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Cinema

O Exorcista II: quando o coisa-ruim não meteu medo em ninguém

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O Exorcista II: quando o coisa-ruim não meteu medo em ninguém

William Friedkin, diretor do O exorcista original (1973), não quis saber de envolvimento com uma sequência do filme e particularmente não acreditava que aquilo poderia dar certo. O autor do livro que deu origem ao filme, William Peter Blatty, muito menos. Acabou que O exorcista II: O herege saiu em 1977, contando uma história baseada nos personagens do filme anterior, e repetindo apenas alguns atores, como Linda Blair e Max von Sydow. E foi dirigido por John Boorman.

O Pazuzu, demônio que tomou conta da garota Regan MacNeil (Linda) – e cujo nome virou recentemente apelido amigável do nosso ex-ministro da saúde – dessa vez não meteu medo em todo o mundo, não: tem uma turma enorme que considera O exorcista II o maior abacaxi e um dos piores filmes já feitos. Na época, Regan estava internada numa clínica e era atendida por um psiquiatra, a quem costumava dizer que não tinha lembranças do exorcismo do filme anterior. O Padre Lamont (Max) resolve ir lá para ver o que está pegando.

Daí para a frente, a história segue num ritmo bem mais louco e menos amedrontador que no primeiro filme, envolvendo viagens ao passado, idas à África e outros temas. O filme está disponível no YouTube para aluguel ou compra e tem uns trechinhos espalhados aqui e ali. A novidade é que dessa vez, ninguém menos que Ennio Morricone fez a trilha sonora do filme. Olha aí o tema que ele fez para o coisa-ruim.

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Alguém jogou a trilha inteira no YouTube tirada do vinil, pega aí.

John Boorman, o diretor que acabou tomando conta do filme, tinha sido considerado para O exorcista de 1973, mas não topou porque (olha!) não queria se envolver com aquele tipo de assunto. Chegou a afirmar que ficaria feliz se o filme não fosse feito. Boorman, que vinha de produções como a ficção científica Zardoz (1974), com Sean Connery, topou dirigir o II, mas não ficou nem um pouco feliz com o roteiro feito por Michael Goodhart, que tentou criar uma história bem mais, er, filosófica que o original.

Fontes indicam que Boorman detestou o texto de Goodhart e tentou cair fora mas foi obrigado pela Warner a ficar. Restou ao diretor reescrever boa parte do roteiro, que passou a ser feito em dupla e foi modificado diversas vezes.

“Para mim, O exorcista era um filme sobre a tortura de uma criança, e não gostei disso. Quando eles me pediram para fazer a sequência, eles me deram carta branca. Então eu tolamente decidi fazer, não uma sequência, mas uma espécie de resposta”, contou aqui o diretor, que ouviu uma saraivada de reclamações de Friedkin e de fãs do primeiro filme (que atiraram coisas na tela!). “Depois de The heretic eu não trabalhei por um tempo. Levei um tempo para me recuperar e esperar que as pessoas esquecessem”, afirmou.

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Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

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Aquela vez em que fizeram um documentário sobre Karen Carpenter com bonecas Barbie

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Aquela vez em que fizeram um documentário sobre Karen Carpenter com bonecas Barbie

“O problema nunca foi a Mattel, sempre foi Richard Carpenter”, vociferou certa vez o diretor Todd Haynes, quando perguntado sobre seu documentário Superstar: The Karen Carpenter story, feito em 1987, e que usava bonecas Barbie e Ken (da empresa de brinquedos Mattel) em todas as encenações dramáticas, até mesmo na morte da cantora por anorexia (ocorrida em 1983).

Todd, que lança na Apple TV em outubro o documentário The Velvet Underground, sobre a banda americana, lembrou numa entrevista que o filme deixou o irmão de Karen Carpenter muito zangado. Por razões familiares, afetivas e pessoais, segundo o cineasta.

“Se você já o ouviu dar entrevistas ou falar sobre Karen Carpenter, nota que há muita raiva lá, e ressentimento. Acho que ele está zangado porque ela morreu e levou a carreira dele junto, quando Richard pensava que sempre tinha sido o talento da dupla, o que gerou tudo”, disse Todd, ele mesmo bem puto da vida com o músico.

