Brian Eno deu uma entrevista para o jornal britânico “The Guardian” explicando suas posições a respeito do presidente norte-americano Donald Trump. Mas achou que suas declarações foram mal-interpretadas e descontextualizadas e decidiu publicar um textão no Facebook sobre o assunto.

“Devo deixar uma coisa absolutamente clara: acho Donald Trump um completo desastre. E Brexit é outro desastre também. Dito isto, o que vejo como o maior desastre disso tudo é que nós que estamos nos Estados Unidos e no Reino Unido – com o resto do mundo incluído nisso aí – vivemos dentro de sistemas políticos que produzem resultados absurdos como esses”.

Continuou: “Minha esperança – a única que tenho, de verdade – é que Trump no seu mandato revele realmente o que ele é, e que o público inequivocamente o rejeite e rejeite tudo o que ele representa: suas polícias horríveis, sua política agressiva contra os imigrantes, sua arrogância, sua infantilidade, suas mentiras, seus preconceitos e sua mente reduzida. Rejeitando Trump, vamos também começar a botar para baixo essa estrutura política, da mídia, completamente maligna. E que nutriu Trump tão amorosamente”.

Mais: “Vemos hoje carreiras políticas construídas sobre mentiras, encorajadas por organizações de mídia, mais comprometidas com receitas e com vendas do que em dar a verdade ao público. É esse sistema inteiro que tem que mudar… Acredito que Trump pode ser não o começo de um longo declínio, mas o fim dele, o turning point. Ele provou sem sombra de dúvida que o sistema quebrou. Vamos consertá-lo”.

Eno, que lançou “Reflection”, seu 26º disco solo, em 1º de janeiro (ouça o álbum, que tem apenas uma música de 54 minutos, lá embaixo), ficou chateado com a maneira como o jornal usou suas palavras. “A matéria usou como headline minha frase: ‘Estivemos em declínio por 40 anos e Trump é uma chance para reprensar’. Não usei as palavras dessa forma, como a leitura do artigo deixa claro. E elas foram tiradas de contexto, particularmente por sites americanos, para dar a entender que apoio Trump”. Antes, Eno havia sido um dos 22 signatários de uma carta de protesto de artistas e intelectuais estrangeiros contra o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

E como tudo aqui acaba em David Bowie, vale dizer que Eno é parceiro do camaleão do rock nessa belezinha aqui.