Poderia morrer sem saber disso: saiu ano passado um documentário sobre o grupo sueco de grindcore Nasum. É Blasting shit to bits – The final show, que documenta o show de retorno da banda, em comemoração ao seu vigésimo aniversário, em 2012. Ninguém lembrou de colocá-lo ainda na Netflix, o YouTube não tem ainda o filme inteiro disponível, e para ver, só recorrendo aos torrents da vida. O trailer tá aí embaixo.

O Nasum, uma das bandas mais formidáveis e bem-sucedidas da cena grindcore sueca, tinha retornado apenas para essa turnê, anunciada na finaleira de 2011. Nos vocais, como convidado especial, Keijo Niinimaa, vocalista do Rotten Sound. A banda havia acabado em 2005, após a confirmação da morte do vocalista Mieszko Talarczyk, que desaparecera durante o tsunami no Oceano Índico, em 26 de dezembro de 2004. O cantor deu o azar de estar de férias na Tailândia naquele momento, e acabou sendo vítima. Sua namorada, que estava com ele, se machucou seriamente no tsunami mas não morreu.

Por ironia do destino, um dos maiores hits do Nasum era Inhale/Exhale (“inspire/expire”), também música-título de seu primeiro disco, de 1998. Na época, toda a barulheira do grupo era feita por dois caras: Mieszko no vocal, na guitarra e no baixo, e Anders Jakobson na bateria. Até hoje, é a música mais ouvida da banda no Spotify.

Apesar de ter gravado demos logo após sua formação e de ter uma série de EPs e split singles (um deles gravado com o Agathocles), o Nasum até que tem uma discografia curta e compacta. São quatro álbuns, a maior parte deles lançada pelo selo Relapse, especializado em som pesado. O grupo tinha começado inspirado pelo grindcore politizado do Napalm Death e chegou a cruzar caminhos com a banda britânica algumas vezes. Abriu shows deles e até contou com uma participação do baixista do Napalm, Shane Embury, no disco Helvete, de 2003. Também gravou músicas deles.

O Nasum não existe mais. Mas mantém seu site na ativa, com direito a vídeos, informações sobre turnês antigas e até uma biografia detalhada do grupo. Por lá você fica sabendo de todas as formações da banda – o Nasum, como é comum em cenas derivadas do punk e do hardcore, teve entra-e-sai considerável de integrantes até seu término. Tem ainda uma página em memória do vocalista, com depoimentos de amigos e entrevistas.

E em breve vai sair A brazilian tribute to Nasum, um disco cujo cast já está definido desde o ano passado, e que tem só bandas brasileiras tocando sons deles. Olha a capa aí.

Lançaram um filme sobre a última turnê do Nasum

Tem uma ou outra coisa já pronta pro disco. Olha a banda curitibana de goregrind CrotchRot mandando bala em Detonator. O grupo tem mulheres no baixo, na guitarra e na bateria, por sinal.