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Cultura Pop

Quando deu uma baita merda num show de Lou Reed na Itália

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Quando deu uma baita merda num show de Lou Reed na Itália

A Itália sempre amou rock – e durante um bom tempo, foi um país repleto de tumultos. Em 1982, na época da Copa da Espanha (que a terra da bota faturou em cima do Brasil), um show dos Rolling Stones foi oferecido a várias cidades sem sucesso, e acabou num estádio lotado em Turim, marcando a primeira passagem da banda pelo país em 15 anos. A demora para que o show fosse marcado aconteceu porque desde os anos 1970 a juventude italiana estava vivendo uma espécie de febre punk e ativista a seu modo, fazendo protestos em massa, batalhas urbanas com a polícia, ocupando prédios abandonados e criando rádios piratas.

Havia certa confusão – isso segundo o blog History Is Made At Night – sobre o propósito e a natureza desses protestos. O Partido Comunista local chamava os manifestantes de “fascistas”, enquanto eles alegavam que lutavam também contra o fascismo. A polícia não queria saber de onde vinha a história e botava geral pra correr, o que tornava uma simples ida a um show, um acontecimento bastante perigoso.

Foi nessa que ninguém menos que Lou Reed foi fazer uma miniturnê de quatro etapas na Itália, passando por Roma, Turim, Milão e Bolonha. Lou, que nunca tinha ido ao país, estava prestes a lançar o anticomercial Metal machine music e prosseguia divulgando Sally can’t dance. O cantor e compositor judeu estava num período tão conturbado e bizarro de sua vida, que costumava circular por Nova York com uma cruz gamada raspada na cabeça. Não era das melhores épocas para ir a um local em que conflitos aconteciam a rodo.

Quando deu uma baita merda num show de Lou Reed na Itália

Sparato, colpito e bombardato, diz o Google Translator

O primeiro show aconteceria em Roma, mas uma greve dos funcionários do Palácio dos Esportes melou tudo. Lou seguiu para Turim, onde encontraria um público formado por 3.500 pessoas. Lá, um dos rapazes da plateia, meio decepcionado, afirmou que “estávamos esperando por ele em trajes nazistas, com óculos escuros, cabelos loiros muito curtos, algo como Steve McQueen, em vez disso encontramos um garoto quieto, de cabelo encaracolado, que, visto de perfil, se parece com Capello, o jogador da Juventus” (isso saiu no periódico Stampa Sera, de 13 de fevereiro de 1975).

Em Milão a coisa fedeu de vez. O astro Angelo Branduardi abriu a apresentação e, logo depois…

“O fim do mundo foi desencadeado. Grupos de bandidos com os rostos cobertos por lenços, armados com barras e paus, invadiram o salão e o palco, gritando e atacando descontroladamente; enquanto outros jogavam parafusos, pedras, garrafas, latas de gasolina, sacos de plástico cheios de vários líquidos e outros objetos. Duas pessoas feridas, sistemas de som quebrados, cadeiras e cenas devastadas, instrumentos musicais quebrados” (isso saiu no La Stampa, de 17 de fevereiro de 1975). 

Teve mais em Roma, para onde Lou Reed voltou a fim de cumprir a data inicial perdida por causa da greve. Manifestantes exigiram preço mais baixo dos ingressos e distribuíam panfletos reclamando dos “proprietários da música”. Os carabinieri jogaram bombas de gás lacrimogêneo contra o público. Angelo abriu o show, mas em meio a vaias e assobios. Lou Reed mal chegou a cantar, porque a galera debandou. Os jornais dividiam-se em classificar os manifestantes como “a turma da esquerda” ou “neo-fascistas”. O que se sabe é que havia manifestações contra o promotor dos shows de Lou Reed, David Zard, acusado de ter feito um job secreto como torturador. E contra os preços altos das apresentações.

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Bom, os tumultos continuaram no país por mais alguns anos. Em 1977, durante um show de Santana, um grupo de jovens ameaçou interditar a apresentação com uma zona fenomenal se o preço do ingresso não fosse diminuído. Lou Reed retornou à terra de Paolo Rossi outras vezes e em 1984, saiu até um duplo ao vivo, Live in Italy, gravado um ano antes.

