Connect with us

Destaque

A (bizarra) versão filme do álbum Infected, do The The

Published

on

A (bizarra) versão filme do álbum Infected, do The The

O primeiro disco da banda-de-um-cara-só The The foi Soul mining, de 1983, o do hit This is the day. Mas ainda houve outras coisas parecidas com um debute antes. O músico e compositor Matt Johnson, único integrante fixo da banda, lançara o experimental e psicodélico Blue burning soul em 1981 – foi um dos primeiros lançamentos do selo britânico 4AD – e depois o álbum foi reeditado como um disco do The The.

Depois, em 1982, teve o disco The pornography of despair, que seria a estreia The The, mas que acabou não sendo lançado – algumas músicas reapareceram como lados B. Já Soul mining foi a estreia de verdade e, mesmo não sendo um grande sucesso, fez o nome da banda. Ainda que não fosse uma “banda” de verdade (o disco trazia Matt tocando de tudo um pouco, acompanhado por convidados como Jools Holland, do Squeeze, e até David Johansen, ex-New York Dolls). E que o líder preferisse nem aparecer na capa, substituindo suas fotos por uma ilustração berrante e psicodélica feita pelo irmão Andrew Johnson, o Andy Dog.

>>> Saiba como apoiar o POP FANTASMA aqui

Justamente por essa opção pouco comercial, soou bem estranho e original que no segundo disco, Infected (1986), Matt decidisse ousar e mandasse fazer um clipe para cada faixa. Aliás um clipe, não. O que saiu foi Infected: The movie, um longa-metragem, exibido na TV britânica e em cinemas pequenos na Inglaterra. Ainda que Matt nem fosse uma cara conhecida – e estivesse buscando ficar mais famoso com os clipes – ele e seu empresário conseguiram a vultosa soma de 350 mil libras para fazer os vídeos.

Mas a gravação foi uma zoeira só, e repleta de perigos. Para começar, na época estava meio na moda uma onda de “clipes de aventura”, que permitia que o Big Country fizesse quase um filmete de perseguição em In a big country e o Duran Duran virasse um bando de Indianas Jones no Sri Lanka, para divulgar Hungry like the wolf.

Advertisement

E o The The com isso? Matt, chamando Jesus de Genésio por causa do excesso de drogas, foi se meter na mata da América do Sul (opa, aqui mesmo!) para filmar Infected e Mercy beat. Na selva peruana, uma tribo indígena que serviu de guia teve a péssima ideia de apresentar alucinógenos que usavam em rituais a Matt. Em Infected, o clipe, Matt aparece amarrado a uma cadeira, deslizando por um rio selvagem em cima de um barco.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Essa capa de disco dos Smiths tá meio estranha

Já numa das cenas de Mercy beat, um comício de rebeldes comunistas confundiu a banda com “invasores” e fez um ataque. A cena do ataque, que aparece no clipe, não era de mentira, não (vai em 5:45). Aliás, Matt lembra de, depois disso, ter feito brincadeiras perigosas com uma cobra (isso aparece no clipe) e de ter sido mordido por um macaco.

Mas mesmo de volta à cidade grande, rolaram perigos. A banda foi gravar o clipe de Out of the blue no Harlem, em Nova York. Matt, bebaço, espatifou uma garrafa na parede, perto de onde estava um grupo de traficantes.

Advertisement

O prêmio sangue frio vai para Slow down to train, que mostra a cantora Neneh Cherry amarrada a uma linha férrea, enquanto Matt pilota um trem que vai em direção a ela. E para o clipe de Twilight of a champion, no qual Matt faz brincadeiras nada legais com uma arma carregada.

>>> Veja também no POP FANTASMA: XTC: Making Plans for Nigel fez 40 anos em 2019!

Os clipes de Infected são sombrios e parecem realmente terem sido feitos por um maluco – no caso Matt, assoviando e chupando cana, na época. Tanto que após o segundo disco, o músico parou para tratar da saúde e largar os vícios. Voltou com um show com banda completa de 1988 (apresentando o guitarrista Johnny Marr, ex-Smiths) e gravou Mind bomb, terceiro álbum, em 1989.

Interessou? Olha aí uma playlist com os vídeos todos.

Advertisement

Continue Reading
Advertisement

Destaque

Dan Spitz: metaleiro relojoeiro

Published

on

Se você acompanha apenas superficialmente a carreira da banda de thrash metal Anthrax e sentia falta do guitarrista Dan Spitz, um dos fundadores, ele vai bem. O músico largou a banda em 1995, pouco antes do sétimo disco da banda, Stomp 442, lançado naquele ano. Voltaria depois, entre 2005 e 2007, mas entre as idas e as vindas, o guitarrista arrumou uma tarefa bem distante da música para fazer: ele se tornou relojoeiro (!).

A vida de Dan mudou bastante depois que o músico teve filhos em 1995, e começou a se questionar se queria mesmo aquela vida na estrada. “Fazíamos um álbum e fazíamos turnês por anos seguidos, e então começávamos o ciclo de novo – o tempo em casa não existia. É uma história que você vê em toda parte: tudo virou algo mundano e mais parecido com um trabalho. Eu precisava de uma pausa”, contou Spitz ao site Hodinkee.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Rockpop: rock (do metal ao punk) na TV alemã

Na época, lembrou-se da infância, quando ficava sentado com seu avô, relojoeiro, desmontando relógios Patek Philippe, daqueles cheios de pecinhas, molas e motores. “Minha habilidade mecânica vem de minha formação não tradicional. Meu quarto parecia uma pequena estação da NASA crescendo – toneladas de coisas. Eu estava sempre construindo e desmontando coisas durante toda a minha vida. Eu sou um solucionador de problemas no que diz respeito a coisas mecânicas e eletrônicas”, recordou no tal papo.

