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Cultura Pop

15 fatos sobre o single “Strawberry fields forever”/”Penny Lane”

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15 fatos sobre o single "Strawberry fields forever"/"Penny Lane"

Em fevereiro de 1967, após um tempo sem lançar nada – e sem excursionar – os Beatles soltaram o single “Strawberry fields forever”/”Penny Lane”, que faz aniversário essa semana. O compacto saiu há exatamente cinquenta anos (17 de fevereiro) na Grã-Bretanha, e no dia 13 de fevereiro, antecipadamente, nos Estados Unidos. Para comemorar o aniversário do lançamento de um disco que mudou a história do rock e da música pop, pega aí quinze fatos sobre as duas músicas.

1) O título provisório de “Strawberry fields forever” era “It´s not too bad”. A música – mas isso você deve saber – foi feita apenas por John Lennon, apesar de creditada a ele e a Paul McCartney.

2) A gravação da música foi feita durante 45 horas. E começou no dia 24 de novembro de 1966 no estúdio Abbey Road 2, em 4 canais. Foi a primeira música a ser gravada para o disco “Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band” – apesar de não ter sido incluída nele e só ter sido lançada em single.

3) Strawberrry field, o orfanato que deu origem ao nome da música, ficava bem próximo da casa onde John Lennon morou na infância, em Liverpool – ele costumava brincar no jardim da casa quando criança.

4) O orfanato completaria 80 anos em 7 de julho do ano passado. Em 2005 foi fechado para dar lugar a uma igreja.

5) “Strawberry Fields forever” teve três versões gravadas. A primeira, abandonada pela banda e só lançada na compilação “Anthology”, nos anos 1990, abre com o verso “living is easy with eyes closed…”.

6) A segunda gravação já abria com o mellotron de Paul McCartney – mas John Lennon achou o resultado muito estridente, e pediu um novo arranjo de orquestra ao produtor e arranjador George Martin para a terceira versão. O som ouvido no single junta a orquestra da terceira versão e a base gravada pelos Beatles na segunda. Uma trabalheira para Martin e para o técnico de som Geoff Emerick, que tiveram que aumentar a velocidade de uma e diminuir a da outra, armados de tesouras de edição e dois gravadores.

7) O nome de “Penny Lane” veio de uma rua próxima ao lugar em que John Lennon vivia na infância. “Era um lugar que John e eu conhecíamos, e era na verdade um terminal de ônibus”, recordou Paul num papo com a revista “Clash” em 2009. Não apenas os dois futuros integrantes dos Beatles pegavam ônibus lá como também muita gente passava pelo terminar para pegar condução para cantos diferentes da cidade.

8) “Penny Lane” (que é só de Paul, mas é creditada a ele e a John Lennon) começou a ser gravada em 29 de dezembro de 1966 no estúdio 2 de Abbey Road.

9) O solo de trompete piccolo que marca a canção foi inspirado por uma apresentação da orquestra da BBC tocando o “Concerto de Brandenburgo”, de Bach, vista por Paul. O job do trumpetista David Mason, autor do solo, foi recompensado com 27 pounds e 10 shillings.

10) Os promos (não se falava em clipe na época) de “Strawberry Fields Forever” e “Penny Lane” foram apresentados pela primeira vez nos Estados Unidos em 25 de fevereiro de 1967, no show de variedades The Hollywood Palace. O ator Van Johnson foi o anfitrião.

https://vimeo.com/191921921

11) Quem também fez um barulho com os clipes (é clipe, pronto!) foi Dick Clark no programa “American bandstand”. Mostrou o vídeo de “Strawberry…” e ficou até meio constrangido com a reação do público (“é maluco demais”, “eu não pagaria para ver os Beatles, não gosto deles”, “eles estão por fora”).

12) Uma semana antes de apresentar os clipes, Dick Clark tinha voltado a um papo que levara com os Beatles quatro anos antes, focando nas mudanças que teriam acontecido à banda nesse tempo todo e em sua nova fase.

13) O single (cujas músicas eram consideradas, ambas, “lado A”) foi o primeiro dos Beatles a não chegar a número 1 das paradas britânicas desde “Love me do”, em 1962. “Release me”, do cantor Engelbert Humperdinck, chegou na frente, apesar de ter vendido menos – tudo porque a BBC considerou as duas músicas do compacto como dois singles diferentes (!), já que eram dois lados-A.

14) Nos EUA, “Penny Lane” ficou em primeiro lugar durante uma semana nas cem mais da “Billboard” – até ser tirada de lá por “Happy together”, dos Turtles. E ela também não foi parar na set list de “Sgt.Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, decisão da qual George Martin chegaria a se arrepender. Hoje tanto ela quanto “Strawberry…” são músicas da versão LP de “Magical mystery tour”

15) Olha a capa do single aí. O compacto saiu há cinquenta anos na Grã-Bretanha. E no dia 13 de fevereiro, antecipadamente, nos Estados Unidos.

