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Cultura Pop

Leia, descubra, ouça, conteste: um papo com o cara do Floga-se

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Não são poucas pessoas que consideram o Floga-se um dos dez melhores espaços para se conhecer música indepedente hoje em dia. Numa época em que interessa a muita gente repetir frases batidas como “o rock morreu”, o site surge com séries importantes como discos da vida (onde convidados falam sobre os álbuns mais marcantes de suas discotecas e cabe tudo quanto é tipo de música), ou listas de discos para ouvir de graça, ou entrevistas com nomes nacionais e internacionais.

Leia, descubra, ouça, conteste: um papo com o cara do Floga-se

O lema do site

No POP FANTASMA, a gente tem conversado com gente que vem criando conteúdo pop: youtubers, donos de gravadoras, criadores de sites. Fomos conhecer um pouco do trabalho do Fernando Augusto Lopes, que criou o blog, e descobrimos que a motivação dele ao criar o Floga-se foi bastante parecida com a nossa: escrever o que a gente gostaria de ler

POP FANTASMA: Como começou sua relação com a música? Você é jornalista? Era do tipo que curtia ler revistas e escrever em cadernos sobre o assunto?
FERNANDO AUGUSTO LOPES: Minha família sempre foi de ouvir muita música e não necessariamente música “popular”. Meu pai sempre foi do jazz e do blues, e curtia desde nomes consagrados até discos obscuros. Um dos passatempos dele era fazer fitas-cassete de todos os seus discos e dos nossos também. Esse lance meio de colecionador, de garimpeiro e de organizador acabou passando pra mim. Meu irmão é jornalista e herdou esse lance de garimpar, a gente ia às lojas do centro de SP buscar os discos que víamos e líamos na Bizz, na Melody Maker e na New Music Express, quando a gente conseguia uma banca que tivesse essas publicações gringas pra vender, senão era só a Bizz mesmo. E era um programa bacana de final de semana ir a essas lojas procurar LPs e descobrir outras coisas. Acabei me formando em Cinema e indo trabalhar com marketing, de modo que escrever sobre música virou um hobby que uniu toda essa história.

O que te motivou a criar o Floga-se? Você diria que sentia falta de algo e criou o que você gostaria de ler? Basicamente isso. Acho que é padrão nas histórias de nascimento de zines e blogues e sites. A pessoa quer escrever e publicar exatamente aquilo que gostaria de ler por aí e geralmente não encontra. O Floga-se nasceu em 2006 e de lá pra cá foi passando por muitos e muitos ajustes editoriais, até chegar ao que é hoje: um site de textos mais elaborados, tentando misturar história e lançamentos, bandas minúsculas e subterrâneas com bandas consagradas e populares. Dar o mesmo peso de importância pra bandas nacionais que ninguém dá bola e bandas que habitam a grande mídia.  Mas o básico é: informar, dar opinião e contar histórias.

Você era daquela geração que montou blog lá por 2001, 2002? Como resolveu investir no formato? Desde que eu comecei a trabalhar com o marketing below the line, lá em 1996, a gente tentava colocar um site na comunicação das campanhas de incentivo. Era um troço bem moderno naquele momento, quase 100% das campanhas usavam comunicação impressa e a gente procurou esse novo caminho. Mais do que isso: a gente produzia os sites de modo caseiro, em FrontPage. Um troço bem amador e tosco, vendo em perspectiva, agora. Só que era o que tinha e acabou sendo sucesso. Os clientes queriam menos impressos e mais online.

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É claro que o avanço da tecnologia e acesso a internet no Brasil ajudaram bastante, mas foi essa nossa insistência num formato não utilizado até então que me fez curtir esse negócio de escrever online. O Floga-se começou como um blogue no UOLblog. Eram textos engraçadinhos, metidos a descoladinhos, algo que parece ter sido feito por um adolescente, e vendo hoje eram até divertidos, embora bobocas. Só em 2010 é que migrei pro WordPress, acho que quase como todo mundo. No WordPress, o mundo de possibilidades aumentou muito e tals, principalmente na parte visual e na facilidade organizacional, o que deu um impulso ao Floga-se.

