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Carro que pertenceu a Ringo Starr vai a leilão

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Carro que pertenceu a Ringo Starr vai a leilão

Como dizia aquela velha canção de John Lennon e Paul McCartney, “baby, você pode dirigir meu carro?” (sei). E agora bem que Ringo Starr, baterista dos Beatles, poderia dizer o mesmo. A casa de leilões Bonhams pôs debaixo do martelo um Mini Cooper ‘S’ de 1966 que já foi dele. E o carro sofreu algumas adaptações para que Ringo pudesse guardar sua bateria no porta-malas.

Carro que pertenceu a Ringo Starr vai a leilão Carro que pertenceu a Ringo Starr vai a leilão

Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

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Pequeno Imprevisto: um selo cheio de assunto

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Pequeno Imprevisto: um selo cheio de assunto

O selo paulistano Pequeno Imprevisto não quer ser apenas uma gravadora. Montado com o jornalismo no DNA, ele se apresenta como uma plataforma de histórias, na qual cabem um site bastante informativo, e vários outros projetos, como canal de vídeo e podcast. Além de vários novos lançamentos – como o disco novo de Flavio Tris, do qual o Pop Fantasma falou na semana passada. Fomos bater um papo com Eduardo Lemos (jornalista e pesquisador musical) e Otavio Carvalho (músico, compositor e produtor), os criadores do selo, para descobrir como é ter uma gravadora que, além da música, põe o foco em novas ideias para divulgar música.

O site de vocês é bem informativo e funciona como um site de conteúdo mesmo, com informações sobre as bandas/artistas, notinhas, etc. Como chegaram a essa riqueza de conteúdo?

Eduardo Lemos: Eu sou jornalista e eu sempre comentava com o Ota como estavam acabando ou diminuindo drasticamente os espaços para um bom jornalismo sobre música. O Ota, como músico, sempre deu muita importância para a imprensa, ele sempre mostrou entusiasmo com isso. Daí a gente chegou na ideia de “vamos fazer isso a gente mesmo”, ou seja, que o selo poderia ser ele próprio um veículo jornalístico, dentro das nossas limitações, é claro.

Fizemos algumas reportagens exclusivas, com pauta, apuração, entrevistas e edição assinadas por nós, como uma matéria sobre como outros países estavam ajudando os músicos no começo da pandemia, de autoria da jornalista Carime Elmor; uma outra sobre a relação afetiva dos músicos com seus instrumentos musicais, assinada pelo jornalista Alfredo Araújo. Também criamos séries em vídeos como Uma canção para salvar o mundo, especialmente para o YouTube, e o nanopodcast, episódios de até 1 minuto sobre os nossos lançamentos, feito para o Instagram. Estamos nos preparando para investir mais nisso em 2022.

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Queria saber um pouco sobre o que vocês andavam fazendo antes do selo.

Otávio Carvalho: Eu e Edu nos conhecemos em 2014, numa entrevista que ele estava fazendo para o Azoofa e já de cara descobrimos diversas afinidades e começamos a trabalhar juntos em diversos projetos. Eu sou sócio da produtora de áudio/estúdio Submarino Fantástico, trabalho compondo trilhas para streaming, TV e cinema, produzo e mixo discos, toco com minha banda Vitrola Sintética e acompanho os artistas Paulo Miklos, Gustavo Galo e Meno Del Picchia. O Edu é jornalista musical, tem uma empresa que trabalha conectando música e marcas, outra que faz comunicação de artistas, já produziu diversos shows, criou o projeto Nick Drake Lua Rosa, em homenagem ao Nick Drake…

Enfim, nossos universos são muito amplos e tínhamos mais ideias que queríamos colocar no mundo e descobrimos que um selo poderia ser um caminho, tanto para ajudar artistas a colocarem e sustentarem suas obras no mundo, quanto para abrigar nossas loucuras.

Além do site, o que mais vocês estão pensando para levar as propostas do selo adiante? O site do Pequeno Imprevisto fala em cursos, publicações impressas, etc.

