O início da carreira de Harrison Ford, no final dos anos 1960, foi marcado por papéis bem pequenos em filmes, aparições mudas e um breve período em que ele foi renomeado como Harrison J. Ford por causa de um “Harrison Ford” que fez fama como ator na época do cinema mudo – e do qual ele nunca tinha ouvido falar.

Nessa época, o futuro Han Solo de Star Wars quase foi o protagonista da estreia americana do cineasta francês Jaques Demy, Model shop (1969, mas foi vetado pelo diretor da Columbia Pictures que achava que Ford “não tinha futuro”), fez um manifestante preso em Zabriskie Point, de Michelangelo Antonioni (1970), mas defendia o pão de cada dia trabalhando como carpinteiro profissional. E em 1968 (olha só) foi um dos câmeras de um filme sobre uma das bandas do momento, The Doors.

A feast of friends, o filme em questão, foi gravado entre abril e setembro de 1968 e seguia os Doors entre palco e camarim, na turnê do grupo daquela época. O show da banda no Hollywood Bowl em junho de 1968, que geraria nos anos 1980 um VHS e um EP ao vivo, também foi gravado pela equipe, mas poucas canções foram aproveitadas na íntegra. Tá inteiro no Dailymotion.

Ford, então trabalhando como carpinteiro, foi convidado a se juntar ao projeto por um amigo que já estava na equipe, Paul Ferrara. Mas não, Ford não virou ator num filme que, basicamente, era estrelado pelos quatro Doors. Ele ajudou a operar as câmeras. Em 4 de maio de 1968, Ford apresentou-se no trabalho e teve uma breve lição de filmagem, à qual compareceram dois integrantes da banda, John Desnsmore (bateria) e Robby Krieger (guitarra).

Ford foi enviado para o Northern California Folk-Rock Festival para filmar a banda. O ator costuma dizer que não sabia nem mexer direito na aparelhagem e que seu trabalho foi rudimentar, mas muito do que ele filmou naquele dia foi aproveitado no corte final de A feast.

“Eu trabalhei em um filme de turnê de The Doors, trabalhamos por cerca de uma semana e meia. Foi uma turnê de concerto. Quando acabou, eu estava a um passo de me juntar a um mosteiro jesuíta. Eu achei legal, achei legal, mas não consegui acompanhar esses caras. Foi demais”, contou no vídeo abaixo, que tem também imagens de Ford trabalhando com a banda e mandando bala na claquete. “Fiz parte da equipe de filmagem, segunda câmera. Eu não acho que nada do que eu fiz ficou em foco. Nem um pouco disso. Aqueles eram os velhos tempos”.

Via Far Out Magazine