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Lançamentos

Gabriel Ventura lança vídeo de “O arquiteto”, gravado em casa

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Gabriel Ventura lança vídeo de "O arquiteto", gravado em sessão totalmente solo, em casa

O cantor Gabriel Ventura vem lançando vídeos de uma sesssion acústica e bastante intimista (só voz e violão, com ele mesmo cuidando da captação de som e imagem, em sua própria casa). O terceiro vídeo da série sai agora, e é o da música O arquiteto.

“Quando idealizei a session, pensei em gravá-la em casa mesmo. Andei pelo quintal procurando lugares, com a música em mente. A ideia inicial era fazer em cima do telhado, mas tem chovido muito nos últimos dias e não ia ser muito seguro subir em um telhado desse jeito. Esse vídeo foi o mais perto que consegui”, se diverte o músico.

O arquiteto faz parte de Tarde, primeiro disco solo do cantor e compositor carioca lançado ano passado pela Balaclava Records.

Crítica

Ouvimos: Bill Ryder-Jones, “Iechyd da”

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Ouvimos: Bill Ryder-Jones, "Iechyd da"
  • Iechyd da é o quinto disco do britânico Bill Ryder-Jones, co-fundador da banda The Coral, na qual esteve até 2008. É o primeiro disco dele em cinco anos. Num papo com o site The Quietus, ele afirma que o novo álbum tem a mesma energia do seu segundo disco solo, A bad wind blows in my heart (2013), gravado com a filarmônica de Liverpool.
  • O título do disco significa “boa saúde” em galês. Manter a saúde em dia tem sido uma preocupação de Bill, que tem síndrome do pânico e se tornou dependente de remédios durante a pandemia, período em que também teve um relacionamento desfeito. Numa ocasião, passou bastante mal ao misturar remédios com bebida alcoólica, e precisou ser hospitalizado – seu amigo Anthony, homenageado no álbum com Thankfully for Anthony, passou em sua casa e o levou.

Iechyd da, novo álbum do cantor britânico Bill Ryder-Jones, talvez apresente a primeira homenagem de um artista estrangeiro a Gal Costa. E que homenagem: I know that it’s like this (Baby) é um folk-rock orquestral, doído de tão melancólico, feito em torno do refrão de Baby, de Caetano Veloso, na versão da cantora baiana gravada em seu epônimo primeiro álbum solo (1969). O refrão “baby, eu sei que é assim” acomoda-se à faixa, e o próprio nome da cantora é citado na letra – como corruptela da palavra “girl”, mas como referência forte no verso “Gal, se você estiver ouvindo, há algo que você deveria saber/eu sei que é assim”.

I know that it’s like this é só o começo de um álbum que soa como um verdadeiro mergulho na música e no imaginário de Bill, um compositor bastante influenciado pelos anos 1960 (Beach Boys, Van Dyke Parks, Mutantes), um cantor na mesma escola rouca de Mark Lanegan e J Mascis, e um letrista que varia entre tristeza, romantismo, otimismo e cinismo em escalas quase iguais. Tanto que Iechyd da fala bastante de recomeços e de esperança, passeando por várias lembranças de bandas queridas de Bill nas letras (como o verso “caminhei a noite toda até a lua assassina”, citando The killing moon, do Echo and The Bunnymen, de This can’t go on).

O som de Iechyd da vai além do “rock adulto” e, em vários momentos, traz curiosas lembranças do pop de rádio dos anos 1960 e 1970. Não fosse pelos vocais graves e quase mastigados, This can’t go on daria uma bela canção de rádio AM ou de trilha antiga de novela, graças às cordas e à presença de um vocal operístico – embora a letra tenha versos impublicáveis como “quero foder, preciso de um pouco de cuidado/preciso disso agora, quero diversão”.

O lado beach boy do disco surge nas belas e sobrenaturais Christinha e We don’t need them. Um clima análogo ao country rock do começo dos anos 1970 aparece em faixas como If tomorrow starts without me e I hold something in my hand. E um lado bem mais introspectivo aparece nas baladas de piano A wind blows in my heart pt 3 e How beautiful I am. A primeira fala sobre o fim de uma relação disfuncional, em que uma pessoa só procura a outra quando precisa dela. A segunda é um reforço na autoestima de Bill (“ela me diz o quão bonito eu sou/eu penso nisso o tempo todo”).