Eduardo Lemos: Pois é. O maior motivo da gente ter criado o selo, a ideia que nos fez entender que o selo poderia fazer alguma diferença, é a de que os lançamentos musicais (discos, EPs, singles) tem uma vida útil cada vez menor, tudo fica velho num piscar de olhos, e todo aquele trabalho que o artista levou meses, às vezes anos para construir, e que ele investiu uma grana, de repente deixa de ser interessante para o público, a imprensa, os contratantes de shows. Como fazer essa vida útil ser maior? Com cada artista, a gente faz esse exercício de “tá bom, o disco sai tal dia e a estratégia é essa, mas o que vamos fazer para manter esse disco vivo depois?”.

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Na nossa visão, criando oportunidades para que estes trabalhos continuem vivos depois de lançados. Com o Gustavo Galo, por exemplo, nós criamos um curso chamado Eu quero mesmo é isso aqui, em que ele ministra aulas sobre a relação entre a poesia e a música. Com o Luiz Gabriel Lopes e o Lucas Gonçalves, criamos eventos no zoom em que eles puderam receber os fãs e trocar ideias sobre os discos que eles haviam acabado de lançar. Para a Cao Laru, fizemos uma série de podcasts.

Como o lançamento de um disco ou de um artista do selo é pensado e trabalhado?

Eduardo Lemos: Às vezes, o disco chega pronto pra gente, foi o caso com o Flavio Tris (Vela) e o Juliano Abramovay (Amazonon). Em outros casos, nós participamos da direção artística do álbum, às vezes atuando na própria gravação, como rolou com a Cao Laru (Libre), que gravou o disco inteiro no estúdio do Ota, e Luiz Gabriel Lopes (Presente), que o Ota masterizou as faixas.

Uma vez com o disco pronto, a gente começa a definir as estratégias de lançamento, que basicamente se dividem em (1) datas: discutir com o artista qual será o primeiro single e quando ele será lançado, se haverá um segundo e qual será esta data etc e quando o álbum sai completo, e se será apenas digital ou físico; (2) imprensa: escrever release, selecionar fotos e vídeos de divulgação, definir com quais jornalistas vamos falar e qual será a abordagem; (3) streaming: reunião com a distribuidora para falar sobre o lançamento, pensar sobre possíveis playlists que se encaixam no perfil daquele disco ou single, fazer o upload deste conteúdo na plataforma e acompanhar o trabalho deles; (4) ações paralelas: aqui, depende do que cada artista precisa. Alguns precisam de um apoio maior na comunicação, então a gente chega junto com ideias e produções. Outras vezes, é o caso de viabilizar um LP. Aí é caso a caso mesmo.

Há quem reclame do excesso de lançamentos que chegam hoje às plataformas, que muitas vezes não dá tempo de lançar e trabalhar tudo… Como vocês veem isso?

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Eduardo Lemos: Alguém me deu um número esses dias, tipo 40 mil novas faixas entram no Spotify todos os dias. A probabilidade de a sua música virar uma gotinha neste oceano é enorme. Como aprendi com a pesquisadora e consultora Dani Ribas, cada artista hoje está disputando a atenção do público não só com outros artistas, mas também com o Instagram, com o TikTok, com a Netflix, enfim. Não há saídas fáceis para uma guerra deste calibre, mas com certeza não lançar música não é uma saída.

Arriscaria dizer que o caminho mais seguro, neste momento, é fortalecer a relação com seu público, seja ele formado por uma, dez, mil ou 5 milhões de pessoas, e criar novas formas de atrair gente para ouvir o seu trabalho, seja por meio de vídeo, áudio, cursos, shows. E, sempre, sempre, tentar fazer as coisas com antecedência, pensando com atenção cada etapa deste lançamento. Apenas colocar um disco no mundo é implorar para ele virar a gotinha do oceano.

Às vezes, a gente ainda sonha que existe aquele ouvinte ideal, que vê o post no Instagram anunciando o lançamento do álbum, para tudo que ele está fazendo, apaga as luzes, abre um vinho e coloca o disco pra rodar. Ou que a gente não precisa fazer nada, basta colocar o disco no mundo e as pessoas o entenderão naturalmente. Talvez uma ou duas ainda façam assim – e meu muito obrigado a elas! -, mas se o artista quer que o seu trabalho seja financeiramente sustentável, ele precisa atingir mais do que uma ou duas pessoas.

Vocês pensam em investir em formato físico também?

