Para divulgar seu mais novo disco, Detroit stories, Alice Cooper foi bater um papo com fãs num Q&A da revista Metal Hammer. Uma das perguntas que respondeu (segundo o site Consequence of Sound) foi justamente: “Você já se encontrou com seu camarada teatral, David Bowie?”.

Alice confirmou que não apenas encontrou-se com ele, mas que também Bowie costumava ir aos shows da Alice Cooper Band, no fim dos anos 1960. “Ele costumava vir ao meu show quando era um mímico, ele era Davy Jones naquela época. Lembro que no show Welcome to my nightmare (1975), ele trouxe sua banda, o Spiders From Mars, e disse: ‘Isso é o que deveríamos estar fazendo. Mas ele nunca fez da maneira que fizemos”.

SPIDERS

Alice talvez esteja confundido as coisas: os Spiders foram a banda de Bowie apenas até 1973. De qualquer jeito, tem mais lembranças de Bowie na vida dele: “Quando começamos a fazer shows e ainda tínhamos discos de sucesso, isso abriu uma enorme porta para Bowie, Lou Reed e Velvet Underground porque você podia ser teatral e comercial ao mesmo tempo. Eu queria que houvesse um movimento artístico. Criei Alice como uma vilã e Bowie criou todos os seus personagens para se encaixar em quem ele queria ser. Daí nunca o vi como um competidor. Eu o encorajei”, recorda.

Ele também recorda que ele e Bowie conversavam o tempo todo. “Bowie e Lou Reed falavam sobre minha aparência andrógina ser falsa e eles estavam certos. Claro que é falsa. É um show de vaudeville dark e eu interpreto um personagem. Lou e David me conheciam e sabiam que eu não poderia ser mais americano, mas aconteceu de eu explorar esse personagem e a imagem. Eu sabia como tornar aquele personagem assustador, sexy, revoltante e engraçado ao mesmo tempo!”, lembra.

ELVIS

Aliás, Alice, que chocou meio mundo nos anos 1970, recorda que ficou particularmente chocado quando viu Elvis Presley se apresentando no Ed Sullivan Show, aos sete anos. “Estávamos tão acostumados com música doo-wop quando eu era criança que, de repente, não sabíamos se Elvis era o herói ou o vilão, mas eu sabia que meus pais gostavam dele”, conta. “A segunda vez foi quando vimos os Beatles. Todos nós pensamos: ‘Uau, olhe esse cabelo, olhe as botas, olhe os ternos! Essas canções são as melhores que já ouvi!’. Então vieram os Rolling Stones e vi a reação dos meus pais, que acharam que esses caras eram desalinhados, que podiam ser viciados em drogas. Isso me atraiu. Eu olhei para eles e pensei: ‘Se eu conseguir formar uma banda, vou fazer esses caras parecerem meninos de coro!'”.

Em 2016, quando Bowie morreu, Cooper homenageou o amigo postando uma matéria de jornal anunciando shows dos dois, com um texto que dizia: “Nós dois começamos no Rock N Roll teatral ao mesmo tempo e, em alguns casos, desafiamos um ao outro a ir mais longe e ir além. A perda de David Bowie será difícil de engolir para todos. Ele deixa para trás uma rica história de experimentação e invenção musical e cultural que raramente será vista novamente, ou nunca”, escreveu.

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