A fase 1973 dos Mutantes só chegou a público 19 anos depois de ela acontecer. Os shows da formação sem Rita Lee, com Arnaldo Baptista (teclados, voz), Liminha (baixo), Sergio Dias (guitarra, voz) e Dinho (bateria), aparentemente, não foram tão marcantes nem quanto os da fase imediatamente anterior, e muito menos em relação aos do período em que Sergio liderou o grupo, com a presença de músicos como Antonio Pedro de Medeiros (baixo) e Rui Motta (bateria).

O único disco gravado pela turma nessa época, o duplo O A E O Z, só saiu em 1992, e já em CD. O álbum foi gravado no verão de 1973 e previsto para ser lançado em abril daquele ano. Em meio a essa demora, teve seu repertório apresentado aos fãs em shows a partir de março – no mês de maio, os Mutantes subiram ao palco do festival Phono 73 para mostrar as enormes faixas do disco. O A E O Z foi sendo adiado e acabou engavetado pela Philips, gravadora da banda, sob a alegação de que não era um disco comercial, o que levou a banda a romper com a empresa. Era um disco bom, mas se tratava de um álbum perdido demais, ácido demais até para os padrões da psicodelia brasuca da época.

Para saber mais dessa e de todas as outras fases dos Mutantes, corra atrás de alguma cópia do livro Discobiografia Mutante, da jornalista Chris Fuscaldo, antes que acabe. Mas esse textinho é só pra avisar que, no YouTube, tem duas pérolas da fase de transição entre o início e o período do disco Tudo foi feito pelo Sol.

Abaixo, uma passagem de som do grupo em 1973, antes de show no Teatro Aquarius em São Paulo, gravada pela TV Cultura. Esse trecho, com uma entrevista com Arnaldo Baptista, apareceu no filme Lóki – Arnaldo Baptista, de Paulo Henrique Fontenelle.

No vídeo abaixo, a transição para a formação “carioca” dos Mutantes, com Sergio Dias, Túlio Mourão (teclados), Liminha (baixo) e Rui Motta (bateria), em 1973, no Ilha Porchat Clube, em São Vicente (SP). Essa formação havia (diz o livro A divina comédia dos Mutantes, de Carlos Calado) estreado em outubro de 1973 no ginásio Cava do Bosque, em Ribeirão Preto (SP). Na relação de músicas que um sujeito levantou no link do YouTube, há uma canção que nunca foi gravada pelos Mutantes (Cada dia pinta um louco mais louco do que eu) e que é citada na biografia de Carlos Calado. Túlio Mourão ainda não estava com seus teclados e tocava só piano acústico nessas apresentações. A foto do vídeo não corresponde à banda e traz Dinho e Arnaldo.

Via A divina comédia dos Mutantes e 1973, o ano que reinventou a MPB.