Otávio Carvalho: Sim! É onde temos focado um pouco da nossa energia para 2022. Nós fizemos um vinil do disco Libre da Čao Laru em parceria com a banda, e acabamos de produzir uma fita cassete comemorativa dos 15 anos de carreira do Luiz Gabriel Lopes. Agora estamos planejando outros formatos para o físico, que não só os convencionais.

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No que a pandemia afetou os rumos do selo?

Eduardo Lemos: É até engraçado isso: o selo nasceu oficialmente no final de fevereiro de 2020. 15 dias depois, o Brasil entrou em lockdown. Daí a gente brincava que Pequeno Imprevisto era um nome bastante conveniente pra situação… Rs! Alguns planos foram por água abaixo. Inicialmente iríamos vender alguns shows dos artistas, atuando especialmente no booking de shows de lançamento; havia um desejo de fazer eventos do selo ao ar livre e até um
festivalzinho nosso em algum momento. Na pandemia, fizemos lives com o Lucas – que lançou o Se chover; via show no Youtube – e algumas ações no Zoom e no Instagram. Também optamos por seguir em frente com alguns lançamentos, como o Libre e o Se chover – na época havia muita dúvida se valia a pena esperar a pandemia “acabar”.

Mas acho que uma das coisas mais legais que fizemos foi o projeto Singles Imprevistos, em que juntamos artistas que nunca haviam gravado juntos para fazer isso à distância, cada um da sua casa. Virus uniu André Abujamra e
Cao Laru, Pedido trouxe Lucas Gonçalves, Amarelo, Biel Basile (do Terno) e Zé Ruivo.

O quanto Paralamas do Sucesso é uma banda importante pra vocês? O selo já chegou até eles? Eles já souberam da homenagem?

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Otávio Carvalho: Nós dois somos apaixonados pela obra dos Paralamas do Sucesso e essa foi a primeira conexão entre nós. No dia em que nos conhecemos. Mostrei para o Edu uma versão da música Trinta anos, que fizemos com o Vitrola Sintética, no ano em que Os Paralamas fazia trinta anos e nós, integrantes do Vitrola, também. Isso foi com menos de meia hora de papo e esse papo se estende até hoje.

Eduardo Lemos: Eu trabalho com os Paralamas desde 2008, como responsável pela comunicação digital deles, junto com o jornalista Rafael Michalawski. Sou fã deles desde os cinco anos, quando minha mãe conta que eu ouvi o Big bang, e ficava pedindo pra ela colocar o disco pra tocar infinitas vezes. Passei minha infância, adolescência e início da vida adulta completamente obcecado pela obra da banda e do Herbert solo, e ainda sou. Quando rolou a ideia do selo, eu brinquei com o Ota de que o nome teria que vir dos Paralamas. Fiz uma lista com diversas palavras que estão espalhadas nas músicas deles, e de títulos de canções. Ali eu já tinha escolhido emocionalmente o que eu queria: Pequeno Imprevisto (da música Um pequeno imprevisto).

Mostrei pro Ota, ele leu a lista e me falou: “Curti muito um nome: Pequeno Imprevisto”. Era pra ser. Eu nunca comentei oficialmente com eles: “Olha, eu tenho um selo cujo nome é uma homenagem a vocês”, mas acho que nem precisa… Rs! O que eu acho mais legal disso tudo é que o Herbert fez essa música quando ele tinha a idade que eu e Ota tínhamos quando criamos o selo, e a ideia que a letra traz – o completo ridículo que o ser humano passa por tentar controlar as coisas – se conecta tanto com o momento em que estamos vivendo.

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Fanzine virando biblioteca, oficina e objeto de estudo em Macaé (RJ)

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Fanzine virando biblioteca, oficina e objeto de estudo em Macaé (RJ)

Se tem gente por aí dizendo que os fanzines são uma mídia antiga e que as pessoas só querem saber de internet, é uma excelente oportunidade para essa pessoa conhecer a turma do Projeto IFanzine, conduzido pelo designer e cartunista Alberto Carlos Paula de Souza (o popular Beralto) no Instituto Federal Fluminense campus Macaé, Rio de Janeiro. Desde 2013, o projeto promove oficinas de fanzine e quadrinhos, e em 2017 passou a ter uma fanzinoteca, para abrigar tanto o acervo local quanto o de outros autores.

