme que pediu para ser trash e ficou três vezes na fila: Tangarella, a tanga de cristal era uma pornochanchada soft lançada em 1976, dirigida e escrita por Lula Campello Torres, e que tinha o humorista interpretando uma espécie de mordomo trapalhão (Erasmo), meio viciado em participar de concursos, que trabalhava para uma família disfuncional e falida, e que complementava a renda trabalhando como consultor sentimental numa revista.

A grande curiosidade é a participação de ninguém menos que Paulo Coelho (!), naquele que talvez seja seu único papel no cinema, interpretando Avelar, um garotão meio vida-torta. Numa das cenas, Paulo aparece sentadão numa poltrona, lendo um exemplar da revista Vampirella. Por acaso, Cachorro urubu, parceria dele com Raul Seixas, aparece na trilha do filme (na interpretação de Raul no disco Krig ha bandolo, de 1973).

Tangarella: pornochanchada de 1975 com Jô Soares e Paulo Coelho (!)

A tal família esquisita era o prato principal do filme. Lucio Tangarella (Jardel Filho), um marido abusivo, viciado em jogo, violento com a mulher e a filha, Sandra – que assiste a todas as brigas dos pais. Ele fica viúvo e casa-se com Luísa Maria (Lidia Mattos), uma dondoca também viúva, que tem três filhos, Âncora (Regina Torres), Alvorada (Fanny Rose) e o tal Avelar. Sem grana por causa do vício em jogo do marido, Luisa sai em busca de um empregado que não saiba fazer nada direito, para que ela possa pagar bem pouco a ele. Erasmo, que mal consegue carregar objetos sem se atrapalhar, é contratado.

O que a madame não contava era que Lucio desaparecesse e deixasse a esposa com o três filhos, com o mordomo e… com a filha Sandra, já adolescente (e interpretada por Alcione Mazzeo). Ela sofre bullying da família e é tratada como uma criada. Até que surge na história um garotão interiorano, rico e meio outsider, Muniz Palacio (interpretado pelo designer de capas de discos e editor do jornal alternativo Presença, Antonio Henrique Nitzche) e algumas coisas mudam.

Tangarella foi lançado discretamente, em cinemas do Rio e de São Paulo, e foi considerado um filme “leve”, liberado para jovens de 14 anos. É uma produção que dá vontade de socar as paredes de tão trash, mas é um filme bem legal – aliás é uma boa indicação para quem curte ver imagens antigas do Rio de Janeiro, já que aparecem lugares como a Lapa, o Largo da Carioca, o Túnel do Pasmado (mesmo local em que o personagem de Roberto Carlos já havia entrado com um helicóptero no filme Em ritmo de aventura, de 1967) e até o Carnaval carioca (que dá sentido à tal “tanga de cristal” do título).

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Lula Campello Torres é um cineasta sobre o qual há bem pouca informação – na Globo, em 1991, ele escreveu uma minissérie chamada Meu marido, ao lado de Euclydes Marinho, que foi assistente de direção em Tangarella. O filme foi todo montado como se fosse uma espécie de documentário ou novelinha de rádio “com imagens”, já que um narrador (Aloysio Oliveira, dublador de filmes da Disney e criador do selo bossa-nova Elenco) vai explicando toda a história. As aparições do já saudoso Jô Soares são quase sempre de rolar de rir, especialmente quando ele participa de uma maratona de corredores sambistas, ou quando se veste de fada madrinha para ajudar Sandra.

Pega aí antes que tirem do YouTube.

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