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Instagram não para de recomendar “Higher”, do Creed – e nem sabe por quê

RESUMO: Higher, hit do Creed lançado em 1999, virou sugestão recorrente de música nos Stories do Instagram. A plataforma admite que há um problema no algoritmo e tenta descobrir como resolvê-lo.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução
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Aparentemente, o Creed está aparecendo onde ninguém chamou. Quem costuma colocar música nos stories do Instagram pode ter esbarrado em Higher, hit lançado pela banda em 1999, entre as primeiras sugestões da plataforma. Até aí, tudo bem. O problema é que a faixa aparece o tempo todo, mesmo quando não tem absolutamente nada a ver com o que está sendo publicado.
A insistência começou a chamar a atenção dos usuários, que passaram a desconfiar de alguma campanha promocional do Creed. Afinal, seria uma maneira e tanto de fazer uma música de quase 30 anos voltar à cabeça das pessoas. Só que, pelo visto, nem o Instagram entende direito o que está acontecendo.
A história foi parar na CNN americana, que procurou a plataforma para saber de onde vinha tanto amor pelo Creed. A resposta foi curiosa: depois de investigar o caso, o Instagram descobriu que Higher estava sendo sugerida a muito mais gente do que deveria. A empresa informou que seus engenheiros estão tentando resolver o problema, mas não explicou o que fez a música ganhar tamanha preferência do algoritmo.
Lançada como primeiro single de Human clay (1999), segundo álbum do Creed, Higher foi o primeiro sucesso do grupo a entrar no Top 10 americano. A faixa voltou a circular com força nas redes sociais nos últimos anos, acompanhando uma onda de nostalgia pelo rock da virada dos anos 1990 para os 2000 e o retorno da banda aos shows, em 2024.
Agora, quase três décadas depois, o Creed conseguiu uma coisa que muita banda adoraria: entrar na trilha sonora da vida de milhares de pessoas sem que ninguém tivesse pedido. Nem mesmo o Instagram.
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Samuel Amaro transforma implicância amorosa em clipe inspirado no city pop

RESUMO: Em Eu ia, Samuel Amaro mistura referências ao city pop e imagens de câmeras antigas para contar uma história de amor reprimido, em que provocar o outro é mais fácil do que admitir os sentimentos.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Lírica Aragão e Pietro Saura / Divulgação
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Implicância também pode ser declaração de amor – pelo menos em Eu ia, música do paranaense Samuel Amaro que acaba de ganhar clipe. A faixa faz parte do álbum de estreia Músicas surpreendentemente comuns, melancólicas e feitas para dormir, e seu vídeo mistura referências de city pop dos anos 1980 com uma história sobre gente que prefere provocar a admitir o que sente.
Filmado em Maringá (PR), o clipe acompanha três tentativas do protagonista de se aproximar de seu par romântico. Em todas, o medo de se expor acaba atrapalhando as coisas. A produção é da Bolinha de Gude Produções, com direção e edição de Lírica Aragão e Pietro Saura, e aposta numa imagem inspirada em handycams e câmeras analógicas.
“A ideia do clipe nasceu para traduzir em imagens essa minha obsessão pelo city pop e essa ponte entre o retrô e o contemporâneo. A história retrata esse amor reprimido, daquela pessoa que se irrita e se opõe a tudo que o outro faz só para esconder o que sente, como a Helga faz com o Arnold no desenho dos anos 90. É sobre se proteger atrás da implicância em cena para não ter que lidar com a própria vulnerabilidade”, explica Samuel.
Eu ia foi gravada no home studio do próprio músico, em Maringá. O esquema caseiro acabou chegando também às filmagens: numa das cenas, a equipe precisou segurar manualmente uma cortina que aparece no cenário porque não havia suporte para prender o varão.
Em atividade desde 2018, Samuel lançou anteriormente os EPs Morno (2020) e Sintoma (2022). O músico também produz sob o nome Qumma, projeto voltado ao lo-fi. Eu ia traz João Manoel, da banda Jovens Ateus, na guitarra, Luiz Júnior no baixo e mixagem e masterização de Maurício Mendes.
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Dizturbia mistura punk eletrônico, stoner e conflitos em single duplo, “Trégua”

RESUMO: Dani Buarque e Fabrizio Martinelli voltam com o Dizturbia em Trégua, single duplo que mistura eletrônica, guitarras pesadas e punk para falar de relações desgastadas, inadequação e alienação cotidiana.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Daniely Simões / Divulgação
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O Dizturbia, projeto de Dani Buarque (The Mönic) e do guitarrista e beatmaker Fabrizio Martinelli (Hateen, Maguerbes, Street Bulldogs), está de volta com o single duplo Trégua. O lançamento traz a faixa-título e Inadequado (Sou um ET) e é o primeiro material da dupla desde o EP de estreia Sabor novidade, lançado pela Deck em 2025.