Spitz acabou no Programa de Treinamento e Educação de Relojoeiros da Suíça, o WOSTEP, onde basicamente passou a não fazer mais nada a não ser mexer em relógios horrivelmente difíceis o dia inteiro, aprender novas técnicas e tentar alcançar os alunos mais rápidos e mais ágeis da instituição.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Discos de 1991 #9: “Metallica”, Metallica

A música ainda estava no horizonte. Tanto que, trabalhando como relojoeiro em Genebra, pensou em largar tudo ao receber um telefonema do amigo Dave Mustaine (Megadeth) dizendo para ele esquecer aquela história e voltar para a música. Olhou para o lado e viu seu colega de bancada trabalhando num relógio super complexo e ouvindo Slayer.

Advertisement

O músico acha que existe uma correlação entre música e relojoaria. “Aprender a tocar uma guitarra de heavy metal é uma habilidade sem fim. É doloroso aprender. É isso que é legal. O mesmo para a relojoaria – é uma habilidade interminável de aprender”, conta ele. “Você tem que ser um artista para ser o melhor – seja na relojoaria ou na música. Você precisa fazer isso por amor”.

>>> POP FANTASMA PRA OUVIR: Mixtape Pop Fantasma e Pop Fantasma Documento
>>> Saiba como apoiar o POP FANTASMA aqui. O site é independente e financiado pelos leitores, e dá acesso gratuito a todos os textos e podcasts. Você define a quantia, mas sugerimos R$ 10 por mês.
Continue Reading

Cinema

Bead game: desenho animado sobre agressividade

Published

on

Bead game: desenho animado sobre agressividade

Em 1977, o diretor de cinema Ishu Patel fez o curta-metragem de animação Bead game, que foi relançado recentemente pelo National Film Board of Canada.

Para mostrar como a agressividade pode chegar a níveis inimagináveis, ele criou uma animação que usa apenas contas coloridas, que ganham a forma de vários objetos, animais, pessoas e monstros – um lado sempre tentando derrotar o outro. E quando você nem imagina que a briga pode ficar maior ainda, ela fica.

Via Laughing Squid

>>> POP FANTASMA PRA OUVIR: Mixtape Pop Fantasma e Pop Fantasma Documento
>>> Saiba como apoiar o POP FANTASMA aqui. O site é independente e financiado pelos leitores, e dá acesso gratuito a todos os textos e podcasts. Você define a quantia, mas sugerimos R$ 10 por mês.
Continue Reading

Cultura Pop

Bad Radio: no YouTube, a banda que Eddie Vedder teve antes do Pearl Jam

Published

on

Bad Radio: no YouTube, a banda que Eddie Vedder teve antes do Pearl Jam

Em 1986, surgiu uma banda de rock chamada Bad Radio, em San Diego, Califórnia. Foi um grupo que fez vários shows, ganhou fãs e se notabilizou como uma boa banda de palco da região. Mas que se notabilizou mais ainda por ter tido ninguém menos que o futuro cantor do Pearl Jam, Eddie Vedder, nos vocais.

Eddie Vedder, que é lá mesmo de San Diego, aportou por lá em 1988 e ficou até 1990. Conseguiu fazer uma mudança geral no grupo, que tinha uma sonoridade bem mais new wave com a formação anterior, com Keith Wood nos vocais, Dave George na guitarra, Dave Silva no baixo e Joey Ponchetti na bateria. Wood saiu do grupo e com Vedder, a banda passou a ter uma cara bem mais funk metal, e mais adequada aos anos 1990.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Discos de 1991 #5: “Ten”, Pearl Jam

E essa introdução é só para avisar que jogaram no YouTube a última apresentação do Bad Radio com Vedder nos vocais. Rolou no dia 11 de fevereiro de 1990, pouco antes de Eddie se mandar para Seattle e virar o cantor de uma banda chamada Mookie Blaylock – que depois virou Pearl Jam. A gravação inclui as faixas What the funk, Answer, Crossroads, Just a book, Money, Homeless, Believe you me, What e Wast my days. O show foi dado no Bacchanal, em San Diego.

Com a saída de Vedder, o Bad Radio ainda continuou um pouco com o próprio Keith Wood, de volta, nos vocais. Segundo uma matéria publicada pela Rolling Stone (e que tem detalhes contestados pelos ex-integrantes do Bad Radio), Vedder não foi apenas cantor da banda: ele virou assessor de imprensa, empresário, produtor e o que mais aparecesse. A lgumas testemunhas dizem que a banda não era favorável ao lado ativista de Eddie (que costumava dedicar músicas e shows aos sem-teto), o que ex-integrantes do Bad Radio negam (tem mais sobre isso aqui).

Advertisement
>>> POP FANTASMA PRA OUVIR: Mixtape Pop Fantasma e Pop Fantasma Documento
>>> Saiba como apoiar o POP FANTASMA aqui. O site é independente e financiado pelos leitores, e dá acesso gratuito a todos os textos e podcasts. Você define a quantia, mas sugerimos R$ 10 por mês.
Continue Reading
Advertisement

Trending