Hoje, não há uma única campanha ou comunicação que não se utilize de ferramentas online, aplicativos específicos, sites, disparos pra celulares, e-mail marketing, redes sociais etc. Daí que, embora ainda seja redator e criador, o Floga-se é minha única dedicação online específica hoje. Há muita, muita, muita, muita gente boa e especializada em tocar esse ferramental online.

Como você descobre músicas novas? Você costumeiramente descobre mais sons novos ou antigos? Isso é curioso, porque depende da fase. Por conta do Floga-se, recebo centenas de e-mails e indicações toda semana. Deve acontecer o mesmo no POP FANTASMA. Rola uma obrigação minha de ouvir tudo o que recebo. Acho que é o mínimo de consideração, mesmo que a pessoa que enviou não faça ideia que eu esteja ouvindo. Como o volume é grande, é difícil você apreciar música como se apreciava nos anos 80 e nos anos 90. A dedicação exclusiva à música ou ao álbum, qualquer álbum, requer que você deixe de ouvir uma outra novidade, porque o tempo é um só, afinal de contas. Então, eu provavelmente sou como qualquer pessoa nesse sentido, até mesmo pela idade e falta de tempo: acabo voltando àqueles discos que significaram alguma coisa na minha vida e esses discos estão ficando mais velhos, é inevitável. Os novos são raros de bater no coração, mas de vez em quando acontece. Um bom exemplo é a Aldous Harding. Vi um show dela numa fase muito boa pra mim e aquela música significou algo. Hoje, ela parece uma velha companheira.

Você escuta mais música depois das plataformas digitais? No que tua relação com as novas descobertas mudou? Você fica com mais discos acumulados? Faz tempo que parei de comprar discos. Ainda recebo CDs de bandas brasileiras e tals, mas sempre que posso, peço pra assessoria ou pra banda não mandar o disco físico. Sei que é caro pro artista, então prefiro que me mandem o link. Assim, vou ouvir, pelo menos uma vez. Minha ferramenta ainda é o iPod, embora isso pareça bem antigo hoje em dia. Como infelizmente ele quebrou, acabei, com bastante contrariedade, assinando uma dessas plataformas digitais. Então, acho que em questão de volume de música que eu escuto segue a mesma coisa do iPod pro streaming.

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Não houve mudança de comportamento nesse caso. A única coisa que alterou foi que é um negócio a menos pra carregar no bolso, já que agora é só o celular. O que eu quero dizer é que as “indicações” das plataformas digitais não me atingem. Eu prefiro as indicações do Bandcamp, por exemplo, que parecem muito mais orgânicas e despretensiosas. Na página principal do Bandcamp eu acabo entrando em contato com muita novidade que não recebo no e-mail, muita coisa mesmo. Curiosamente, quando o disco é gratuito, eu baixo. Então, nesse sentido, sigo sendo um acumulador de MP3.

O Floga-se tem listas bem legais, como a das capas criadas por Peter Saville. Qual lista você está adiando há anos para fazer e nunca faz? Eu não curto muito listas, tirando aquelas de final de ano, de melhores álbuns do período, porque acho um belo serviço pro ouvinte vasculhar e descobrir coisas que deixou passar batido durante o ano. São listas úteis. As que eu coloco no Floga-se são mais por tiração de sarro, passatempo. Têm vida curta. Exceto quando elas são bem informativas, como essa do Peter Saville, ou aquela de dez resenhas que foram desmentidas pela história. Como a ideia delas vem de supetão, depois de ler algum artigo, depois de alguma conversa de bar, então não tem nada que eu esteja adiando.

