Connect with us

Som

Rusty Peavy: jazzista de Cristo (!)

Published

on

Rusty Peavy: jazzista de Cristo (!)

Nunca tinha ouvido falar de um cantor chamado Rusty Peavy, e provavelmente grande parte da população do planeta Terra também não. Mas o que interessa é que Rusty, morador até hoje da Califórnia, é um caso raro de cantor de jazz gospel.

Em 1977, ele gravou e mandou prensar o independente Isn’t that just like Jesus, disco em que passa a limpo sua conversão a Cristo. Na faixa-título – a única que dá para achar no YouTube – ele conta da época em que não acreditava em nada, não dava atenção nenhuma à religião (“era cegueira”, explica), até que ouviu o Verbo divino e resolveu se converter. Olha aí.

Ok, não é jazz repleto de improvisos, solos e voos musicais. O som de Rusty (que aparece creditado como “Russ” no selo do LP) tá mais para aquele smooth jazz que volta e meia invade as rádios adultas, os táxis e elevadores. Mas Rusty, apesar de não ter feito sucesso com seu primeiro disco, tomou gosto pela coisa. Tem até um vídeo recente dele cantando na igreja. Olha aí.

https://www.youtube.com/watch?v=_jJ0xyboR18

Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

Crítica

Ouvimos: Os Fonsecas, “Estranho pra vizinha”

Published

on

Ouvimos: Os Fonsecas, "Estranho pra vizinha"
  • Estranho pra vizinha é o álbum de estreia da banda paulista Os Fonsecas, formada por Caio Colasante (guitarra), Felipe Távora (voz), Thalin (bateria) e Valentim Frateschi (baixo).
  • O grupo surgiu em 2019 e lançou o primeiro EP, Fundo de meia, em 2020. Além da banda, os integrantes se dividem em vários outros projetos musicais – Valentim tem uma carreira solo baseada na MPB setentista e Thalin trabalha com hip hop, por exemplo.
  • O selo do grupo é o Seloki Records, definido pela Wire Magazine (na qual eles já foram parar) como uma gravadora “apaixonada por mídia obsoleta, especialmente K7s, e com distanciamento de imagens mercantilizadas de música brasileira”.

Se você quiser uma definição exata pro som da banda Os Fonsecas… Bom, vai ficar querendo. O mais aproximado é dizer que se trata de um pós-punk louco, no melhor dos sentidos, e variado a ponto de se confundir com MPB e psicodelia. Também dá pra dizer que Estranho pra vizinha não vai soar nada estranho para fãs de Mutantes e de Titãs (até 1989), colocando-se com folga naquela estética de rock brasileiro pensado para soar fora dos padrões.

Estranho pra vizinha investe em experimentações rítmicas, letras irônicas (Não peço mais, logo na abertura, já insere o ouvinte no contexto da banda) e influências que vão do punk e do rock sessentista ao jazz. Nessa linha-sem-linha, entram o tom beatle-tropicalista de Olho grego, a quebradeira rítmica e métrica de João e o balanço de Vendaval, logo na primeira metade do álbum.

Fica claro que as diferentes experiências musicais dos integrantes – que vão do hip hop à MPB – dão o tom não apenas das composições como da produção de Estranho pra vizinha, um disco que ainda tem uma pecinha psicodélica cheia de autotune (Pirata), as batidas afropunk de Métrica, o clima de desenho animado de Boca adentro e a MPB pop de Hoje mais cedo, entre outras.

Nota: 8
Gravadora: Seloki Records

  • Apoie a gente e mantenha nosso trabalho (site, podcast e futuros projetos) funcionando diariamente.

Continue Reading

Crítica

Ouvimos: Ugly, “Twice around the sun” (EP)

Published

on

Ouvimos: Ugly, "Twice around the sun" (EP)
  • Twice around the sun é o primeiro EP da banda britânica Ugly. O grupo tem Sam Goater (voz, guitarra), Harrison Jones (guitarra), Theo Guttenplan (bateria), Harry Shapiro (baixo), Jasmine Miller-Sauchella (voz, teclados) e Tom Lane (teclados).
  • O grupo se conheceu na faculdade em Cambridge, e já foi um trio e um quarteto antes de assumir a nova formação. O nome Ugly não tem uma razão específica além do fato da banda ter achado que seria legal subir no palco e falar: “Olá, nós somos feios”. Ironicamente, Sam trabalhou como modelo por um bom tempo.
  • Goater cresceu num lar religioso e ouvia muito Simon & Garfunkel, além de música cristã, em casa, com a família. Em 2019 afirmou que se interessava muito por histórias bíblicas, “porque foram uma boa parte da minha infância”.

Não se iluda com a demonstração técnica de floreios vocais que abre o primeiro EP do Ugly. The wheel, a primeira faixa, inicia com várias vozes a cappella voando pelos fones de ouvido. As vozes do Ugly são realmente belas no disco todo, mas início dá uma ideia apenas parcial do que realmente é essa banda de Cambridge, na Inglaterra – e que por sinal teve que acrescentar um UK ao lado do nome, nas plataformas, por causa de um xará metaleiro norte-americano.

