Lembra quando Luiz Caldas, um dos inventores do axé, gravou um disco de rock? Bom, em 2009, ele resolveu brindar os antigos fãs com 130 (!) músicas novas, divididas em dez discos, cada um com um estilo próprio: rock, axé, samba, música extremamente popular e até um disco cantado em tupi-guarani. O de rock era um disco chamado Castelo de gelo, e a música Maldição, na qual Luiz aparecia fazendo vocal gutural, ganhou até clipe.

“Vou fazer 50 anos, não tenho essa frescura de ir atrás de 15 minutos de fama. Mas eu adoro esse tipo de susto que meu nome causa. Toquei axé no (programa do) Silvio Santos com uma camisa do (grupo de thrash metal) Kreator, os metaleiros não entenderam nada”, disse em entrevista ao Globo na época.

A ideia dos discos, contou ele em outro papo, veio de uma conversa com um jornalista chamado Cesar Rasec, amigo dele. E foi inspirada (olha só) num disco de um ex-beatle. “Ele (Cesar) me disse: ‘Rapaz, porque você não faz algo diferente? Você tem estúdio, toca vários tipos de música, do popular ao erudito, porque você não faz algo diferente?’. Aí a gente começou a pensar no que poderia ser diferente. Um álbum duplo? Todo mundo já fez isso. Fazer três discos? Aí a gente pesquisando descobriu que o George Harrison quando saiu dos Beatles fez um disco triplo (All things must pass). Aí decidimos fazer cinco discos com os cinco ritmos que eu mais gostava”, contou.

Mas enfim, esse post foi escrito só para mostrar aos leitores do POP FANTASMA que Luiz Caldas, muitos anos antes de gravar um disco de rock, gravou uma versão em português de nada menos que… Year of the cat, do cantor e compositor britânico Al Stewart, que virou É o que a gente quer. Saiu em 1990 num disco chamado Nós.

Pega o original (que tem mais de seis minutos) aí.

E se você chegou até aqui, pega aí Luiz Caldas mandando bala num lado-B do Nirvana, Even is his youth, em 2012 no Teatro Rival, no Rio. Tem até percussão.