Qual tua relação com o público do site? Muita gente comenta sobre discos que conheceu lá? Tem gente assídua no site, o que eu acho bizarro. Tenho um público fiel e isso é uma delícia. Eu escrevo pra esse público, não mais pra mim. Não é que eu faça concessões e tals – eu sempre vou escrever sobre um assunto que eu queira escrever, mas a forma é que deve ser pensando no público. Por “forma”, entenda a seriedade com que a coisa é feita, o apuro, o tão ético quanto possível, sem ofender minorias, sem ofender por ofender, algo que fui aprendendo e moldando com o tempo.

Nada contra quem faz blogue só pra conseguir ingressos de graça. Nada contra quem fica pedindo favores pra assessorias de imprensa, pra artista, pra casa de shows, pra produtores. Cada um faz o seu caminho, mas eu prefiro manter a distância mais razoável possível. Justamente porque o público percebe uma falsidade naquilo. O leitor sabe se você tá escrevendo sobre um disco que não ouviu, mas acabou escrevendo pra agradar o artista ou o selo ou a assessoria. Fujo ao máximo desse troca-troca de cliques e compartilhamentos.

Não me importo nem um pouco se escrevi sobre um disco e a banda não compartilhou meu texto. Não escrevo pra banda. Escrevo pra quem dedica alguns minutinhos do seu tempo pra ler o que escrevi. Essa pessoa merece meu esforço de fazer algo que considero de qualidade. E eu vejo que funciona quando as pessoas comentam que foram atrás de tal obra só porque leram no Floga-se. É gratificante poder funcionar como filtro pra algumas pessoas. São bem poucas, mas vale. E recebo também muita dica, o que são dicas mais preciosas do que e-mails oficiais. Se uma obra tocou a mente de alguém, tem possibilidade de tocar a minha, a sua, a de mais alguém.

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Podcasts, webradios e rádios significam algo pra você hoje em dia? Sim. Acho um negócio legal ouvir gente falando, principalmente sobre música ou futebol ou política. Mesmo assim, ouço menos podcasts do que gostaria. É a tal falta de tempo… Já rádio, ainda ouço bastante, mas só de notícias. Escutar música nas rádios brasileiras é um suplício.

Em 2019, teve algum disco que especificamente chamou sua atenção? Eu citei a Aldous Harding e o disco novo dela, Designer, é ainda melhor do que o anterior. Vale demais. Achei interessante o novo Corrupted data, do Cadu Tenório. Tem o New atlantis, do Efdemin, o Motor activity, do Swiss Magnetic, cuja faixa-título é uma das mais legais e viciantes do ano. E tem o novo do Jair Naves, o Rente. A lista é grande.

Você já escuta música pensando em escrever sobre ela? Costuma ficar com muito material acumulado? Não costumo ouvir pensando em escrever. Até porque me daria palpitação no coração o desespero de não conseguir fazer a fila andar. É justamente o contrário, escrevo bem menos do que gostaria e o material só não acumula porque simplesmente deixo passar. E porque criei mecanismos pra atender certa demanda própria. Um delas é uma lista semestral com cinquenta discos nacionais no Bandcamp pra pessoas ouvirem, conhecerem, baixarem de graça. Discos de banda que saem do eixo Rio-SP, mostrando que tem muita coisa sendo produzida no Brasil afora, mas que não recebe a atenção mínima. Mesmo assim… sim, fica muita coisa sem eu dar a atenção que gostaria. Infelizmente. Eu precisaria de uma equipe muito grande pra dar vazão. E gostaria de pagar pra essa equipe, o que evidentemente é impossível.

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Pensa em mais algo além do site? Tem vontade de criar um canal no YouTube ou algo assim? Não. Já tive um podcast com a Amanda Mont’Alvão, do Sounds Like Us, e com o Elson Barbosa, da gravadora Sinewave. Era o O Resto É Ruído, mas o podcast entrou numa hibernação prolongada e era a única coisa fora do Floga-se pra falar de música. Faria outro podcast, mas tem que ser com as pessoas certas, gente bacana como a Amanda e o Elson, e sobre mais do que música, sobre política também. O Floga-se é um site que fala muito sobre política, tentando analisar obras por um olhar político-social atual e tem funcionado com muito gosto pra mim. Só que acho essa pegada de um cara falando pra câmera , derramando opiniões, um negócio muito egocêntrico, sei lá, não funcionaria jamais comigo. Sou do bate-papo, do debate, da discussão.

