Quem nunca ouviu direito o grupo eletrônico Soft Cell, conhece pelo menos uma música deles: “Tainted love”. Que não é deles. Foi feita por um músico americano chamado Ed Cobb, gravada originalmente em 1965 pela cantora Gloria Jones e lembrada por eles em 1981. Nessa época, o que o grupo mais precisava era de um bombril na sua carreira, já que, como lembou o cantor Marc Almond num papo com o periódico britânico The Guardian na segunda (20), o grupo era bem mais maluco do que sua regravação de “Tainted” fazia supor. “Éramos mais uma banda eletrônica experimental do que qualquer outra coisa, estávamos mais próximos de grupos como Throbbing Gristle e Suicide do que do Top 40. A gente escrevia melodias pop sobre consumismo e minha voz sempre era filtrada por efeitos robóticos, um troço estranho. Aí decidimos colocar algumas covers no nosso set de shows”.

Uma dessas releituras foi uma bizarra versão eletrônica de “Paranoid”, do Black Sabbath, gravada em 1980. Olha aí.

A releitura que o grupo eletrônico fez do clássico da banda de heavy metal era executada em shows, chegou a ser gravada bem no comecinho da banda, mas só chegou às lojas em 2005 quando lançaram”The bedsit tapes”, compilação de gravações que o Soft Cell fez na época em que estava contratado pelo selo independente Some Bizzare (o nome se escreve assim mesmo, com dois “z e um “r”). Olha a capa abaixo.


(pauta chupada do amigo Pedro Só – e do The Guardian)