15 fatos sobre o single "Strawberry fields forever"/"Penny Lane"

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The Jesus and Mary Chain no comecinho, no nosso podcast

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The Jesus and Mary Chain no comecinho, no nosso podcast

Aquela banda que, quando todo mundo leu sobre ela, já se apaixonou pelo som antes mesmo de escutar qualquer coisa. Muita gente, quando escutou falar do The Jesus and Mary Chain, só sabia que se tratava de um grupo que cobria suas canções de microfonias, que dava shows de 20 minutos e cujas apresentações eram marcadas por uma enorme balbúrdia. Foi uma banda que deu contornos novos ao indie rock britânico e inspirou muita gente, até mesmo aqui no Brasil. E cujo início rende mil histórias, todas ligadas ao contexto da produção independente na Grã-Bretanha e ao caos político da época.

Hoje no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento, damos um sobrevoo na fase inicial da banda dos irmãos Jim Reid e William Reid, e contamos histórias dos primeiros shows, primeiros singles e dos discos Psychocandy (1985) e Darklands (1987). Ouça em alto volume – infelizmente não temos microfonias no episódio!

Século 21 no podcast: Life e Manobra Feroz.

Estamos no Castbox, no Mixcloud, no Spotify, no Deezer e no Google Podcasts. 

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch. Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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Cultura Pop

Relembrando: Stone Temple Pilots, “Tiny Music… Songs from the Vatican Gift Shop” (1996)

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E Tiny Music, dos Stone Temple Pilots, faz 25 anos

Os Stone Temple Pilots sempre tiveram uma característica peculiar. Com exceção dos dois primeiros discos, Core (1992) e Purple (1994), a banda sempre retornou em seus novos álbuns como se estivesse estreando. Aliás, quase sempre como se uma nova oportunidade fosse dada a eles. E pouco antes do terceiro álbum, Tiny music… Songs from the Vatican Gift Shop, lançado em 26 de março de 1996, o tempo havia fechado para o grupo.

Antes de Tiny music, Dean DeLeo (guitarra), Robert DeLeo (baixo), Eric Kretz (bateria) e Scott Weiland (voz) haviam conseguido arrancar elogios da crítica por causa de Purple. Jornalistas que avaliaram Core como uma cópia do Pearl Jam viram no segundo álbum uma junção boa de grunge, rock alternativo, psicodelia e folk setentista. Mas o ano de 1995 trouxe problemas para a banda: brigas, pressões internas, drogas, prisão de Scott Weiland com heroína e cocaína, liberdade condicional.

Não era a estreia de Weiland nas drogas. Desde 1993, quando rolou uma bizarra turnê STP-Butthole Surfers, as agulhas haviam passado a fazer parte do seu dia a dia. Mas o abuso passou a ser tido como o maior problema da banda. Além de paralisar o cantor, e de inspirar boa parte do clima deprê de Purple. “É um caminho difícil. Ele pode conseguir vencer isso, como pode nunca conseguir”, contou Dean DeLeo à Rolling Stone em 1997, quando Scott ainda lutava contra as drogas.

Até o terceiro disco surgir, os STP já haviam se separado e voltado, e deixado para trás duas semanas de trabalho em estúdio. Com a prisão e a condenação, Scott montou o Magnificent Bastards, que durou bem pouco. Já seus colegas estavam começando a planejar o Talk Show, com Dave Coutts no vocal. Tiny music só surgiu quando a banda se reagrupou no outono de 1995, com mais de 30 músicas compostas.

Os irmãos DeLeo tiveram uma trabalheira brutal para decidir qual faixa combinava com qual projeto, o terceiro dos Stone Temple Pilots ou o primeiro do Talk Show – que, aliás, acabaria sendo o único, e só sairia em 1997. “É muito estranho, porque na realidade era como se Big bang baby pudesse estar no álbum do Talk Show e Everybody loves my car no Tiny Music“, recordou Dean. O disco acabou produzido pelo mesmo Brendan O’Brien de sempre, e gravado num rancho em Santa Inês, na Califórnia, para onde a banda se mudou.

Tiny music surgiu de uma constatação lamentável. Numa época em que paparazzi e jornais sensacionalistas andavam à toda, não dava mais para esconder a atual condição de Scott – que responderia sobre “vícios em drogas” até o fim da vida.

O então recente suicídio de Kurt Cobain e a névoa de heroína que cobria o grunge ainda estavam muito recentes. O clima depressivo vazou para letras como a da anfetamínica Tumble in the rough, que falava sobre o dia a dia de rehab e de meditações do cantor. E a da balada Adhesive (do verso “venda mais discos se eu morrer”).

Já musicalmente falando, a banda foi para um caminho completamente diferente. Big bang baby, o primeiro single, era basicamente glam rock herdado da fase Spiders From Mars de David Bowie – assim como Pop’s love suicide. Influências de rock dos anos 1960 apareciam em baladas como a própria Adhesive e And so I know (esta, lembrando discretamente Everybody has been burned, dos Byrds). Art school girl, citando Andy Warhol, unia glam rock e alternativices. O vocal de Scott Weiland deixava de vez de lembrar o de Eddie Vedder – soava como um encontro entre Bowie, John Lennon e Johnny Rotten.