O IFanzine tem também produção própria: o zine Peibê, surgido em 2016, que já ganhou até prêmio (o Troféu Angelo Agostini na categoria fanzine). A sede da fanzinoteca tem abrigado trabalhos, mostras, encontros entre alunos e fanzineiros, além das oficinas. E fomos lá bater um papo com o Beralto pra saber o que eles andam fazendo.

Como começou seu relacionamento com os fanzines?

Nos anos 1980. Conheci o primeiro, o Notícias dos Quadrinhos do Ofeliano Almeida, do Rio de Janeiro. Daí me encantei com o mundo dos zines, especificamente os zines de quadrinhos, que é a minha praia. Daí publiquei meus quadrinhos em vários zines da época, Mutação (RS), Politiqua (RS), Aventura (RJ), Marca de Fantasia (PB), Hiperespaço (SP), etc.

Aliás, como começou a estudá-los e colecioná-los?

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Bom, o primeiro zine foi apresentado por um professor na época do ensino médio. Também as revistas Calafrio e Mestres do Terror da Editora D’Arte tinham uma sessão de cartas com anuncio de zines e daí, achando os primeiros zines, a gente achava o fio de ariadne pra transitar e interagir na nossa mídia social analógica.

Já estudar zine ou aplicá-lo na educação foi há cerca de 13 anos, quando comecei a trabalhar como servidor no Instituto Federal Fluminense campus Macaé RJ, uma escola pública da rede federal de ensino profissionalizante. O projeto de zines é uma ação de extensão acadêmica. Nesse contexto começamos a resgatar a paixão pelos zines nesse ambiente do ensino e aprendizagem e vem dando certo, a ponto de termos conseguido em 2017 um espaço físico para montar uma Fanzinoteca.

Fanzine virando biblioteca, oficina e objeto de estudo em Macaé (RJ)

Beralto (esq.) durante oficina de fanzine em escola pública

Como foi que os fanzines chegaram ao Instituto Federal Fluminense?

A partir dessa nossa proposta de oportunizar para os estudantes a proposta Do It Yourself de customizar a mídia tátil com o jeito livre, expressivo e autoral. E ao mesmo tempo apresentar aos educadores o zine como uma ferramenta acessível como estímulo à produção textual e como ferramenta avaliativa.

Fale um pouco sobre o impacto que o projeto provocou no universo dos fanzineiros. Muita gente procura vocês?

Na nossa região circulamos pelas escolas públicas promovendo oficinas de zines e em eventos culturais, eventos de rua e eventos acadêmicos. Fizemos oficinas para idade de 8 a 80, (sem exagero) e para público de ensino fundamental à pós-graduação.

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A partir da criação da Fanzinoteca passamos a receber também a visita de caravanas de estudantes, que não vêm apenas para conhecer a casa dos zines, mas conhecer a escola como um todo, mas a Fanzinoteca passou a fazer parte do tour dos alunos potenciais candidatos do processo seletivo de ingresso na escola. Os jovens com aptidão para as artes ficam encantados.

Quanto à comunidade zineira, desde a criação do projeto em 2013 temos feito parcerias, e temos recebido doações generosas de autores e aficionados da cultura zineira. E somos muito gratos à comunidade zineira por todo apoio. Temos realizado também a Mostra Peibê de Zines e Publicações Independentes que reúne autores veteranos com os novos talentos revelados pelo projeto.

Fanzine virando biblioteca, oficina e objeto de estudo em Macaé (RJ)

Trabalho de língua portuguesa na fanzinoteca

O que você tem guardado na fanzinoteca e como ela pode ser visitada?

A Fanzinoteca tem um acervo atualmente em torno de 3500 exemplares e os zines abarcam a diversidade que o zine contempla, zines de HQ, zines de música, terror e ficção científica, zines de artes visuais, zines de movimentos sociais, zines produzidos por escolas e universidades. Destaque para os zines feitos pelos alunos da escola que, feitos como um espécie de prova alternativa, após atribuição de nota, passam a fazer parte do acervo. É uma ressignificação do processo avaliativo e os docentes de língua portuguesa, espanhol, ingles, história, filosofia e sociologia são os que normalmente demandam o uso de zine nesse contexto pedagógico.

