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Cultura Pop

Greg Norton (Hüsker Dü, Porcupine) exclusivo para o POP FANTASMA

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Greg Norton (Hüsker Dü, Porcupine) exclusivo para o POP FANTASMA

Fato: se houvesse um Hall da Fama do punk rock, Greg Norton obrigatoriamente estaria nele. Junto com seus brilhantes comparsas Bob Mould e Grant Hart, Greg montou o Hüsker Dü, uma das bandas mais importantes e seminais que o hardcore já teve o prazer de presenciar e que foi uma espécie de marco zero para todo cenário alternativo que veio a seguir.

Com suas inconfundíveis e criativas linhas de baixo e também com seu bigodão no melhor estilo Super Mario Bros., Greg Norton, desde 2016, passou a integrar também a excelente porém ainda pouco conhecida banda Porcupine. Com esse currículo, já estava na hora de algum site brasileiro entrevistá-lo e é com muito orgulho que nós do POP FANTASMA viemos dizer que tivemos essa honra. Senhoras e senhores, com vocês em sua primeira entrevista para o Brasil, o homem, o ícone, Greg Norton!

https://www.instagram.com/p/Bx209IvHS_O/

POP FANTASMA: Oi, Greg! Primeiro de tudo, permita-me dizer que estou muito feliz por entrevistá-lo; sou seu fã e Hüsker Dü é uma das minhas bandas favoritas! Primeiramente eu gostaria de perguntar sobre sua nova banda Porcupine. Imagino que você deve ouvir comparações constantes entre ela e o Hüsker Dü. Como você lida com isso?
GREG NORTON: Acho que a comparação é só pelo fato de ambas as bandas serem trios. O som que o Porcupine faz é bem diferente do que o que o Hüsker Dü fazia.

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Você provavelmente devia receber convites diariamente para entrar em novas bandas. O que te fez dizer “Sim” para o Porcupine? Eu já era fã do Porcupine há alguns anos e sempre achei que Casey Virock (cantor e guitarrista) é um compositor diferenciado.

Você também teve um restaurante durante um tempo. Quais são as semelhanças entre ser um chef de cozinha/empresário e ser um músico administrando uma banda? Em ambos os casos você tem que trabalhar muito em um período curto de tempo. E também ambas as profissões são quentes, suarentas e funcionam em alto volume!

Hüsker Dü é de Minneapolis, que também é a terra natal do Prince. Vocês iniciaram a carreira praticamente ao mesmo tempo. Chegaram a se conhecer ou pelo menos assistir o Prince no início da carreira? A casa noturna First Avenue foi o marco inicial para ambas as cenas. Nunca falei pessoalmente com o Prince, mas ele estava sempre por lá!

Sou um grande fã do seu projeto paralelo Gang Font, por isso preciso perguntar: Há alguma chance de um segundo álbum? Na verdade nós gravamos um segundo álbum, em julho de 2010, mas ele ainda permanece inédito. Espero conseguir lançá-lo no ano que vem!

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Dá para perceber pelo seu perfil do Facebook que você é muito devotado à sua família. Como é conciliar seu lado pai e marido com a vida em turnê? Muito difícil. É complicado estar longe, não apenas pela ausência, mas também por você não estar lá quando eles precisam.

Qual a sua opinião sobre Sugar e Nova Mob, bandas que Bob Mould e Grant Hart montaram após o fim do Hüsker Dü? O Sugar fez sucesso, mas sinceramente eu não achava nada de original ali. Prefiro os trabalhos solos do Bob. Já o Nova Mob eu gostava muito, essa sim merecia ter tido mais sucesso do que teve.

Pouco antes de Grant Hart falecer, rolaram boatos sobre um possível retorno do Hüsker Dü aos palcos. Vocês chegaram a cogitar essa possibilidade? E falando no Grant Hart, vocês mantinham contato? Não, nunca houve nenhuma conversa desse tipo. Sim, fomos amigos até o fim.

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Qual a sua opinião sobre a livre troca de arquivos em MP3 na internet? Você acha que pode ser um problema para você e/ou sua gravadora? Ou a internet é uma aliada? Artistas precisam receber por seus trabalhos. As pessoas precisam se conscientizar disso e parar de achar que tudo deve ser de graça. Se você baixa MP3 gratuitamente, então pelo menos dê algum outro tipo de suporte e vá aos shows, compre o merchandising, etc. Artistas não vivem de brisa, precisam ser pagos.