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Isolaram o piano de Rock The Casbah, do Clash

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Isolaram o piano de Rock The Casbah, do Clash

Combat rock, último disco do Clash com a formação clássica, saiu em 14 de maio de 1982 (opa, fez 40 anos há pouco) e vendeu muito. Vendeu tanto, que ficou 61 semanas nas paradas americanas, estourou os dois hits do Clash que-todo-mundo-conhece (Should I star or should I go e Rock the Casbah) e levou jornalistas com bastante senso de criatividade a compararem a banda ao Fleetwood Mac (!).

Olhado mais de perto, é um disco ame-ou-odeie, que traz o quarteto inglês tentando fazer com o punk o que a turma do dub fez com o reggae – canções fora do formato canção, letras enormes com ambientação ritmada e “psicodélica”, texturas instrumentais relaxantes (a bela Sean Flynn é um bom exemplo disso).

Mas fica para outra ocasião darmos uma olhada mais de perto em Combat rock. Por enquanto, a pergunta é: já ouviu o piano isolado de Rock the Casbah?

O piano de Rock the Casbah foi tocado, se é que você não sabe, pelo baterista Topper Headon – que além de ser um dos melhores bateristas do punk, tocava piano e criou praticamente a música toda sozinho. Aliás ele tocou quase tudo sozinho na faixa, menos as guitarras. Fez piano, baixo e bateria, aproveitando a ausência dos camaradas durante uma sessão de gravação.

(ei, temos um podcast do Pop Fantasma Documento sobre o Clash)

Os outros três, quando escutaram a música, acharam que já estava tudo mais ou menos completo e só acrescentaram vozes, guitarras, percussão e uns efeitos de gravação. Paul Simonon fez só os vocais de apoio. Joe Strummer deixou a letra original de Headon de lado (que era uma poesia romântica sobre a namorada dele) e, como já vinha trabalhando na frase “rock the Casbah”, criou a letra inteira em cima disso.

Aliás, ao vivo, sem o piano, a música ficava sem parte da graça. Bom, pelo menos no último show da banda, no Us Festival, em 1983 (detalhe: sem Topper na bateria), a canção ficou assim. Procura aí no vídeo, lá pra 8m43.

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Quando Pat Boone gravou Elvis Presley mas não podia citar o nome dele (!)

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Quando Pat Boone gravou Elvis Presley mas não podia citar o nome dele (!)

Tido como a maior ameaça ao reino do colega Elvis Presley, o cantor americano Pat Boone surgiu antes dele no mercado e já era uma estrela quando o cantor de Don’t be cruel ainda era uma promessa. “Agora, quando ouvi que Bill (Randall, DJ) estava trazendo um cantor country cujos discos eu tinha visto na jukebox no Texas, achei que ele estava um pouco louco porque um artista country não seria emocionante para esses adolescentes que queriam rock and roll”, chegou a afirmar Pat, que conheceu Elvis numa loja de meias em Cleveland, Ohio, e declarou ter ficado assustado com a timidez do futuro amigo.

Isso rolou no comecinho da carreira do cantor, quando Pat ainda era também uma novidade e tinha só dois discos de sucesso. Agora corta para alguns anos depois, quanto Pat e Elvis já eram artistas famosos da música e da telona, mas Elvis, para todos os efeitos, era o Rei. “Claro, nunca mais segui Elvis em nenhum programa. Nós nunca aparecemos juntos depois disso”, contou Pat num papo com o fã-clube australiano de Elvis, afirmando também que se tornou amigo de Elvis, e que acreditava que se o cantor pudesse ter tido uma vida mais próxima do “normal”, poderia estar vivo ainda.

Agora, a maior curiosidade envolvendo Pat e Elvis nem era essa proximidade toda. É o fato de que Pat lançou em 1963 um disco com repertório de Elvis Presley mas não podia de jeito nenhum citar o nome de Elvis. Esse aí de baixo.

Pat Boone sings Guess Who? (Pat Boone canta adivinha quem?) saiu quando Pat já havia quase largado o rock. Pouco antes disso, o cantor era casado, mas vivia caindo na farra e bebendo além da conta. Viu o casamento descer morro abaixo. A esposa levou Pat para a igreja católica carismática e ele virou cristão.