O filme também insinuou que Richard fosse homossexual, o que – numa era em que além da homofobia, havia muito desconhecimento e bem menos sensibilidade – provavelmente deixou o cantor bastante irritado, até porque publicamente ele nunca havia tratado do assunto. Superstar o exibiu também como um personagem bastante manipulador. Em “troca”, Richard proibiu que o filme utilizasse qualquer música dele e do grupo, claro.

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O filme, realizado quando Todd estava concluindo seu mestrado em Bard College, sequer tem uma duração longa: são apenas 43 minutos. E, diz um texto do The Guardian, parecia ter sido feito para a internet mesmo antes dela ganhar acesso público, já que sua linguagem influenciou vários canais do YouTube.

Todd falou do filme no vídeo abaixo, entre outros assuntos. O cineasta diz que uma das coisas mais interessantes do filme é que ele parece algo feito a mão, meio infantil, “até pela sensação que ele dá de brincar com bonecas”. Mas que quando as pessoas vão assisti-lo, veem que não se trata de uma piada com a dupla e que a história é bastante séria e pesada. Sim: em vários momentos, o filme de Todd chega a lembrar alguma maluquice de Kenneth Anger, como o bizarro Mouse heaven. E o material é bem claro: Karen passava por momentos de abuso, a máquina do showbusiness era cruel e ela precisava muito de ajuda.

E, bom, o filme está no YouTube já há um tempinho, após entrar e sair outras vezes.

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Lembra da fase rocker de Mae West?

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Lembra da fase rocker de Mae West?

Famosa como atriz, como celebridade de Hollywood e como cantora, Mae West ficou dez anos sem gravar. Aliás, ficou mais tempo ainda afastada do cinema. Foram quase trinta anos, voltando apenas em 1970 num filme que resultou num fracasso de bilheteria e numa recepção mais humilhante ainda da crítica, Myra Breckinridge, com Raquel Welch no papel principal (opa, você já leu sobre esse filme aqui no Pop Fantasma).

O que muita gente não esperava é que Mae – cujo primeiro álbum, The fabulous Mae West (1956), tinha basicamente grandes clássicos da canção norte-americana – retornasse em formato rock and roll no fim dos anos 1960. E depois retomasse o estilo em 1970. Olha aí o segundo disco da cantora e atriz, Way out west, formado por clássicos do pop, do soul e do rock. No álbum, lançado em 1966, a estrela era acompanhada por uma banda chamada Somebody’s Chyldren, formada por quatro cabeludos – enfim, por quatro garotos com cabelo crescendo pouco acima das orelhas.

Olha ela cantando If you’ve gotta go, go now, de Bob Dylan.

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Day tripper, dos Beatles, ficou bem legal na voz dela.

Olha que rock de garagem perfeito a versão dela para Shakin all over, de Johnny Kidd, que fazia parte também do repertório do The Who (e de mais uma porrada de bandas)

Hoje em dia, o mundo está acostumadíssimo com roqueiros de 60, 70, 80 anos – evidente, já que o próprio estilo musical tem mais de sete décadas. Na época em que gravou Way out west, Mae West tinha 72 anos e isso causou certo escândalo – afinal, era uma senhora, grande dama de Hollywood, voltando com um disco de rock de garagem. Seja como for, foi uma grande surpresa: o disco chegou à posição de 116 no Hot 200 da Billboard e Mae se tornou a mulher mais idosa a atingir a parada. Além disso, Mae West curtiu mesmo cantar rock. Olha aí o terceiro disco dela, lançado em novembro de 1966, Wild Christmas.

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Wild Christmas era quase um mini-álbum, com oito músicas e pouca duração (só 22 minutos e uns quebrados). Cinco das faixas tinham “Papai Noel” no título, sendo que duas delas haviam sido gravadas por Elvis Presley, Santa Claus is back in town e Santa bring my baby back (To me).

Quem produziu esses dois discos de Mae foi um jovem músico e produtor chamado David Mallet – um inglês que anos depois viraria diretor de clipes e faria vídeos como Bicycle race (Queen), Hangin on the telephone (Blondie) e nada menos que Ashes to ashes (David Bowie), entre vários outros. Mallet na época era um garotão roqueiro de 20 e poucos anos que estava dando lições de guitarra à estrela de Hollywood, e Mae já tinha até seu próprio instrumento, como diz essa matéria do The Sun Herald, de 3 de julho de 1966. “Desde que descobriu o rock, ela tem deixado a estação de rádio local de Hollywood em explosão total”, diz o texto.