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Cultura Pop

Tem aniversário de Controversy, do Prince, vindo aí!

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A capa do quarto disco de Prince, Controversy (lançado em 14 de outubro de 1981 e prestes a fazer 40 anos) já era (hum, ok) controversa. Transformado em escândalo público por causa do disco anterior, Dirty mind (1980, e do qual já falamos aqui), Prince estava nas manchetes. E elas estavam, de brincadeira, na capa do novo álbum.

Dirty mind tinha dado uma bela crescida musical – do pós disco dos álbuns anteriores, a uma mistura de soul, rock, um tantinho de psicodelia e até folk urbano herdado de Joni Mitchell. A crítica não deixou de prestar atenção nas letras beem safadas do álbum – que se chamava “mente poluída” e trazia Prince em frente às molas de uma cama, na capa. Robert Christgau comparou Prince a Jim Morrison e John Lennon, e ainda arrematou com uma frase lapidar: “Mick Jagger deveria recolher seu pau e ir para casa”. Na Rolling Stone, Ken Tucker dizia que Prince era um romântico ingênuo nos dois primeiros discos, mas finalmente estava à solta nas sacanagens e na música.

Controversy foi lançado doze meses após Dirty mind, e foi feito numa época de bastante trabalho para Prince – que pouco antes tinha produzido, assinando o trabalho como Jamie Starr, o disco de estreia do The Time, banda liderada pelo seu vocalista Morris Day. Como na época vários colunistas de jornal já faziam comentários sobre a sexualidade do cantor, não tinha como o assunto ficar de fora do álbum, a faixa-título (que abre o disco) já abre com vários questionamentos: “Sou preto ou branco? Eu sou hetero ou gay?/ Controvérsia / Eu acredito em Deus?/Eu acredito em mim?/Controvérsia”, perguntava Prince.

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>>> Mais Prince no POP FANTASMA aqui.

Não era só nos jornais que Prince passava por esse tipo de situação. Abrindo para os Rolling Stones em 9 de outubro de 1981, o cantor (usando a roupa da época da turnê Dirty mind, que incluía uma tanguinha preta) foi vaiado e ouviu xingamentos homofóbicos da plateia, no Memorial Coliseum, em Los Angeles.

Não só vaias: Prince e seus músicos foram atingidos por comida, latas, garrafas e tudo o que estivesse ao alcance do público. Prince ia desistindo de fazer o show do dia 11 de outubro, ate que Mick Jagger ligou para ele para encorajá-lo. “Eu disse a ele: se você chega a ser uma atração principal realmente grande, você tem que estar preparado para as pessoas jogarem garrafas em você à noite. Preparado para morrer!”, brincou Jagger.

Em Controversy, mais uma vez Prince tocou tudo “sozinho” – enfim, mais ou menos, porque em Jack U off, a última faixa, aparecem Bobby Z. (bateria), Lisa Coleman (teclados e vocais de fundo) e Dr. Fink (teclados). Andre Cymone, baixista de turnê de Prince, compôs a safadíssima Do me baby. Mas como estava sendo cada vez mais comum no universo de Prince naquela época, não recebeu crédito pela faixa, que apareceu assinada pelo patrão nas primeiras edições.

Não era o único momento de safadeza no disco, claro. Private joy era pura sacanagem, com versos como “todos os outros garotos amariam transar com você, mas você é meu brinquedo privativo” e “você pertence a Prince”. Mas Sexuality inovava por misturar sexo, política e futurismo (“precisamos de uma nova raça, líderes, levante-se, organize-se/não deixe seus filhos assistirem televisão até que saibam ler”).