A Fanzinoteca é pública e funciona de segunda a sexta de 13h30 às 16h30, e outros horários podem ser agendados previamente pelo e-mail fanzinotecamacae@gmail.com. Autores de fanzines e publicações independentes podem agendar lançamento de publicações, educadores podem agendar oficinas de zine e visitas coletivas para acesso ao acervo. Como a pandemia estamos com as portas fechadas desde março de 2020, e esperamos retornar no ano que vem em condições seguras assim que possível.

Como vocês fazem para explicar às novas gerações o que é um fanzine, levando em conta que com a internet a novidade da “autopublicação” virou parte do dia a dia de muita gente?

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Justamente por ser o zine uma mídia pré-internet, e por embutir o modo artesanal de fazer e com o jeito analógico de curtir e compartilhar, que faz o zine ser uma novidade para o nativo digital. Pode até haver uma estranheza inicial quando propomos ao jovem fazer um zine nas oficinas, mas logo o pessoal se solta e fazem zines super criativos.

Fanzines ainda têm muito apelo no mundo digital? Como os alunos das oficinas reagem à descoberta de que é possível produzir material físico para leitura com bom conteúdo, muito talento e material caseiro?

O nosso projeto resgata e prioriza esse modo de fazer tradicional do zine, mas não descartamos a veiculação nas plataformas digitais, zine físico e zine digital podem e devem conviver pacificamente. Normalmente lançamos o zine fisicamente e depois disponibilizamos no meio digital. Os zines do projeto Fanzinoteca podem ser acessados gratuitamente no site da Editora Marca de Fantasia através deste link.

Confesso que no começo do projeto senti dificuldades de envolver os alunos, mas tudo foi questão de tempo, até o projeto alcançar visibilidade e, contando com a adesão dos professores, o zine hoje é um fenômeno “viral” na escola. Há pouco tempo descobri que os alunos antes de virem estudar aqui já ficam sabendo que tem um tal de fanzine que os professores usam às vezes como forma de avaliação. Isso é inimaginável porque há 9 anos atrás praticamente ninguém sabia, por aqui, o que é um zine.

E hoje os fanzines estão na internet, em PDF. Como vê mais essa possibilidade?

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Uma das formas possíveis de veiculação, de fazer circular os zines. Inclusive durante a pandemia criamos um repositório de zines digitais. E o link está acessível para quem quiser conhecer os web-zines e zines analógicos digitalizados. Temos contatado antigos faneditores na intenção de pedir arquivos digitais de zines para que essa memória nãos e perca. Inclusive nos oferecemos para digitalizar quando o autor não tem tempo ou recursos para esse trabalho. Eis o link da Zineteca Digital Colaborativa, a ZDC.

Fale da Peibê, a publicação feita pelo projeto. Saíram outras publicações dele?

O zine Peibê é o primeiro e principal zine de nosso projeto. O nome foi sugerido pelos estudantes, referenciando o preto e branco das revistas artesanais normalmente em fotocópia. Ele apresenta a proposta de publicar quadrinhos de estudantes da casa e de veteranos no fanzinato, o que representa uma excelente diálogo intergeracional que ajuda a incentivar os novos autores. Apreciamos muito a diversidade de estilos de fazer quadrinhos com essa proposta livre dos zines, e já publicamos quadrinhos com perfil profissional, até as HQs de homem-palito e rabiscos, ou seja, quadrinhos autorais são muito bem-vindos.

O zine Peibê chegou a ganhar um troféu Ângelo Agostini e foi muito bom como conquista coletiva e pra dar visibilidade ao projeto. O Peibê está no número 7 e a oitava edição está em preparação. Depois dele, outros zines do Coletivo Fanzinoteca foram lançados, como o Traços de Memória, Café Filosófico, Afroindi e outros, sempre trazendo a marca do talento e protagonismo dos jovens estudantes da nossa escola.

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Um papo com o Sakim de Kola: o punk vai à escola e zoa o sistema

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Hugo Panicali (voz), Rafael Cassimiro (guitarra). Vinicius “Krnero” Bordon (baixo) e André Bonini (bateria) são o Sakim de Kola, uma banda punk do interior de São Paulo que tem como missão zoar (muito) o governo brasileiro  atual e o conservadorismo, em canções como Vô mito, Carro do ovo e João Dória experiência. O EP de estreia, Cantigas pedagógicas aprovadas pelo MEC, foi ensaiado e parcialmente gravado no pátio de uma escola pública. Boa parte das letras vêm da vivência do batera André como professor. Os títulos das canções são corrosivos e auto-explicativos: UZI, Universidade Federal do Zap, Ministro da educassão, entre outras.

