Subiram

Assim que foi lançado, Ok computer, terceiro disco do Radiohead (1997) foi considerado pouco comercial e pouco vendável pela gravadora da banda, a EMI. A empresa deu cem mil libras para a banda trabalhar e apostava num novo lançamento por causa de The bends, o álbum anterior. Thom Yorke e seus colegas se trancaram num estúdio no castelo St. Catherine’s Court, em Bath, no Sul da Inglaterra, e gravaram as canções por lá – muitas vezes escolhendo lugares inusitados como um dos sete banheiros da edificação, ou o espaço embaixo das escadas.

O material saiu pronto para disputar espaço num mercado que estava repleto de produtos como Hanson, Spice Girls, Oasis e outros best sellers. Mas vinha, como ficou público e notório, cheio de influências nada pop. Thom Yorke costuma citar as trilhas de Ennio Morricone e o jazz experimental do disco Bitches brew, de Miles Davis, como grande influências. OK computer surgiu bem mais aterrorizante do que o mercado poderia comportar, com letras um tanto desconexas e, às vezes, perturbadoras. Como a de No surprises, o hit que até que não liga para Radiohead ouviu.

(O disco) era apenas o barulho que estava acontecendo na minha cabeça durante quase um ano e meio de viagens e computadores e televisão e apenas absorvendo tudo, na verdade. É um registro absorvente, bom ou ruim. É tudo o que estava por perto e estava captando isso”, contou Thom Yorke nesse papo aqui.

Tornou-se clichê dizer que OK computer era um disco que assinalava o começo da era da internet. Johnny Greenwood, guitarrista do Radiohead, e Thom, afirmavam que o título não representava nem fobia nem amor pelos computadores. “Um dos meus primeiros brinquedos foi um computador. Não se trata de fobia, o disco só descreve como foi o ano anterior para nós. Acho que este álbum é uma bagunça enorme demais para resumir. É muito confuso e desarticulado, e o título deve apenas apresentá-lo ao álbum. Não é para resumir nada, realmente”, contou Greenwood.

Apesar de OK computer ser quase unanimidade hoje, Johnny reclamava que a crítica não tinha sido muito generosa com o disco na Inglaterra. O músico achava que estavam esperando que a banda fizesse seu grande hit de rádio.

“Não está cheio de singles, mas The bends também não, ou pelo menos foi o que as pessoas disseram. Não acho que seja não comercial, no sentido de que ‘se tivéssemos nos empenhado em fazer um álbum não comercial, poderíamos ter feito um trabalho muito melhor'”, completou Thom Yorke, usando o clássico Pet sounds (1966), dos Beach Boys, para comparar. “Ele é um disco pop incrivelmente incrível, mas também é um álbum. Não se encaixa bem no ‘formato’, ou qualquer coisa’, afirmou.

Mas esse texto é só para avisar que alguém com muito tempo livre pegou todo o áudio de OK computer e subiu o disco para o site de filmes pornôs Pornhub.