– O mundo teve uma suspeita de que teria música nova de Morrissey (ou um disco novo de Morrissey) vindo aí quando o ex-Smiths postou pela primeira vez em sua conta do Twitter a frase “spent the day in bed…”

– No mês passado o New Musical Express já havia anunciado que Morrissey tinha assinado um contrato com a BMG, três anos depois de lançar o disco World peace is none of your business pela Harvest (um contrato que não deu certo e implodiu no meio do trabalho para divulgar o álbum, com o artista reclamando que o processo todo quase tirou sua vida). E que o disco novo se chama Low in high school, e sai em 17 de novembro

Low in high school, que é o 11º disco de Morrissey, foi gravado no La Fabrique Studios (França) e no Forum Studio de Ennio Morricone (Roma). A produção foi feita por Joe Chiccarelli, que traalhou com Frank Zappa, Strokes, Beck e White Stripes.

Spent the day in bed, a nova música, enfim, saiu hoje. Olha aí, se você não ouviu.

– As encrencas de Morrissey com a Harvest não deram muito susto na BMG, não. A&R da BMG, Korda Marshall diz que não há muitos artistas hoje em dia que você possa comparar com Morrissey. “Ele é um talento extraordinário. É prodigioso, literário, espero, elegante e, acima de tudo, corajoso. Suas letras, seu humor e suas melodias influenciaram gerações. A música em seu disco falará por si própria e estamos deleitados EM trazer esse som para BMG”.

– O New Musical Express reportou essa. Ao assinar seu contrato com a nova gravadora em 2016, Morrissey reparou que o meio musical dos dias de hoje é repleto de censura, e ela é “extremamente pesada”. “Se você examinar, por exemplo, os Sex Pistols e seu sucesso, eles conseguiram isso em grande parte porque ninguém viu que isso estava acontecendo, e a indústria não pensou que uma banda como Sex Pistols pudesse ser popular ou poderia existir. Agora, é tudo severamente controlado e monitorado para garantir que qualquer cantor que venha com uma mensagem política não possa passar. O resultado é óbvio. Ficamos com gráficos de música que não refletem os sentimentos e as necessidades dos devotos amantes da música. E não pode haver uma revolução”.

– Mais: “Houve um momento em que a indústria da música serviu o artista, mas agora o artista deve servir a indústria da música, e é por isso que tudo agora é tão insípido”.

– Olha aí a relação de músicas.

01 My love, I’d do anything for you
02 I wish you lonely
03 Jacky’s only happy when she’s up on the stage
04 Home is a question mark
05 Spent the day in bed
06 I bury the living
07 In your lap
08 The girl from Tel-Aviv who wouldn’t kneel
09 All the young people must fall in love
10 When you open up your legs
11 Who will protect us from the police?
12 Israel

– Já viu a capa? Esse garoto segurando um cartaz onde se lê “deem machadadas na monarquia” é Max Lopez, filho do baixista do cantor, Mando Lopez. E o visual, logicamente, vem rendendo problemas. O amigo de infância de Morrissey, James Maker, postou a capa no Facebook e diz que, por causa dessa frase anti-realeza, a cadeia de lojas HMV vai se recusar a vender o disco.

I publish this in support of a friend, and in the cause of democracy. Trade and Retail* have informed BMG that they will…

Publicado por James Maker em Domingo, 10 de setembro de 2017

– A HMV por sua vez nega tudo e diz que já é a segunda vez que a turma de Morrissey acusa a cadeia injustamente. Em junho, a bronca do cantor foi com o adesivo de “apenas um por consumidor” colocado na capa do single relançado de The Queen is dead, que ele achava que “congelava as vendas do disco” (a HMV diz que adota a prática para discos limitados, com a ideia de evitar que um sujeito compre várias unidades, espere sair de catálogo e venda tudo a preços absurdamente altos).

Foto: Charlie Lllewiellin