A preocupação evidente de Bill foi a de fazer um disco belo e emocionante, do tipo que pode fazer chorar – e pode dar alento. No final, Thankfully for Anthony, sua homenagem a um amigo que o ajudou na época em que mais precisou de pessoas do seu lado, complementa a mensagem esperançosa do álbum.

Nota: 9
Gravadora: Domino

Foto: Reprodução da capa do álbum.

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Crítica

Ouvimos: Sonic Youth, “Walls have ears”

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Ouvimos: Sonic Youth, "Walls have ears"
  • Walls have ears é a “oficialização” de um disco pirata do Sonic Youth, lançado originalmente em 1986, e que traz uma coletânea de shows do grupo na Inglaterra.
  • No disco, as faixas de 1 a 7 foram gravadas em 30 de outubro de 1985, em Londres. A faixa 8 foi gravada ao vivo em 8 de novembro de 1985, em Brighton. Da 9 a 17, tudo foi gravado em Londres em 28 de abril de 1985.
  • Na época, o Sonic Youth tinha Lee Ranaldo (guitarra, voz), Thurston Moore (guitarra, voz), Kim Gordon (baixo, voz) e Bob Bert (bateria).
  • Separado desde 2011, quando Kim descobriu um caso extra-conjugal de Thurston (tal fato acabou com a banda e, claro, com o casamento dos dois), o SY vem fazendo alguns lançamentos “póstumos”. A banda já lançou um disco com um show em Moscou em 1989 e uma apresentação em Chicago em 1995, por exemplo.

O Sonic Youth lá por 1985, quando ainda era um prodígio do rock independente norte-americano, e especializava-se mais em táticas de choque musical, era uma banda bem diferente. O SY nunca deixou de ser uma banda que usa o barulho pra se comunicar, mas era um grupo mais ruidoso, mais provocador, com uma política mais demolidora – expressada no terceiro disco, Bad moon rising, um ataque às obsessões dos Estados Unidos e à história do colonialismo, e até hoje um dos álbuns mais instigantes do grupo.

Justamente por isso, vá com calma a Walls have ears, álbum pirata com gravações de 1985 feitas na Inglaterra, lançado oficialmente apenas agora. É basicamente uma onda meio no wave meio pré-punk, tirada diretamente do palco para vinil, CD ou plataforma digital – e com estridência suficiente para assustar quem ouve de fone, e para atordoar quem ouve tudo no volume máximo.

O noise rock que o grupo fazia nessa época, pode acreditar, veio de uma decisão comercial – o grupo fazia um som bem mais anticomercial ainda, e decidiu chegar perto do experimentalismo “novaiorquino”, com ligeiras tendências a soar próximo também das bandas de Detroit (o terror espacial de Starship, música de 1969 do MC5, parecia ter dado o tom de boa parte das músicas do SY nessa época).

Já que uma música do clássico Kick out the jams, do MC5, foi citada, vale dizer que Walls have ears, assim como o disco da banda pré-punk, começa com um falatório – na verdade, um discurso de dois minutos do punk norte-americano Claude Bessy, reclamando que o selo britânico Rough Trade se recusara a lançar um disco do SY na Inglaterra por causa de sua capa, considerada obscena. Na sequência, o repertório da fase inicial da banda surge entre aplausos e vinhetas, incluindo Kill yr idols, I love her all the times, Death Valley 69, a barulheira de Brother James, em versão bem mais furiosa do que a registrada em disco.

O Sonic Youth estava começando sua carreira como uma espécie de cópia em negativo de Bruce Springsteen, um artista que por mais que seja crítico em relação à sua terra, transpira orgulho. O SY, por outro lado, se dedicava a mexer em fantasmas norte-americanos dos mais esquisitos, e a incomodar quem ainda tinha um pouco de esperança no futuro do país. Virou um baluarte do rock alternativo (título dado a eles pela MTV) e um farol para muitas bandas novas – foi por vários anos um grupo alternativo que havia sobrevivido numa gravadora de porte, a Geffen. É a história contada, em seu começo, aqui.