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Anne Christian era a resposta de Prince ao levante pós-punk, com peso, intensidade e uma letra que fala sobre uma prostituta que “matou John Lennon, atirou nele a sangue frio” e “tentou matar Reagan”. Ronnie, talk to Russia mostrava que Prince vinha acompanhando as tensões entre Ronald Reagan, então presidente dos EUA, e o governo da União Soviética, mas que estava do lado do seu país, enfim (“você pode ir ao zoológico, mas não alimente guerrilheiros de esquerda”).

Para os fãs brasileiros, Controversy trazia uma novidade: Dirty mind não tinha saído aqui em tempo real (só foi lançado no Brasil em 1990!), mas o quarto disco de Prince saiu aqui imediatamente. Com um aviso na capa: “inclui Sexuality e Controversy“. Incluía mesmo.

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Cinema

Urban struggle: tem documentário raro sobre punk californiano na web

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Sabe aquele vizinho fascista que você detesta, e que também tem uma relação péssima com você? Pois bem, o conto dos vizinhos que se odeiam mutuamente ganhou proporções astronômicas e perigosas com o relacionamento bizarro entre dois bares californianos: o boteco punk Cuckoo’s Nest e o bar de cowboys urbanos Zubie’s. Os dois ficavam um ao lado do outro na cidade de Costa Mesa, localizada em Orange County, região com cena punk fortíssima.

O Cuckoo’s Nest era um local importante para o punk da Califórnia, a ponto de bandas como Black Flag, Circle Jerks, Fear e TSOL teram tocado lá. E do primeiro show do Black Flag com Henry Rollins no vocal ter acontecido na casa, no dia 21 de agosto de 1981. Bandas como Ramones e Bad Brains, ao passarem pela cidade, sempre tocavam lá. Já o Zubie’s, lotado de playboys no estilo country, costumava ser um problema para os punks: os cowboys invadiam o local, arrumavam brigas com os punks e os insultavam usando termos homofóbicos.

Vale citar que mesmo dentro do Cuckoo’s Nest as coisas não eram fáceis, até porque “movimento punk” significava uma porrada de gente reunida, com motivações diferentes e estilos de vida conflitantes. Tipos violentos e machistas começaram a frequentar o local e a arrumar briga com os frequentadores. E quem viu o documentário The other f… word, da cineasta e roteirista Andrea Blaugrund Nevins, recorda que o rolê punk na Califórnia era muito violento.

Flea, baixista dos Red Hot Chili Peppers – e que tocou no Fear por alguns tempos nos anos 1980 – lembra em The other f… word que, no começo dos anos 1980, uma cena comum nos shows do Black Flag eram as inúmeras brigas nas quais os fãs eram esmurrados e nocauteados, apenas por terem o cabelo ou a roupa assim ou assado. “As pessoas não somente tomavam porrada, elas acabavam no hospital. Havia ambulâncias transportando os fãs após os shows a todo momento!”.

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O Cuckoo’s Nest ficou aberto de 1976 até 1981 e nunca deixou de ter problemas. O proprietário Jerry Roach lutava para manter a casa aberta, dialogava da maneira que dava com policiais, com clientes e até com a turma enorme de hippies, cabeludos e malucos que pulava de galho em galho na Califórnia.

E essa longa introdução é só pra avisar que jogaram no YouTube o documentário  Urban struggle: The battle of the Cuckoo’s Nest, dirigido em 1981 por Paul Young.  Infelizmente sem legendas.

Tem uma edição melhor no Vimeo. Sem legendas também.

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Num dos depoimentos do documentário, Jerry define a atitude dos punks como “foda-se, vivo de acordo com minhas regras”. Mas diz que não vê hippies como sendo pessoas da paz e do amor o tempo todo, e muito menos enxerga punks como odiadores contumazes. “É só um conflito de gerações”, disse Jerry, que – você talvez já tenha imaginado – batizou o local em homenagem ao filme Um estranho no ninho, de Milos Forman (o nome no original era One flew over the cuckoo’s nest).

