Hoje em dia isso parece coisa de outro mundo. Mas nos anos 1960 e 1970 a demanda por discos era tão grande – e eles eram tão caros – que era comum que gravadoras lançassem versões cover de músicas conhecidas e lucrassem bastante, pelo fato de os discos serem vendidos a preço barato. No Brasil, selos como Fontana, Polyfar, CID e RGE arrumaram motivos para girar em torno disso. E na Europa quem mandou nesse mercado por vários anos, de maneira pioneira, foi uma gravadora chamada Music For Pleasure, que a partir de séries como Hot hits e Smash hits, inaugurou a era das covers de sucessos do pop, gravadas em discos com belas garotas nas capas. Tem um blog lá fora que tá coletando tudo a respeito desses discos. Olha algumas capas aí.

O livro The art of LP, de Johnny Morgan e Ben Wardle, faz piada desse primeiro volume do Smash hits, dizendo que a capa merece o prêmio “O que é isso?”. “Qual é a mensagem envolvida aqui? Sexo produz bebês? As mulheres são frequentemente a mãe de alguém? Mulheres um dia foram bebês?”.

O projeto de regravar canções da moda que envolvia a Smash hits começou bem antes da MFP aparecer na história. Era a ideia de um australiano chamado Bill Wellings, que achou que seria uma boa ideia alugar estúdios pequenos para produzir covers de canções conhecidas. Lançou uma série de compactos chamada Top 6 e conseguiu distribuir tudo, ainda mais quando passou a usar a estrutura do selo Pye, que lançava bandas como Kinks. Mas como era o mercado de LPs que começava a dar grana, ele soltou um LP chamado Top ten spectacular e acabou chamando a atenção da Music For Pleasure, um selinho lançado pela EMI com a ideia de lançar discos a baixo custo. A ideia era que a maioria das capas trouxesse modelos fazendo esportes. Não havia crédito para os músicos, coletados em sessões aqui e ali.