Dani e Fabrizio vêm compondo juntos há pouco mais de dois anos, conciliando o Dizturbia com seus outros projetos. Nesse período, o material foi se acumulando. “Quando piscamos, já tinham passado todos esses meses, e a gente já tinha 13 músicas feitas e mais umas 10 ideias em andamento”, conta Dani.
Trégua abre uma sequência de seis músicas em português que a dupla pretende lançar antes do primeiro álbum. A faixa nasceu inteira durante uma sessão na casa dos dois, a partir de um beat mais lo-fi criado por Fabrizio, e junta eletrônica e guitarras distorcidas para falar do desgaste provocado por uma relação.
“Ela é especial para a gente. Sou apaixonada pela guitarra que ele fez no refrão, sinto que ela conta a história do jeito dela”, diz Dani. “Sabe aquela sensação de ter um diamante nas mãos, mas sentir o peso de estar em alerta o tempo todo justamente por isso? É quando o esforço para cuidar de algo tão precioso começa a machucar. A música fala desse paradoxo entre o amor e a pressão que o próprio amor pode trazer”.
Já Inadequado (Sou um ET) está entre as primeiras composições do Dizturbia. A música também começou com um beat eletrônico, mas mudou quando Fabrizio resolveu acrescentar mais peso à gravação, chegando a uma mistura de punk eletrônico, stoner e música de pista.
“Talvez seja a mais electro de todas que a gente já lançou”, diz Dani. A letra parte da sensação de não pertencimento para falar de alienação, anestesia coletiva e de uma realidade em que situações absurdas vão sendo incorporadas ao cotidiano. “Se eu pudesse resumir, é uma música sobre como só não ficou maluco quem não entendeu o que está acontecendo”.
A produção das duas faixas é de Fabrizio, mantendo o esquema DIY adotado pelo Dizturbia desde o início. Trégua já está nas plataformas digitais pela Deck.
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Fontaines D.C.: o que já dá pra esperar do álbum “Dopamine chamber”

RESUMO: Em Dopamine chamber, o Fontaines D.C. aprofunda sua transformação com eletrônica, samples, referências cinematográficas e participação de Rosalía. Um disco sobre prazer, alienação e um mundo em colapso.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Elizaveta Porodina / Divulgação
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O Fontaines D.C. nunca falou no trabalho do cineasta maldito Kenneth Anger. Pelo menos não que a gente saiba. Mas olhando para a banda hoje em dia, é difícil não pensar de vez em quando no diretor de filmes como Scorpio rising e Lucifer rising: cores irreais, corpos transformados em personagens, rock tratado como iconografia, beleza e ameaça andando juntas, uma sensação de que algo de errado não está certo.
Uma das próprias fotos de divulgação mais recentes da banda (acima) lembra os truques de imagens – e a capa de Dopamine chamber, próximo álbum do grupo, tem algo a ver com o final do curta Invocation of my demon brother, mas em tons de azul. Será?
Pode ser apenas uma associação. Ou Anger pode ser um ancestral distante desse Fontaines cada vez mais cinematográfico, passando pelo glam, goth, pós-punk, industrial e décadas de videoclipes até chegar ali. O fato é que Grian Chatten (vocais), Conor Curley (guitarra), Conor “Deego” Deegan III (baixo), Tom Coll (bateria) e Carlos O’Connell (guitarra) parecem ainda mais interessados nisso em Dopamine chamber, quinto álbum, que sai em 16 de outubro pela XL.
Cinema, pelo menos, está comprovadamente na receita. No disco Romance, o quarto da banda (2024), Carlos O’Connell confirmou que o teaser do disco foi tirado diretamente da cena do elevador do filme O Iluminado, de Stanley Kubrick. A estética do clipe de Starburster, de Danny Boyle, foi comparada a Trainspotting, embora ali a ideia tenha partido do diretor Aube Perrie. Grian Chatten também já citou o anime Akira, de Katsuhiro Otomo, como referência para o universo visual daquela fase. Agora Marianne, primeiro single de Dopamine chamber, nasce parcialmente de Ripley, série de Steven Zaillian baseada no personagem de Patricia Highsmith.
