Não deixe de ver, ou de pegar do YouTube (tem vários aplicativos e sites para isso), porque pode sumir logo: Theory of obscurity, documentário sobre a banda americana experimental The Residents, dirigido por Don Hardy em 2015, está no site de vídeos com legendas em espanhol. Pega aí.

Conhecer a história dos Residents é defrontar-se com uma lenda vida da corrosão pop: o grupo surgiu na era hippie, num período conhecido pelos happennings musicais, pela psicodelia e por maluquices em estúdio e no palco. Só que foram para o lado oposto daquilo tudo: notabilizaram-se pelas paródias (como no primeiro disco, de 1974, Meet the Residents, uma zoação com o LP Meet the Beatles), pelo humor destrói-tudo e por um som que servia como um adiantamento do pós-punk antes mesmo do punk.

O grupo nunca mostrou seu rosto nos palcos, preferindo máscaras de globo ocular. Apesar de haver muitas testemunhas do começo do grupo (algumas delas dão depoimentos em Theory of obscurity), ninguém consegue ter certeza sobre se a banda teve uma formação variável, sobre se todos os integrantes fizeram parte desde o começo, nem nada disso.

Hoje, sabe-se que um de seus fundadores, o músico americano Hardy Fox, morreu em 2018. Mickey Melchiondo, da banda experimental Ween, conta no filme ter ouvido falar que George Harrison era um dos Residents – até mesmo David Byrne já foi apontado como um dos integrantes. Mas Theory parte do princípio (correto) de que não há uma história de fato sobre a banda, e que muita coisa ainda está para ser descoberta.

O grupo transformou um velho armazém em estúdio logo no começo dos anos 1970 e passou a responsabilizar-se por tudo em seus discos, o que ajudou a manter tudo na discrição. Após os primeiros discos, os Residents passaram a criar coisas malucas e a experimentar – e a rasgar papel quando as coisas não iam bem. Em 1972, começaram a fazer um musical de cinema que nunca foi terminado, Vileness Fats. O grupo gravou mais de quatorze horas de filme para a produção e deixou tudo de lado. Anos depois saiu

No filme, músicos como o organista Roland Sheehan, presente na primeiríssima fase da banda, ajudam a contar a história e recordam o período em que os Residentes faziam muito barulho e performances na frente de plateias perplexas. Além da musicalidade estranha, o grupo ainda começou a criar narrativas completamente malucas envolvendo sua própria história. É daí que vem a tal “teoria da obscuridade” do nome do filme. Além dessa turma que trabalhou com os Residents desde o começo, tem depoimentos de fãs como Les Claypool (Primus).

E esses são os Residents ao vivo em 2017. Curte aí!

Via Alex Antunes