Tanto os músicos quanto Jerry falam bastante a respeito de brigas com a polícia – o dono do local relata as vezes em que conversou com os agentes – e reclamam da violência policial. Por acaso, um dos agentes é entrevistado, e os meganhas locais, seguindo o exemplo dos cowboys, não tinham o menor apreço pelos punks. A luta de Jerry para manter o local aberto também está no doc. Mas se você quer sair fora das discussões, o documentário ainda tem apresentações bem legais do Black Flag, Circle Jerks e TSOL.

Paul Young, o autor do filme, era um estudante de cinema que tinha sido contratado por Jerry para filmar as invasões da polícia ao local. Acabou sendo responsável pelo documentário, e anos depois acabou ficando bastante indignado quando viu o filme We were feared – The story of The Cuckoo’s Nest, de Jonathan WC Mills, e reconheceu várias de suas imagens lá.

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Cultura Pop

Tears For Fears: descubra agora (??)

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“E alguém precisa descobrir Tears For Fears?”, você deve estar se perguntando, certo? Relaxa: essa foi nossa desculpa para falar de TFF, uma das bandas preferidas aqui do POP FANTASMA, e um dos grupos (uma dupla, enfim) mais importantes da música pop de todos os tempos.

Roland Orzabal e Curt Smith ensinaram grandes plateias a curtir pós-punk com letras politizadas e introspectivas (o primeiro disco, The hurting, de 1983, é isso), fizeram a transição para uma espécie de tecnojazzrockpop de arena (Songs from the big chair, de 1985) e migraram para o som orgânico e jazzístico na época certa (The seeds of love, de 1989, era “o” disco que você precisava ouvir no início da era do CD).

Sem Curt Smith, Roland continuou com a bandeira do pop elaborado em mais dois bons discos, Elemental (1993) e Raoul and the kings of Spain (1995). A dupla voltou a se encontrar num disco injustamente fracassado, que tinha coisas que caberiam em discos de Beach Boys e Todd Rundgren, Everybody loves a happy ending (2004). Tem um disco novo vindo aí, The tipping point, marcado para fevereiro de 2022. E você vai ter bastante trabalho se resolver procurar uma música menos que boa nos álbuns deles.

Tá aí nossa lista de músicas que você deve ouvir hoje.  Ouça lendo e leia ouvindo. E tá uma lista bem grande…

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“MAD WORLD” (The hurting, 1983). Comparada a Unknown pleasures, do Joy Division, a estreia do TFF chega a assustar pela quantidade de temas corrosivos e depressivos nos quais a dupla mexeu: depressão, abuso infantil, pais que sufocam os filhos com problemas pessoais e expectativas, bullying. Orzabal não economizou nessa música, um retrato bem sombrio da infância e do dia a dia escolar.

“PALE SHELTER” (The hurting, 1983). O que parece ser apenas uma canção de desilusão amorosa, é na verdade uma música sobre abandono parental. Foi gravada inicialmente em 1982 com o nome de Pale shelter (You don’t give me love) e depois regravada para um outro single e para o primeiro álbum. O clipe, que você provavelmente já viu, é um primor de surrealismo (com várias imagens aleatórias) e destemor (a dupla passeia em meio a uma guerra de aviões de papel e Orzabal quase leva um aviãozinho no olho).

“WATCH ME BLEED” (The hurting, 1983). “O que sobra de mim ou de qualquer pessoa/quando negamos a dor?”. “Estou cheio, mas me sentindo vazio/Por todo o calor, é tão frio”. Uma das melhores músicas do primeiro disco do TFF tem uma letra que, numa análise retrospectiva, pode ser comparada aos melhores momentos de Renato Russo – e a introdução de violão caberia perfeitamente em Legião Urbana Dois. Enquanto você pensa sobre as influências do Tears For Fears na Legião, ouça a música, que sequer foi lançada como single.