Por que o Hüsker Dü gravou Love is all around, tema da série Mary Tyler Moore? É porque a série se passava em Minneapolis, portanto começamos a tocar essa música no bis, como forma de homenagear nossa terra natal.

O que você conhece de música brasileira? Alguma chance de o Porcupine fazer uma turnê pelo Brasil? Pra ser franco, não conheço muito… Honestamente, tocar no Brasil seria maravilhoso, mas não temos planos de sair em turnê a curto prazo.

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Deixe uma mensagem final para os fãs brasileiros. Tanto vocês como nós vivemos tempos obscuros, portanto ergam suas vozes e RESISTAM!

BATE BOLA JOGO RÁPIDO:
Cor favorita: Roxo
Comida favorita: são muitas para citar aqui
Filme favorito: Blade Runner
Esporte favorito: Futebol Americano
Baixistas favoritos: Também são muitos para citar aqui
Prefere estúdio ou tocar ao vivo? Tocar ao vivo
Coisas que gosto: Diversidade, ciência e pessoas de mente aberta
Coisas que odeio: Racistas e xenófobos
Prefere cães ou gatos? Cães

Veja também no POP FANTASMA:
– Dez músicas para todo mundo concluir que Grant Hart era o cara
First Avenue: imagens raras do rock de Minneapolis
– O Hüsker Dü e o começo do rock alternativo
Hüsker Dü lança Zen Arcade em Nova Jersey, em 1984
Por onde anda o Hüsker Dü?
– Hüsker Dü, conforme anunciado no rádio e na TV
– Therapy?: Andy Cairns exclusivo para o POP FANTASMA
– A banda favorita de Deus é a God’s Favorite Band (jura?)

Cultura Pop

In Search Of The: os 13 discos (!) lançados por Buckethead de uma só vez

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Enquanto ainda era um guitarrista misterioso que tocava no Guns N’Roses, Buckethead (Brian Patrick Carroll, seu nome verdadeiro) mantinha uma carreira repleta de lançamentos experimentais, malucos e/ou esquisitos mesmo.

Os discos que ele lançava não tinham nada a ver com seu emprego principal, como guitarrista de uma das bandas de hard rock mais bem sucedidas de todos os tempos. Sua discografia até então incluía álbuns como a estreia solo Bucketheadland (1992, gravado pelo selo do malucão John Zorn, com vários samples de seriados japoneses), Monsters and robots (1999, com funk rock de vanguarda, e várias faixas feitas em parceria com Les Claypool, do Primus) e Bermuda Triangle (2002, uma “fantasia instrumental underground hip-hop/electro-funk”, produzida pelo DJ americano Extrakd). Alguns desses álbuns você encontra de boa nas plataformas digitais. Outros, nem sequer passaram perto delas.

Enquanto lançava trabalhos entre o experimental e o “peraí, isso aqui precisa de alguém produzindo” (como o DVDs Young Buckethead volumes 1 e 2), o guitarrista também tinha músicas lançadas na trilha do game Guitar hero II (Jordan saiu como faixa bônus) e começava um projeto com o baixista Bootsy Collins (Parliament, Funkadelic) e o baterista Bryan “Brain” Mantia (Primus, Guns N’Roses), o Science Faxtion.

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E em 21 de fevereiro de 2007, o experimentalismo do músico chegou num limite que… Bem, só vendo e ouvindo. In search of the, que saiu nesse dia, poderia ter sido apenas o décimo-nono (!) disco de Buckethead – ele gravava aos borbotões. Era mais do que isso: o guitarrista do Guns decidiu lançar um conjunto de treze discos, feitos quase que de maneira automática. Os tais treze discos foram queimados pelo próprio Buckethead em seu computador (sim, eram CD-Rs).

As capas dos discos eram todas desenhadas à mão – enfim, o que o músico tivesse feito ali valia como capa. Só para deixar claro: Buckethead desenhou cada capa de cada cópia de cada disco, à mão. Foram 12.987 CDs queimados manualmente, e ele foi fazendo isso em cada um deles. Não haveria dois conjuntos iguais de discos, por causa disso. O último CD da série tinha uma faixa só, de 45 minutos.

