Maynard James Keenan é um músico e compositor norte-americano que, entre outros aspectos pitorescos, é recluso, tem fama de maluco, detesta ser uma pessoa pública, tem sua própria fabricação de vinhos e já treinou jiu-jitsu com os Gracie. Esse sujeito é um dos grandes nomes do metal-cabeça dos anos 1990 e manteve projetos como Puscifer e A Perfect Circle. E principalmente, é o criador do Tool, que fez sucesso há duas décadas com músicas como Sober e vai voltar no dia 30 de agosto com um novo disco – o primeiro lançado em treze anos.

A novidade é que, perto de lançar o novo disco (que vai ser só o quinto da banda), surgiu em algumas plataformas digitais (como YouTube e Apple Music – o Spotify ficou de fora) a mitológica primeira demo da banda, a 72826, de 1991. As músicas foram depois lançadas nos primeiros discos do Tool e, aqui, aparecem com uma qualidade primária de som. Pega aí.

O Tool fizera a demo para mandar para as gravadoras, mas gostou tanto do resultado que resolveu vender as cópias da fitinha por conta própria. Pouco depois de 72826, uma troca de guarda geral no mainstream do rock fez com que estilos como grunge e metal alternativo virassem apostas de gravadora. O Tool foi contratado pelo selo Zoo Entertainment e soltou o EP Opiate. Começaram a abrir shows para bandas como Corrosion of Conformity, Fishbone e Rollins Band.

Undertow, o primeiro disco, saiu em 1993 e, além do próprio som do Tool, revelou o trabalho da produtora Sylvia Massy, que depois produziu bandas como System of a Down e Slayer. E, naquele momento, estava tão animada com o trabalho no disco do Tool que abriu mão de produzir um disco do Prince (!) para cuidar da estreia de Maynard e seus amigos. Sylvia revelou num papo publicado no site do Grammy que ajudou a resolver dilemas nas composições, deu a ideia de aproveitar as respiradas do líder Maynard e convenceu a banda a comprar dois pianos, que seriam destruídos com martelos e uma espingarda. O som dessa zona no estúdio, você escuta na faixa abaixo.

Foto: Markus Felix/Wikipedia