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“THE PRISONER” (The hurting, 1983). Experimente tocar essa música para um bando de amigos e diga que é um lado B do Nine Inch Nails. Dá para enganar. Apesar dos vocais sussurrados, do peso e da letra sufocante (sobre uma criança oprimida e amedrontada), o final é feliz (“o amor me liberta/o prisioneiro agora está fugindo”). Foi o lado B do single de Pale shelter.

“THE WAY YOU ARE” (single, 1983). Uma rara canção escrita pela “formação completa” do grupo (Roland, Curt, o baterista Manny Elias e o tecladista Ian Stanley), feita para um single que serviu de produto intermediário entre o primeiro e o segundo disco. Um bom reggae tecno que é a cara dos anos 1980, mas que Roland e Curt execram. “Foi a pior coisa que fizemos”, destroçou Smith sem dó nas notas de uma coletânea da banda que trazia essa música (!), Saturnine martial & lunatic. Mas na época, saiu até clipe.

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“SHOUT” (Songs from the big chair, 1985). Orzabal e Smith dizem que essa música não tem tanto assim a ver com a terapia do grito primal (que inspirou o nome da banda), e sim com protesto político. “É protesto na medida em que incentiva as pessoas a não fazerem as coisas sem questioná-las. As pessoas agem sem pensar porque é assim que as coisas acontecem na sociedade”, disse Smith. Roland começou a compor a canção com sintetizador e bateria eletrônica, e de início tinha só um refrão, concluído pelo tecladista Ian Stanley, um cara importantíssimo na formatação do estilo “Tears For Fears” de fazer música.

“EVERYBODY WANTS TO RULE THE WORLD” (Songs from the big chair, 1985). Música composta por Orzabal, Ian Stanley e pelo produtor Chris Hughes, cuja letra já teve mil interpretações diferentes, mas fala mesmo era sobre a briga EUA X URSS pelo poder mundial (enfim, a Guerra Fria). Smith, cantor da faixa, ficou particularmente puto com uma interpretação do National Review que via pontos de vista conservadores na letra. “Ironia e sarcasmo claramente não são seu forte”, twittou para o periódico.

“HEAD OVER HEELS” (Songs from the big chair, 1985). Orzabal descreve essa música como “uma canção de amor que acaba ficando meio perversa”. Um clássico do amor, da dependência e da pouca habilidade para lidar com a complexidades das relações humanas. O clipe, gravado na biblioteca do Emmanuel College, no Canadá, virou um clássico.

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“THE WORKING HOUR” (Songs from the big chair, 1985). O tom meio jazz-meio prog da segunda faixa de Songs… era moda em 1985 – Sting não largou o Police para misturar música pop, jazz e new wave à toa. A letra era um primor de desencanto com a “vida real”. Não saiu em single.

“WOMAN IN CHAINS” (The seeds of love, 1989). Foi assistindo a um show bem simples da cantora Oleta Adams num hotel no Kansas em 1985, que Orzabal e Smith tiveram a ideia de partir para um mergulho “orgânico” no terceiro disco, já cansados dos sintetizadores e samplers da turnê de Songs… E para ajudar no trabalho, convidaram a cantora. Woman in chains é tida como uma “canção feminista” e é inspirada por um livro que Roland estava lendo sobre sociedades matriarcais. Orzabal resolveu escrever sobre como o feminino costuma ser minimizado. Mas Oleta suou no estúdio para agradar à dupla: soltou a voz num tom agudo incomum para ela.

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“SOWING THE SEEDS OF LOVE” (The seeds of love, 1989). A neopsicodelia que deu certo, tocou em rádio e vendeu discos: Smith e Orzabal (compondo em parceria) lançaram uma pérola pop-rock com referências a Beatles (I am the walrus foi citada por quase todo mundo) e pequenas porradas políticas na letra (Margaret Thatcher é a “vovó política” da letra).

