No finalzinho dos anos 1980, uma imagem que parecia fortíssima na cabeça dos fãs do Kraftwerk desapareceu. O grupo de música eletrônica vinha se mantendo desde 1975 com a mesma formação (Ralf Hutter, Florian Schneider, Wolfgang Flur e Karl Bartos). Já não era o primeiro line-up, mas marcou muitos fãs. E em 1989, rolou a primeira baixa nessa turma.

Wolfgang já vinha ficando descontente com o grupo desde o comecinho dos anos 1980 – chegou a declarar que Electric cafe, disco de 1987, foi um “café frio pra mim”. Foi saindo da banda aos poucos, até que não apareceu mais no estúdio para trabalhar e, na lógica do Kraftwerk, isso teria sido entendido como o fim da parceria. O grupo pôs Fritz Hilpert em seu lugar em 1990 e ele está lá até hoje.

Enquanto o Brasil se divertia com as aventuras de Juma Marruá em Pantanal (1990), o Kraftwerk caía na estrada com sua maior turnê desde a do disco Computer world (1981). Com outra diferença na formação: Karl Bartos decidiu sair da banda (aparentemente por já estar cansado do perfeccionismo de Hutter e Schneider) e foi substituído por um músico português, Fernando Abrantes.

Fernando, que estudara música e eletrônica em Düsseldorf, havia tido seus namoros com a cena eurodance – foi tecladista de ninguém menos que Sandra, a cantora alemã que fez sucesso em 1985 com o hit (I’ll never be) Maria Madalena. O músico não ficou muito tempo no Kraftwerk e acabou fazendo apenas poucos shows da turnê do disco de remixes The mix (de 1991, com ele e Hilpert nos créditos). Tudo no Kraftwerk é envolto em mistério, mas a biografia Publikation, de David Buckley, diz que os líderes da banda não curtiam muito o estilo mais animado do músico no palco – enquanto Florian e Ralf preferiam insistir na imagem de homens-robô.

E daí que, na divulgação de The mix, rolavam alguns programas de TV. Entre eles, um curioso game show alemão no qual o Kraftwerk não apenas participou como também exibiu o controle dos robôs eletrônicos no palco por intermédio de laptops, na música The robots. No vídeo, dá pra ver que Fernando chegou a ganhar um boneco com seu rosto (foto acima). Ralf e Florian, líderes da banda, não estão apenas sérios: parecem estar putos da vida com alguma coisa, durante o comando dos robôs.

Via Death Disco Machine

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