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Cultura Pop

A música falada de Francisco Cuoco e vários outros

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A música falada de Francisco Cuoco, Marcio José e outros - descubra!

Música falada? O que é isso? Bom, no Brasil, as músicas com declamações viraram uma mania que pegou lá pelos anos 1930 (“O ébrio”, clássico drama de Vicente Celestino, saiu em 1936). E, em seguida, esse tipo de som continuou fazendo sucesso. Um sucesso que durou até… Bom, se bobear dura até hoje.

Há uma porrada de exemplos, vários deles acontecidos na explosão popularesca dos anos 1960 e 1970. Em muitos casos, a canção não chegava nem a ter uma letra. Era no máximo um refrãozinho com um texto declamado, normalmente em tom dramático, lembrando uma novela de rádio.

Aliás, não por acaso, muitos artistas que se especializaram em gravar esse tipo de música falada eram radialistas ou atores. Que, na gravação, declamavam, choravam, riam e faziam o impossível para emocionar o/a ouvinte. E não custa lembrar que certos discos recorriam apenas ao expediente de botar o cantor para ler um texto em cima de um fonograma que já existia. Ou até mesmo de uma música feita em outro contexto. Molezinha.

E já que o Dia dos Namorados está chegando, vá pensando na possibilidade de impressionar seu amor com uma demonstração de romantismo dessas. Das duas uma: ou ela/ele gama de vez, ou você paga um mico fenomenal.

“SE AMAR É VIVER”, ALTIERIS BARBIERO. A Wikipedia jura que se você ouve hoje o Padre Marcelo Rossi, a culpa é desse radialista nascido em Mandaguari (PR). Altieris passou por rádios como a Record (onde desenvolveu carreira como radioator) e ao passar pela Rádio América, pertencente à rede católica Canção Nova, catapultou o padre-cantor ao sucesso. Em 1981, contratado pela Continental, lançou o hit “Se amar é viver”, mais falado do que cantado. E inesquecível.

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“AMO”, FRANCISCO CUOCO. “Hoje senti raiva do mundo/depois senti raiva de ter sentido”. Poderia ser a abertura de uma canção do Nirvana, dos Sex Pistols, dos Stooges. Mas é o primeiro verso de “Amo”, texto declamado por Francisco Cuoco e lançado em disco em 1974.

Na fase de galã da novela das oito, Cuoco lançou vários discos no mesmo estilo de música falada. Por sinal,  num deles, declamava tendo como fundo musical o tema de abertura da novela “Duas vidas” (1976). Se fosse um galã dos tempos de hoje, possivelmente Cuoco estaria preferindo gravar vídeos para o YouTube.

“O TELEFONE CHORA”, MARCIO JOSÉ. Apesar do vídeo dizer que esse clássico é dos anos 1980, nada disso: “O telefone chora”, que tem mais partes cantadas do que declamadas (mas ficou famosa por causa da imitação horrenda de voz de criança, que dialoga com Marcio) saiu em 1976 e é versão de uma canção francesa. Honrando países que têm tradição de canções declamadas, o LP de Marcio é lotado de versões de temas da Itália e da França.

No país campeão da Copa do Mundo de 1982, Domenico Modugno foi responsável por reler a música (dessa vez com uma criança de verdade).

https://www.youtube.com/watch?v=d5VXDr-cz1c

“NÃO TENHO TEMPO”, MARCOS “BABY” DURÃES. Radialista e jornalista de São Paulo, Durães gravou discos nos anos 1970 com músicas declamadas. Um dos mais famosos foi um compacto com textos do produtor de TV Neimar de Barros (braço direito de ninguém menos que Silvio Santos por vários anos), que tinha essa canção aí, “Não tenho tempo”. O texto da música falada continua valendo, por falar de um pai que arruma tempo para tudo, menos para brincar com o filho.

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Se você prefere algo mais heavy metal, recomendamos a gravação de “Patrick meu amor”, feita por Durães e pela atriz Maria Izabel de Lizandra.

“NÃO QUERO VER VOCÊ TRISTE”, ROBERTO CARLOS. E tá aí a onda das canções declamadas chegando ao mainstream – e ganhando ares fofinhos e cool. Só podia ser coisa do Roberto Carlos.