“ADVICE FOR THE YOUNG AT HEART” (The seeds of love, 1989). Neobossa pop que ajudou a conquistar novos públicos para o grupo: no Brasil o TFF tocava até em rádios AM e esteve numa trilha de novela (a pouco lembrada Gente fina). O clipe da faixa, dirigido por Andy Morahan, valia por um curta-metragem: mostrava cenas de um “feliz” casamento latino em que, aqui e ali, dava para perceber que as coisas não iam tão bem assim (além de mostrar cenas excelentes de ranço e caras-viradas entre Curt e Orzabal).

“ALWAYS IN THE PAST” (single, 1989). O lado B de Woman in chains lembrava muita coisa que geralmente não era associada ao TFF: até mesmo a fase pop do Genesis, só que sob um ponto de vista mais sombrio. Saiu depois num relançamento de Seeds of love.

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“BREAK IT DOWN AGAIN” (do disco Elemental, 1993). Após várias brigas e climões, Curt Smith saiu do grupo, deixando Orzabal livre para carregar o nome (e lançar uma ou outra canção malcriada em relação ao ex-amigo). O primeiro single do novo disco é a única música que sobrou nos shows da dupla quando Smith voltou. O parceiro de canções de Orzabal na época era Alan Griffiths, cuja banda The Escape tinha aberto shows do TFF em 1983.

“BRIAN WILSON SAID” (do disco Elemental, 1993). Uma canção desencantada que poderia estar no clássico dos Beach Boys, Pet sounds, mas que tinha o mesmo tom jazz-pop-introspectivo de alguns momentos de The seeds of love e Songs from the big chair. A letra, curiosamente, tinha o mesmo tom amargo dos hits de bandas como Nirvana, que liderava as rádios na época (abria com a frase “minha vida, nada foi fácil até agora”).

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“RAOUL AND THE KINGS OF SPAIN” (do disco Raoul and the kings of Spain, 1995). Usando um nome que quase havia sido dado ao disco The seeds of love, Orzabal entrou numa egotrip daquelas: fez um pop meio progressivoide (e bom) para falar de histórias de sua família – Roland, por sinal, quase se chamou Raoul, mas sua mãe resolveu que era melhor ele ter um nome mais anglicizado.

“ME AND MY BIG IDEAS” (do disco Raoul and the kings of Spain, 1995). Baladão que, com um pouco mais de produção, poderia estar em The seeds of love – e que, opa, marca o reencontro do TFF com Oleta Adams. Na época, Oleta estava na Fontana, antiga gravadora do grupo, e tinha lançado o quinto disco, Moving on.

“EVERYBODY LOVES A HAPPY ENDING” (do disco Everybody loves a happy ending, de 2004). Smith e Orzabal voltaram a se falar por causa de razões extra-música (a dupla ainda era dona de empreendimentos imobiliários) e… por que não fazer um disco novo? A faixa-título do álbum da “volta” (que vendeu bem pouco) lembrava Beach Boys, Todd Rundgren, 10cc e tudo de bom que você pudesse imaginar.

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“CLOSEST THING TO HEAVEN” (do disco Everybody loves a happy ending, de 2004). Baladão que, caso tivesse um belo glacê de eletrônicos, poderia estar em Songs from the big chair. O clipe tem participação da atriz Brittany Murphy, que morreria em 2009. Essa música chegou a tocar em rádio no Brasil.

“SECRET WORLD” (do disco Everybody loves a happy ending, de 2004). Uma balada tão bonita que encerra com aplausos. Deu nome ao primeiro disco ao vivo da banda, de 2006.

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“AND I WAS A BOY FROM SCHOOL” (do EP Ready boys & girls?, de 2014). Para comemorar o Record Store Day de 2014, o TFF soltou um EP indie com três covers, de Animal Collective, Arcade Fire e Hot Chip (a faixa em questão). Na época, chegou a ser divulgado que a banda estava trabalhando em material novo e que My girls, do Animal Collective, lançada em 2013, servia de batedor para um próximo disco.

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