O artista passou a se dedicar a discos gospel, em meio a um ou outro lançamento secular, e virou ídolo de um fã-clube bastante conservador. Em 1962 saiu até um Pat Boone reads the Holy Bible, com o cantor firme no mesmo propósito que, anos depois, aqui no Brasil, ajudaria a engordar o caixa de Cid Moreira: ler trechos da Bíblia para lançamento em disco. A propósito, e lógico que nem daria para imaginar outra coisa: Boone apoiou Donald Trump nas eleições presidenciais em 2016, e disse que o candidato seria reeleito em 2020 (não rolou, como é público e notório).

O disco de Pat cantando Elvis surgiu da ideia literal de homenagear o amigo (e, claro, abiscoitar parte do público do cantor). Problemas à vista: Coronel Parker, empresário espertalhão de Elvis, queria um levado enorme pelo uso do nome de Elvis no título. Não adiantou nem Pat alegar que era amigo do homenageado. Restou a ele cortar o nome de Elvis do título e referir-se a ele no texto de contracapa como “Guess Whosley”.

No fim das contas, tudo acabou dando certo. “Tom Parker acabou tirando o chapéu para mim e disse: ‘Bem, você enganou o vigarista. Você superou o traficante, e eu o saúdo’. Mas o álbum foi um dos melhores álbuns que eu já fiz, musicalmente”, disse Pat. Bom, pelo menos ele teve mais sorte do que quando resolveu tirar totalmente a maldade de Tutti Frutti, de Little Richard, e fez uma versão cagada da música.

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Life With Lucy: a última série de Lucille Ball em 1986

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Life With Lucy: a última série de Lucille Ball em 1986

O sucesso de séries como As supergatas, lançada pela NBC em 1985, acabou fazendo com que o mercado televisivo acordasse para uma realidade: o público mais velho queria se ver na telinha, e séries protagonizadas por atrizes e atores mais velhos dava certo. Foi por causa disso que, em 1986, a concorrente ABC decidiu produzir uma nova série com ninguém menos que Lucille Ball, que estava com 75 anos, vinha fazendo poucos trabalhos na televisão e não botava tanta fé na história de que poderia estourar com uma nova série.

Foi daí que surgiu a última série de Lucille na TV, Life with Lucy, exibida por apenas uma temporada, entre 20 de setembro e 15 de novembro de 1986. Pode acreditar: apesar do sucesso de toda a produção anterior de Lucy na TV, o público correu da nova série dela, que teve apenas treze episódios e cinco deles nem sequer foram exibidos. Houve ainda um décimo-quarto episódio na jogada, escrito mas nunca gravado.

A novidade é que a temporada única da série está no YouTube.

Life with Lucy, para quem curte bastidores da TV, era um reencontro de Lucy com vários colaboradores de longa data. A emissora queria que os roteiristas da série M*A*S*H, sucesso na época, fizessem o roteiro. A atriz insistiu que Bob Carroll Jr. e Madelyn Pugh, que trabalhavam com ela há bastante tempo, escrevessem todo o seriado. Mandou contratarem o técnico de som Cam McCulloch, que trabalhava com ela desde a série I love Lucy – e, aos 77 anos e apresentando surdez galopante (!).

No papo abaixo, Lucy apresenta ao público Gail Gordon, um ator veterano e aposentado que havia trabalhado com ela na juventude e que voltava em Life with Lucy.

Life with Lucy, até por causa do controle total assumido pela atriz, não teve interferência alguma do canal. Lucy fez tudo da maneira que queria, e a ABC punha fé que o programa seria um sucesso. Aaron Spelling, produtor da série, viu os números desceram morro abaixo assim que a série foi prosseguindo – algum tempo depois, afirmou que seu erro foi ter deixado a atriz fazer o programa da mesma forma que os clássicos da carreira dela tinham sido feitos, havia muitos anos. Algumas publicações chegaram a classificar Life with Lucy como “o pior programa de todos os tempos”, ou algo do tipo.

Maldade com uma série que acabou sendo o último programa de Lucille Ball e que, ao menos, tem valor histórico. De qualquer jeito, até mesmo o plot da série – Lucille interpretava uma viúva que herdava uma loja do falecido marido e tentava tocar o negócio coma família – parecia um tantinho ingênuo se comparado às séries da época, inclusive no caso das idosas super-poderosas de As super gatas. De qualquer jeito, a série foi lançada inteira em DVD em 2019 e tá no YouTube para quem quiser tirar suas próprias conclusões.

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