Só que o cinema agora parece estar entrando também no som. Marianne é enorme, fria e meio decadente. Parece a última música a tocar num salão antes da desgraça, do incêndio, do desastre natural… Algo por aí. E Tongue vai para outro lugar: baixo arrastado, bateria com algo de trip-hop, voz de Chatten alterada por sampler e guitarras usadas mais como ruído e textura. O site Stereogum definiu bem a sensação da faixa como uma espécie de borrão químico e depressivo.
Não é exatamente uma surpresa para quem vem acompanhando a transformação do grupo. A estreia Dogrel (2019) era Dublin quase em estado bruto: poesia, pubs, ruas e pós-punk. A hero’s death (2020) começou a abrir espaços e criar atmosferas. O terceiro disco, Skinty fia (2022), jogou tudo no breu e transformou a distância da Irlanda em assunto. Em Romance (2024), Dublin praticamente saiu de cena e entraram arena rock, breakbeats, shoegaze, grunge, eletrônica e uma vontade assumida de construir outro mundo.
Detalhe: agora nem as guitarras estão garantidas. Conor Curley diz que Dopamine chamber continua exatamente de onde Romance parou, deixando os elementos de banda ao vivo aparecerem apenas quando estes são necessários. Há sintetizadores, samples, triggers, cordas inspiradas pelo pop italiano dos anos 1960 e músicas sem guitarra.
O curioso é que, segundo Carlos O’Connell contou recentemente à revista espanhola Mondo Sonoro, o plano inicial era quase o contrário: fazer um disco simples, com amplificadores, bateria e os cinco tocando juntos numa sala. Eles tentaram. Não funcionou porque a banda que fazia discos daquele jeito aparentemente já não existia.
O que dá pra entender é que o Fontaines não está acrescentando eletrônica ao seu rock. Está tentando readaptar a banda e descobrir o que significa serem eles mesmos hoje em dia. Griann dá uma medida estranhamente precisa para isso. Para ele, Romance era “60% humano e 40% corrompido pela automação e pela perda de sensibilidade”. No novo disco, a proporção virou, já que parece mais “60% corrompido. A máscara está vestindo o rosto um pouco mais”.
Se você precisava de um pouco de esperança, aliás, pode tirar o cavalinho da chuva: a banda avisa que Dopamine chamber veio da necessidade de fazer um disco que soasse “como um alerta catastrófico”. Daí o título. “O álbum em si é uma câmara de dopamina”, diz Chatten. “Você entra e nós testamos essas diferentes peças musicais que alteram a mente ou o humor em você”. Prazer, hedonismo, telas, inteligência artificial, crise ambiental e violência política, tudo junto no mesmo fluxo de informação.
Um detalhe interessante é que Rosalía participa do disco, na faixa Where is gone?, que será a primeira faixa de um álbum do Fontaines com alguém de fora cantando. E a parceria não caiu do céu. O’Connell contou à Mondo Sonoro que é fã da espanhola desde Los Ángeles, seu disco de 2017, e que ele já havia falado com ela sobre fazer algo juntos quando Fontaines e Rosalía tocaram no mesmo palco no festival de Glastonbury, em 2019 – ou seja, bem antes da “Rosalía mania”. A revista compara a faixa aos duetos de Lee Hazlewood e Nancy Sinatra (eita).
Dá pra dizer que Rosalía – homenageada pelo U2 na faixa The mirror maker (Rosalía), de seu próximo álbum Carnaval de luz, previsto para 13 de novembro – foi desmontando tudo até chegar a uma música que pode ser pop, flamenco, clássico, eletrônico, ruído ou tudo ao mesmo tempo. E vai daí que o Fontaines está fazendo algo parecido com o que ela fez, mas com sua própria identidade. Ou seja: faz total sentido que banda e cantora se encontrem numa gravação.
Conor Deegan resume a trajetória de outro jeito: “Nossos álbuns sempre questionaram uma sensação de pertencimento a um lugar. Primeiro Dublin; depois estar longe de Dublin – e então tentar encontrar o romance em outro lugar. Neste disco, a pergunta passou a ser: para onde você foge?”. Vai ver, Dopamine chamber é justamente o disco em que eles descobrem que não existe mais lugar nenhum para onde fugir. Mas agora, só aguardando!
(abaixo, os dois singles já lançados, a capa do disco, e a lista de faixas!)
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LISTA DE FAIXAS:
01. Six shot morning
02. Marianne
03. Mimesis
04. Happy for you
05. Demolition
06. Tongue
07. One man
08. Where is gone? (feat Rosalía)
09. You miss me
10. Japan


