Aproveitamos o lançamento do EP (que dá o pontapé inicial no selo próprio deles, cujo nome, apropriadíssimo, é Quinta Série Records) e fomos bater um papo com eles para saber como surgiram a banda, o EP e a disposição para sacanear bastante essas figurinhas sombrias do poder (foto: Flávia Silvestrini/Divulgação)

Como a banda se formou e como é a cena da cidade em que vocês se formaram?

Hugo: A Sakim de Kola nasceu em 2019, em Santa Fé do Sul (SP). A banda saiu da ideia do André (baterista) e do Rafa (guitarra). Eles já possuíam uma outra banda autoral na cidade, a Cerveza de Litro, que misturava rock com música caipira e letras bem humoradas. Como a banda estava entrando num estado de inércia, eles resolveram montar uma banda de punk, com humor mais ácido e crítico. Eu, Hugo, fui chamado pelo André, que após ter escutado uns áudios meus imitando canções e fazendo umas palhaçadas julgou que eu tinha a versatilidade que ele buscava pra nova proposta. Logo após, chamamos o Krnero, nosso amigo em comum, para assumir o baixo.

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Nosso primeiro encontro para ensaiar rolou em abril de 2019, de onde foram tiradas pela primeira vez Carro do ovo e Vô mito, ambas composições feitas originalmente para a Cerveza de Litro. Uma curiosidade, antes da Sakim, tanto o André como o Krnero nunca haviam tocado seus respectivos instrumentos antes. A partir daí, nossa dinâmica de banda começou a ser construída. Nossa cidade é um reduto conservador, daquelas cidades do interior bem tradicionais, não passando de 30 mil habitantes.

Até o ano de 2017 alguns pequenos shows underground ainda ocorriam por aqui (com certa raridade, mas ocorriam) e, de vez em quando, brotava algum projeto autoral feito por amigos em comum, mas nenhum teve vida longa. O Cerveza por um bom tempo foi a única banda autoral da cidade, até seu fim e o nascimento da Sakim de Kola. Não há algo que podemos chamar de cena por aqui, as pessoas que curtem som underground são as poucas pessoas do nosso convívio, não há mais bandas e tampouco lugar para tocar. Os rolês só acontecem nas cidades ao entorno.

O repertório do disco basicamente foi formado pelas notícias que a gente tá vendo hoje no jornal e na TV. Já pararam pra pensar como vai ser explicar daqui a alguns anos esse momento que a gente tá vivendo? O disco já seria uma boa introdução?

Hugo: Estamos numa fossa histórica tão grande que vai ser um pega pra capar explicar isso tudo pras gerações futuras, haha. A quimera construída pelo conservadorismo moral aliada ao neo-liberalismo e ao fetiche militar vão deixar chagas tão profundas na nossa sociedade que resultará num árduo trabalho para recuperarmos até o mesmo básico já perdido.

Nosso EP reflete uma das faces da tragédia; o desmonte da educação, a desvalorização e repressão dos professores, a alienação dos alunos cujas máximas ambições não passam de um fetiche consumista ao passo em que são criados como futura mão de obra barata, o desdém pela ciência que os conservadores conspiracionistas promovem… Enfim, um disco cuja proposta é expor, de forma ácida e sarcástica, as entranhas desse projeto nefasto implementado no país, neste caso, na área da educação. Certamente um material que conta um pouco do que estamos vivenciando nesse momento da história, seria uma boa introdução, sim, juntamente com diversos outros materiais do meio underground com o mesmo intuito de denunciar toda essa barbárie lançados nesse mesmo período. E tem muita coisa boa por aí!

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As letras têm muito humor ácido e ironia. Como as pessoas que ouviram as músicas receberam isso? Tem gente que ouve fica chocada?