Nota: 8
Gravadora: Goofin’ Records

Foto: Reprodução da capa do álbum.

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Crítica

Ouvimos: Brittany Howard, “What now”

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Ouvimos: Brittany Howard, "What now"
  • What now é o segundo álbum solo da cantora norte-americana Brittany Howard, que começou como vocalista da banda Alabama Shakes. O disco é a estreia dela na Island Records, e foi produzido por ela e Shawn Everett.
  • Como o Alabama acabou, oficialmente Brittany hoje é só uma artista solo – mas ela também é vocalista do Thunderbitch, projeto de rock que lançou só um disco em 2015 e fez poucos shows.
  • Jaime, estreia solo dela, havia saído em 2019. Para Brittany, esse espaço de tempo é fundamental. “Quando faço discos, gosto de aproveitar o tempo, geralmente três anos. Geralmente é esse o tempo que levo para experimentar a vida e aprender algo ou crescer de alguma forma”, contou aqui.
  • O disco tem um “interlúdio” de 30 segundos em que a escritora Maya Angelou lê um trecho de seu texto A brave and starting truth.

Tem muita coisa em Brittany Howard que lembra o artista-tema do episódio mais recente do nosso podcast, Prince. E não apenas no som. Por mais que What now seja um álbum musicalmente exuberante, como se tivesse passado pelas mãos de pelo menos mais uns quatro produtores, o método de trabalho dela soa tão artesanal e autodeterminado quanto possível. Ela produziu tudo ao lado de Shawn Everett, compõs quase tudo (há parcerias em apenas duas das doze faixas), dividiu-se em vários instrumentos e também foi para trás de si própria no estúdio, cuidando da gravação e da mixagem.

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A musicalidade de What now é justamente marcada por esse clima de “um olho no peixe, outro no gato”. Ouvindo, dá para imaginar perfeitamente Brittany fazendo experimentações com a mixagem de sua voz, mexendo em texturas musicais, acrescentando detalhes e pensando quase todo o tempo como produtora. Não por acaso, o álbum, mais até do que a estreia solo Jaime, de 2019, foi para um lado mais psicodélico e mais “estranho” (no bom sentido). E tão belo quanto o disco anterior, só que bem menos classificável por rótulos.

What now se localiza num corredor por onde caminham desde o funk rock do Funkadelic (especialmente no tratamento psicodélico dos arranjos, e nos vocais de faixas como Earth sign) até boa parte do lado mais romântico e existencial do pop dos anos 1960/1970 – uma onda que passa por Marvin Gaye, Terry Callier, Diana Ross, Minnie Ripperton (a contemplativa To be still), Carpenters, Cassiano, David Bowie.

No disco, I don’t soa como uma faixa perdida de uma trilha de novela dos anos 1970 (Bandeira 2, talvez). A faixa-título tem balanço de neosoul dos anos 1990, mas tecnologia dos dias de hoje – e riff de guitarra distorcido. Red flags tem algo de música brasileira e árabe, nas batidas e nas linhas vocais, com letra falando sobre quando os sinais de toxicidade de um relacionamento passam despercebidos.

O mesmo assunto surge no jazz-gospel selvagem Power to undo, faixa que soa como a maior herdeira de Prince no disco: “você tem o poder de destruir tudo que eu quero/mas não vou deixar que faça isso (…)/você tem o poder porque eu o dei a você”. Samson, a faixa mais longa do álbum (5:17), une jazz, r&b, discretas batidas eletrônicas, e é quase instrumental, com um solo de trompete que ocupa quase metade da música. Não é o forte do álbum, mas uma recordação rápida (e distorcida) da house music tem lugar em Prove it to you, uma das melhores de What now. Um disco que soa como um furo no futuro, ou no passado – a audição é marcada pelo encontro dos dois.

Nota: 9
Gravadora: Island

Foto: Reprodução da capa do álbum.

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