Rapidinho, na mesma faixa (que tem mais de sete minutos), entra uma espécie de pesadelo musicado, que serve de ponte para uma das coisas mais progressivas que você vai escutar em 2024. A canção ganha ritmos quebrados, ambientação sonora que lembra uma mescla de hard rock e sons latinizados (mais ou menos como o Yes ou o Focus) etc. Mas tudo parece meio maníaco e variado, mais próximo de uma variação atual das viagens art rock dos anos 1970 – ou uma espécie de prog que fãs de indie rock e até de punk podem ouvir.

Sha, na sequência, parece um soft rock feito de maneira bem independente, quase para não tocar no rádio – ou tocar numa rádio bem alternativa. Icy windy sky lembra algo entre MPB dos anos 1970, Beach Boys e Steeleye Span, com solos de violão e vocais melódicos e fortes, mas prosseguindo com partículas de ruído em momentos escolhidos. Sherpherd’s Carol é o progressivo mais formal do álbum, e lembra um desvio post-rock da mescla com jazz rock dos anos 1970, que pegou bandas como Yes, Genesis e O Terço. Hands of man abre partindo da sombra do rock dos anos 1990, mas vai ganhando outros tons em seguida. I’m happy you’re here, que encerra o disco, tem tantos momentos diferentes, do folk lo-fi ao som mais viajante e puro, que nem me atrevo a colocá-la num rótulo.

Apesar de ser considerado pela banda como um EP, Twice around the sun tem mais de trinta minutos e seis músicas. Mas já daria para ser tido como um álbum inteiro, até pela quantidade de surpresas contidas nele. É o tipo de disco que não cabe em definições fáceis e que precisa ser ouvido várias vezes.

Nota: 9
Gravadora: Independente.

Continue Reading

Cultura Pop

Relembrando: Built To Spill e Caustic Resin, “Built to spill caustic resin” (1995)

Published

on

Relembrando: "Built to spill caustic resin", Built To Spill e Caustic Resin

Built To Spill e Caustic Resin são duas bandas bem desafiadoras do rock independente norte-americano, ambas vindas de um local pouco usual em se tratando da história do rock (a cidade de Boise, em Idaho), e que permaneceram ligadas por um bom tempo. A primeira, uma multi-formação liderada eternamente pelo músico Doug Martsch, caminhou entre o guitar rock, o punk e o slacker rock (aquele estilo despojado, geralmente usado para classificar o Pavement). A segunda, contando com relativamente poucas mudanças de line-up, dedicou-se a um “metal alternativo” mais próximo de Neil Young, do Grateful Dead e do Velvet Underground do que das noções comuns de música pesada.

  • Apoie a gente e mantenha nosso trabalho (site, podcast e futuros projetos) funcionando diariamente.

Como costuma acontecer com bandas-irmãs, uma delas foi para cantos um tanto quanto diferentes da outra. O BTP, que, durante shows recentes na América Latina, chegou a contar com dois músicos brasileiros (o baixista João Casaes e o baterista Lê Almeida), foi contratado da grandalhona Warner por duas décadas e fez turnês extensas. O Caustic Resin, que não grava desde 2003 e em tese, está em hiato, passou boa parte do tempo contratado do selo indie californiano Alias.

Em 1995, pouco antes do Built To Spill partir rumo a Warner e deixar o selo Up Records, de Seattle (por onde o Caustic Resin também havia passado), as duas bandas se juntaram num EP igualmente lançado pela Up. A junção dos nomes das duas bandas no título fez o EP se chamar literalmente Built to spill caustic resin (“construído para derramar resina cáustica”, em português), o que já dava uma imagem do aspecto corrosivo que a música poderia ter. Na formação, Doug (voz e guitarra) ao lado de dois integrantes do Caustic, James Dillion (bateria) e Tom Romich (baixo), além de um membro comum às duas bandas (Brett Nelson, voz e guitarra).

O EP reúne em quatro faixas as características das duas bandas: os ganchos musicais do Built e as viagens sonoras pesadas do Caustic. Duas das faixas, a irônica When not being stupid is not enough e She’s real, são bem extensas. Na prática, boa parte do material tem até mais a ver com o som que o Built vinha fazendo em sua primeira fase, de discos como a estreia Ultimate alternative wavers (1993), que tinha músicas repletas de partes diferentes. Mesmo quando surge uma música creditada ao Caustic e que tem bastante a cara deles, a psicodélica e gritada Shit brown eyes. O longo power pop She’s real, que encerra o disquinho lembrando uma versão zoada do Weezer, é creditado ao músico e artista visual Tae Won Yu, e foi composto quando ele fazia parte da banda indie Kicking Giant, liderada pela musicista Rachel Carns.

Mesmo sendo um EPzinho independente e, de certa forma, restrito, Built to spill caustic resin teve lá sua cota de problemas. A foto da capa, trazendo ovos de peixe e duas simpáticas larvinhas, teve que ser mudada assim que o autor da imagem descobriu o disco. Já a história da Up Records, que lançou discos de artistas como Quasi, Tad e Modest Mouse, durou até o licenciamento de seu catálogo para a Sub Pop, em 2018.

Continue Reading
Advertisement

Trending