Hugo: Desde o começo a proposta da banda era essa, fazer um som debochado, sarcástico, meio maluco. Isso não reflete só nas letras, mas na nossa própria sonoridade, na fusão de gêneros do meio punk que resultam na nossa identidade. Até o momento, nunca tivemos grandes problemas com esse tipo de coisa.

Pessoal que já tá habituado com esse tipo de som sacou a proposta direto, até mesmo algumas faixas que antes nos gerava um leve receio por uma possível má recepção, como Educação Moral e Cívica, não nos deram dor de cabeça alguma com más interpretações. A canção Uzi, até o momento, foi a que mais gerou espanto, mas sempre no pessoal que não entende muito a pira do nosso estilo musical, gente de fora da cena, amigos ou familiares nossos. Algumas pessoas não sacaram o que a música quer atacar, acham que é um ode aos tiroteios em escola… pá acabar, haha! Mas quando rola algo do tipo, a gente explica, sem problemas. Como disse, no geral, pessoal sacou nossa proposta, isso nos deixa bem contentes.

André, você é professor. O quanto a vida que você leva na escola influenciou as letras? Como tá sendo dar aula num momento escroto desses?

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André: Trabalhar em uma escola pública possibilita ter uma boa visão de parte da realidade brasileira, principalmente no convívio com os alunos mais carentes. Duas contribuições marcantes dessa vivência são a letra da música Lucasmatheus, que é inspirada nas conversas de adolescentes do nono ano e também a escolha de começar o EP com um som de sirene de escola, o mesmo usado em fábricas, o que diz muito sobre como a educação é vista no Brasil. Lecionar no Brasil nunca foi fácil, mas nesse momento escroto, algumas bizarrices têm se destacado, como vereadores que querem fazer leis estúpidas para interferir no currículo e usar a escola para surfar na onda conservadora e até uma tentativa de transformar em cívico-militar a escola em que trabalho.

E como foi isso do disco ter sido gravado e ensaiado no pátio de uma escola pública? Rolou de aluno da escola terem ouvido as músicas? Tem um coral de adolescentes em Tia Neide, não?

André: Moramos numa cidade bem pequena e por isso não temos estúdios à disposição. Então ensaiar e gravar a bateria na escola foi uma alternativa bem legal já que o espaço é grande e o barulho não chega a perturbar a vizinhança. Somos muito gratos à diretora por isso e até emprestamos nosso equipamento de som para a realização da formatura do nono ano como forma de retribuir.

Os alunos acabam conhecendo as músicas por iniciativa própria, já que só tocamos lá nos fins de semana. Punk rock não está nas preferências musicais dessa geração, mas eles ficam curiosos e curtem saber que o professor toca em uma banda doida dessas. As vozes no final de “Tia Neide” são de alunos meus e foi bem massa essa participação, porque lemos a letra juntos e discutimos o sentido dela antes de gravarem os versos declamados.

Falem um pouco do Quinta Série, o selo que vocês montaram pra lançar o disco. Vão sair outras bandas por ele?

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Hugo: O Quinta Série Records, inicialmente, foi uma iniciativa nossa para lançar os sons da Sakim e de outros projetos que nós, os integrantes, pudéssemos vir a concretizar futuramente. Essa ideia tornou-se mais concreta a medida que fomos adquirindo nossos novos equipamentos de gravação, e eu, Hugo, fui estudando pra poder produzir os materiais.

Toda nossa produção é pelo do it yourself, e neste primeiro lançamento pelo selo, todo o processo, do começo ao fim, foi feito de forma genuinamente independente. Não fomos a nenhum estúdio profissional pra gravar e nem pagamos ninguém pra produzir o disco. Isso nos gerou um envolvimento maior, um propósito maior. Foi minha primeira experiência produzindo um material de forma mais séria, o intuito agora é melhorar as habilidades e conhecimentos de produção pra poder, sim, começar a produzir e lançar outras bandas e projetos underground num futuro próximo.

Nosso EP ficou bem legal, ainda que eu saiba que muita coisa ali pudesse ser melhorada, principalmente na parte de masterização. É um processo, é aprendizado que vem com o tempo. Mas sim, minha vontade maior é poder trampar com outras pessoas de fora pra poder concretizar mais e mais projetos e dar voz a outros artistas que tenham essa necessidade de gritar ao mundo suas revoltas. E que viva o barulho!

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