Um outro detalhe é que as músicas não têm título, apesar dos integrantes de um fórum de fãs do músico terem criado nomes para as faixas, baseados no que rolava no som. Daí surgiram coisas como Pollywogs dançando em uma colcha de rostos e Matança sonora. O próprio Buckethead lançou o projeto de forma independentaça e vendia tudo pela internet, direto para os fãs.

A novidade é que alguém pegou todas as faixas de In search of the e jogou tudo no YouTube. Pega aí uma playlist com tudo.

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Tem mais um detalhe: cada um dos treze volumes tem como título uma letra, do “i” ao “e” de In search of the. A ideia original do músico era que, na verdade, fossem caixas de treze CDs (!) que, uma vez unidas, formassem a frase In search of the disembodied sounds (Em busca dos sons desincorporados). Ele desistiu de gravar tantas músicas e largou parte do título, claro.

De lá para cá, Buckethead saiu do Guns N’Roses (a banda, você deve saber, voltou a quase ser como era antes). Mas já gravou mais vários outros álbuns, e iniciou o projeto de Pike series, mini-álbuns com duração de no máximo 30 minutos, gravados desde 2011. De lá para cá foram 294 (!). Também vem tratando da saúde.

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Cultura Pop

Aquela vez em que David Bowie lançou um game chamado Omikron (!)

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O episódio 20 do nosso podcast POP FANTASMA DOCUMENTO detalha como David Bowie, considerado por muita gente boa como “o homem que viu o futuro”, chegou até o século 21 – a época em que ele gravou discos como Heathen (2001). O que ninguém esperava, pelo menos nos dia de hoje, é que no fim do século passado, Bowie lançasse um videogame – o único de sua carreira – com um nome que muita gente está ouvindo direto nos dias de hoje.

Omikron: The nomad soul saiu em 1999 pela então novata Quantic Dream, criada por (e mantida até hoje por) David Cage. Não era um game sobre vírus atacando populações ou coisa parecida. Bowie e sua mulher Iman dublaram personagens no jogo, que falava sobre uma cidade chamada Omikron, comandada por um ditador. Tudo começa a ruir quando aparece um investigador chamado Kay’l 669, que pede ao jogador para assumir seu papel, e ajudá-lo a investigar uma série de assassinatos. Dai para a frente, até demônios aparecem na história.

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O personagem dublado por Bowie é uma espécie de história virtual dentro do ambiente virtual – um revolucionário chamado Boz, que só existe dentro dos computadores de Omikron. Ele também interpreta um cantor de uma banda iniciante, The Dreamers, que canta as músicas que o artista fez para o jogo. As músicas do game foram todas feitas por Bowie e pelo guitarrista Reeves Gabrels, e apareceriam no disco Hours (1999). Era uma novidade, porque as produtoras de games suavam muito para licenciar canções famosas, e lá estava David Bowie compondo músicas exclusivas para o jogo. Houve comentários sobre um possível disco instrumental de Omikron, que acabou não sendo feito.

Olha os cinco minutos de aparição de Bowie no jogo.

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“Para o papel de Boz, conversamos muito sobre o papel proativo que esse personagem tinha, de onde ele veio, o que buscava e David fez o resto”, disse Cage para o Le Monde. “Eu realmente dirigi muito pouco no estúdio porque não era necessário”. O promo do jogo, com algumas aparições do cantor, segue aí.

Olha aí Bowie e Gabrels na coletiva de lançamento do game, em 1999. O cantor diz que teve interesse especial pelo desafio de fazer música para um game, e que ele e o amigo haviam feito músicas para filmes durante vários anos. Bowie também chegou a admitir no papo que nunca foi um grande fã de games, e que seu filho Duncan, hoje cineasta, curtia jogar.

No Le Monde, Cage disse que ele, Bowie e Gabrels, para compor a trilha, ficaram trancados em um apartamento em Paris por um mês, e se viam quase todos os dias, para trabalhar.