Os clipes de Big bang baby, Trippin’ on a hole in a paper heart e Lady Picture Show rodaram direto na MTV. O da primeira música foi a maior surpresa para todo mundo. Fazendo um som bem diferente dos primeiros discos, os STP, sob a direção de John Eder, prestavam uma homenagem aos clipes do começo dos anos 1980, feitos em videotape e sempre com chuva de cromaquis.

Tiny music, apesar da qualidade, rendeu resenhas mistas. A Rolling Stone falou bem. A Entertainment Weekly só faltou falar “não comprem esse disco”: detonou as letras, a voz de Scott, a aparência dos músicos, as tentativas de adicionar toques de jazz. A Pitchfork chamou Weiland de “filho da puta viciado em drogas que já deveria ter tido uma overdose” e afirmou: “Foda-se, Weiland. Você é tão ruim que até sua banda te odeia” (!!).

O disco renderia mais uma pausa para o STP. A banda interromperia uma turnê (na qual abririam para o Kiss) para Weiland ingressar num rehab. Kretz e os irmãos DeLeo, desanimados com os insucessos, colocariam o Talk Show na rua (com a estreia de 1997). Posteriormente, Weiland arrancaria elogios da crítica com sua estreia solo, 12 bar blues (1998). O STP só se reencontraria em 1999 com o pesado e depressivo Nº4, tido como um disco de “metal alternativo” por muita gente. Era outra banda, outra época, ainda que com os mesmos integrantes.

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Relembrando: Veruca Salt, “Eight arms to hold you” (1997)

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Eight Arms To Hold You, do Veruca Salt, fez 25 anos!

Nina Gordon, cantora e guitarrista da banda americana Veruca Salt, relembrou certa vez que nem mesmo a gravadora da banda (a Geffen, que havia contratado a banda de Chicago para o selinho alternativo DGC) entendeu nada quando ela, Louise Post (guitarra e voz), Jim Shapiro (bateria, guitarra) e Steve Lack (baixo), decidiram que Bob Rock seria o cara ideal para produzir o disco novo do grupo.

Eight arms to hold you (11 de fevereiro de 1997) era o segundo disco da banda. Compositoras de canções que podem ser colocadas na gaveta do grunge, ou na da união de punk e power pop, as duas vocalistas talvez tivessem pouco a ver com o trabalho de um cara que cuidou de discos de Metallica e Mötley Crue. “Mas era o som que a gente procurava para o disco”, esclarece Nina, que com a ajuda de Bob, fez canções como o hit Volcano girls ganharem peso e ambiência de hit de rádio. E escolheram para o título do álbum o nome provisório (e descartado) do filme Help, dos Beatles.

O disco do Veruca Salt chegava um pouco atrasado ao mercado – 1997 era um ano importante para o brit pop, para grupos como Spice Girls, mas não era definitivamente um ano de guitar bands ou coisa parecida. Nina e Louise, que apresentavam suas canções no álbum em sequência (uma compunha uma, outra compunha a próxima), traziam de volta uma musicalidade tradicional de sua região, Chicago, com melodias pop associadas a guitarras altas.

O Cheap Trick, mestres nisso, eram de Rockford, cidade do mesmo estado (Illinois), distante poucas horas da capital. Os Smashing Pumpkins, igualmente de Chicago, tinham a mesma mão boa, mas seguiam um estilo diferente – e dois anos antes de Eight arms to hold you, preferiram vender milhões de cópias explorando o que restava da angústia dos anos 1990 no disco Mellon Collie and The Infinite Sadness.

Bob Rock não deu ao Veruca Salt o mesmo peso e exuberância que deu ao Metallica – mas antes de tudo, ajudou o quarteto a se tornar uma banda mais simpática do que já era, e muito bem direcionada. O produtor teve um material de primeira para trabalhar, em canções com heranças simultâneas do punk e do hard rock, como Awesome (essa, com um lado Pixies de barulho-e-silêncio bem acentuado), Volcano girls, With David Bowie (que narra uma paixão e um dating com o camaleão do rock), Stoneface, além de pelo menos um momento em que o Veruca Salt soava como a versão feminina do Nirvana de Nevermind, que era Venus man trap.

Eight arms to hold you significou sucesso moderado para a banda. E também aumentou o nível de estresse. Nina e Louise embarcaram numa briga que muita gente compara às disputas de território entre Bob Mould e Grant Hart no Hüsker Dü. A primeira saiu e preferiu ficar em carreira solo. Jim e Steve também debandaram. Sobrou Louise, sozinha com o nome Veruca Salt, e já sem contrato com a Geffen.

Resolver, o excelente disco seguinte (2000), trazia Louise acompanhada por outros músicos, e contratada pelo selo independente Beyond Records. Mas o Veruca Salt depois enterrou diferenças e disputas musicais (além de questões pessoais), e retornou com a formação de Eight arms no disco Ghost notes (2015). O grupo ainda existe e lançou recentemente um álbum com as demos feitas entre o segundo e o terceiro álbuns, But I love you without mascara (Demos ’97-’98). E permanece uma ilha de guitarras e melodias grudentas em meio às mudanças no universo pop-rock.

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