O mergulho de West no rock deu certo, tanto que ainda teve um terceiro disco – só que Great balls of fire saiu um pouco atrasado. Foi gravado em 1968 e saiu só em 1970, por uma gravadora bacana, a MGM Records. Ao contrário dos dois primeiros, este disco foi produzido por Ian Whitcomb, compositor, produtor e escritor inglês. Não fez sucesso e não chegou às paradas, mas tem uma versão curiosíssima (e boa demais) de Light my fire, dos Doors.

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E teve, claro, o sucesso gravado por Jerry Lee Lewis, que virou faixa-título disco e foi gravado por ela.

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Molly Ringwald em telefilme de 1998

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Molly Ringwald em telefilme de 1998

Os anos 1990 provocaram várias mudanças na vida de Molly Ringwald, um dos rostos mais populares do cinema da década anterior. A atriz fez um teste para o papel principal de nada menos que Ghost – mas o trabalho acabou mesmo foi com Demi Moore, como se sabe. Também houve uma lenda que rolou por anos, a de que Molly recusara o papel principal de Uma linda mulher – que, impossível não saber, foi parar nas mãos de Julia Roberts.

Bom há nove anos, Molly resolveu reaparecer num fórum do Reddit (usando uma foto atual para comprovar que era ela própria) e disse que não se recordava especificamente de ter recusado o papel. Falou apenas que leu um rascunho do roteiro – na memória dela, o filme tinha o working title de $3.000 – e que “o roteiro era bom, mas Julia Roberts é o que faz esse filme. Era a hora dela. Todo ator espera por um papel que os deixe brilhar assim”, contou.

O tal bate-papo com os fãs, por sinal, surgiu numa época em que o DVD dominava o mercado, vários filmes dos anos 1980 tinham já sido lançados no formato, e ninguém nem imaginava que iria aparecer um bando de malucos defendendo que fitas K7 e VHS são um item cool, bacana, descolado e saudosista. Ok, todo mundo já sabia há anos como se baixava filmes, o que ajudava.

Molly aproveitou para divulgar que falava um pouco de francês (humildade dela, já que Molly estudara no Lycée Français de Los Angeles e era fluente no idioma), que tinha três filhos e havia acabado de criar uma conta no Twitter. Também respondeu outras dúvidas dos fãs. Molly esclareceu, por exemplo, que houve uma rusga na filmagem de Clube dos cinco envolvendo ela, o diretor John Hughes e o ator Judd Nelson (que no filme interpretava o rebelde John Bender).

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“Acho que Judd estava fazendo o ator metódico durante os ensaios. Ele estava vestindo as roupas do Bender e tentando me irritar. Eu estava bem, mas John Hughes era muito protetor comigo”, contou. Outra pessoa perguntou a Molly como ela conseguia ficar mais sexy com a idade. “Eu bebo o sangue de Kristen Stewart”, brincou ela. Molly,  pouco antes disso, em 2008, declarara ao Los Angeles Times que seu visual vintage – modelo para várias garotas durante os anos 1980 – tinha uma explicação nada cool, bacana e descolada. “Eu usava aquele vintage todo porque meus pais me mantinham com mesada, então comprava roupas na Melrose (rede norte-americana de roupas com preços acessíveis, especializada em moda feminina durante os anos 1970 e 1980). Meu estilo era baseado na necessidade”, contou.

Molly pode não ter tido a mesma presença dos anos 1980 mas continuou fazendo filmes – esteve até nos filmes da sequência A barraca do beijo, bem recentemente. Também desenvolveu carreiras paralelas como escritora, tradutora e até cantora (lançou um disco de jazz em 2013, Except sometimes, e bem poderia ter aparecido no nosso podcast sobre não-cantores que cantam). Mas essa introdução enorme é só para avisar que recentemente subiram um item bem curioso da carreira de Molly no YouTube: um telefilme que ela fez em 1998 chamado Twice upon a time.

Segundo o reddit Obscure Media, a comédia (exibida originalmente pelo canal Lifetime) “não estava em lugar algum da internet”, até que foi subido há poucos dias. Na história, Molly interpreta uma moça que entra num universo paralelo, onde divide os dias com uma velha paixão de vários anos. Robert Ringwald, pianista de jazz e pai de Molly, faz uma ponta.

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