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“O trabalho musical foi muito particular sobre este projeto: ficamos trancados em um apartamento em Paris com ele e um de seus músicos, Reeves Gabrels, por um mês quase todos os dias”, contou Cage. “Trouxe todos os designs do jogo, o roteiro, minhas anotações espalhadas pelo apartamento. Durante várias horas por dia, contava a ele a história momento a momento, víamos as imagens juntos, conversávamos sobre o universo, a história deste mundo, e depois que eu saía, ele ficava trabalhando na música”, disse ao Le Monde. A Quantic Dream é definida pelo jornalista de games Thomas Wilde como um estúdio que fez “alguns dos jogos mais estranhos das próximas gerações” e que adora “narrativa, nudez e, francamente, pretensão incrível”. A empresa já esteve sob investigação, acusada de condutas tóxicas, racistas e sexistas – em abril de 2021, a QD foi inocentada. Pars

Mais um trecho do jogo, com a música New angels of promise.

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E uma curiosidade para games fãs de Bowie é que o jogo ainda está à venda pelo Steam. Testa aí e conta para a gente!

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Cultura Pop

Adult Themes For Voice, de Mike Patton, fez 25 anos! (e em abril)

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Adult Themes For Voice, de Mike Patton, fez 35 anos! (e em abril)

Adult themes for voice, a estreia solo (100% solo, inclusive) de Mike Patton, vocalista do Faith No More, não está nas plataformas digitais. Você consegue encontrar o disco, com várias faixas faltando, para ouvir numa playlist do YouTube. O álbum comemorou silenciosamente 25 anos em 2021 (saiu em 23 de abril de 1996). Em lojas virtuais, ele pode ser encontrado em pequenas quantidades ou em MP3.

Quem se dispuser a tirar 43 minutos do seu dia para ouvir, vai descobrir, mais do que um disco experimental, o equivalente musical da frase “quem tem limite é município”. Enquanto divulgava King for a day… Fool for a lifetime, quinto disco do Faith No More, Mike Patton trancava-se nos quartos de hotel – no meio das excursões do grupo – e gravava tudo de Adult themes usando apenas um gravador TASCAM de quatro canais. Fez tudo sozinho mesmo, até porque não precisava mais do que o próprio Mike para fazer tudo: o álbum consiste em gritos, peidos, arrotos, barulhos de raspagem e ruídos estranhos e aleatórios.

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Patton disse que boa parte do disco vinha de lembranças de infância, já que ele aprendeu a cantar fazendo sons não-verbais, e quando era uma criança, ganhou de seus pais um flexidisc com “sons de boca, de uns caras que podiam fazer sons estranhos. Não sei porque me deram, mas era um dos meus discos favoritos”. Na época, rolou certo ruído a respeito do disco, mas era um lançamento underground demais até para os fãs do Mr. Bungle, a banda que Mike mantinha paralela ao Faith No More. Numa loja virtual, um fã do disco define: “É uma ótima ‘música’ para encerrar uma festa que está ficando longa demais. Não é perfeito, mas não enfadonho”, escreveu.

Seja como for, mais interessante até do que a estreia solo do cantor, era o selo que havia lançado o álbum: o Tzadik, gravadora experimental “sem fins lucrativos” do músico John Zorn.

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A Tzadik existe até hoje e se apresenta em seu site oficial como “uma gravadora dedicada a lançar o melhor em música experimental e música de vanguarda” e “uma comunidade mundial de músicos que encontram muita dificuldade ou até mesmo impossibilidade de lançarem seus trabalhos pelos canais convencionais”. Recentemente o próprio Zorn lançou pela sua gravadora a caixa de 4 CDs Bagatelles, com quatro formações diferentes (do jazz ao noise rock) tocando 300 canções compostas por ele.

No catálogo, a gravadora tem até mesmo pins para crianças (feitos pelo designer oficial do selo, Heung-Heung Chin), além do próprio Adult themes e do disco seguinte de Patton, Pranzo oltranzista  (1997), só com faixas com títulos em italiano, inspiradas no livro Futurist cookbook, de Filippo Tommaso Marinetti, e que basicamente falavam sobre comida – havia temas como Carne cruda squarciata dal suono di sassofono (“carne crua rasgada por som de saxofone”), Bombe a mano (“granadas de mão”) e Scoppioingola (“explosão na garganta”). Dessa vez, Patton convocou um grupo que incluía músicos como Mark Ribot (guitarra) e o próprio John Zorn (sax alto). Mas essa maluquice você não acha nem no YouTube.

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