“NÃO TENHO CULPA DE NÃO GOSTAR DE VOCÊ”, ELI CORREA. O “homem sorriso do rádio” declama, pede para não ser chamado de canalha pela mulher que deseja abandonar, e chora.

É triste, mas tem coisa mais deprê: a parceria dele com ninguém menos que Lindomar Castilho, “Marcas na areia”, que você confere abaixo.

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“BALADA PARA UM LOUCO”, MOACYR FRANCO. Se você nunca recebeu uma ligação do Moacyr Franco (a propaganda de telemarketing que ele fez para o Ômega 3 virou meme ano passado), a solução para o seu problema está aí. Isso porque nessa música, Moacyr (que se especializou em verdadeiros psicodramas lançados em compactos) fala de amor ao pé do seu ouvido, chora, ri e incorpora o tal “louco” da letra.

“O CONQUISTADOR”, AGNALDO TIMÓTEO. É, ele também. E mais: o cantor romântico gravou uma cantada em disco. “Sabe… é que você é uma figura maravilhosa, e eu estou alucinado com sua presença. Olha… que tal a gente dar uma volta pra se conhecer melhor? Vamos caminhar, trocar ideias, e quem sabe solidificar uma amizade (…) Talvez você não goste, e ache até que é ousadia, mas eu acho que em minha casa ficaríamos muito mais à vontade”. Rapaz…

“OS DETALHES DE ROBERTO CARLOS”, RUBENS DE FALCO. Em 1980, quatro anos depois de viver o célebre Coronel Leônico em “Escrava Isaura”, Rubens de Falco enfiou-se em um estúdio para declamar letras de 14 canções de Roberto Carlos, acompanhado por um piano elétrico e um sintetizador imitando cordas. O resultado foi um LP de meia hora que também ganhou uma versão em espanhol, chamada “Detalles… de amor”.

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Um detalhe (opa) interessante é que uma das músicas faladas que Rubens declama é a de “Lembranças”, de Roberto e Erasmo mas gravada pela Kátia. Sim, aquela cantora que todo mundo conhece como Kátia Cega.

https://www.youtube.com/watch?v=lO1seDV88FA

PAULO GRACINDO. O ator tinha gravado um álbum em 1956 chamado “Paulo Gracindo apresenta poemas e sonetos de Giuseppe Ghiaroni” (um dos textos, “A máquina de escrever”, foi por sinal transformado em música pelo Barão Vermelho em 2004). Mas quem quer romantismo vai adorar o LP “Paulo Gracindo diz”, de 1975, no qual ele declama letras de músicas como “Chão de estrelas” (Silvio Caldas), “Pra você” (Silvio Caldas), “Viagem” (Paulo Cesar Pinheiro e João de Aquino) e “Preciso aprender a ser só” (Marcos Valle e Paulo Sergio Valle).

(todo o material desse post foi sugerido pelos amigos Pablo Peixoto, do canal Qu4trocoisas, Leandro Saueia, do portal Vagalume, e André Luiz Fiori Teixeira, da Velvet CDs)

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Cultura Pop

Raridade: recuperaram papo de Ian MacKaye para a revista Panacea, em 1994

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Auto-intitulada “a revista brasileira de quadrinhos (e outros bichos)” a revista Panacea fez muitas cabeças nos anos 1990 – na verdade, foi um zine transformado em revista, pela jornalista Gabriela Dias. hoje colunista da Revista Caju. E foi ela quem conduziu um papo com Ian MacKaye (Fugazi, Minor Threat) em 1994, quando o grupo se apresentou no desbravador festival Belo Horizonte Rock Independente Fest (o popular BHRIF).

Encontrar algum número da Panacea dando sopa é complicado – volta e meia aparece algum à venda no Mercado Livre. Em compensação, pegaram a tal entrevista de Ian MacKaye, bateram tudo e subiram no site Issuu. “Em 2003 copiei o texto, diagramei, imprimi e distribui entre alguns amigos. Na época eu não revisei, também não sabia diagramar e muito menos o que era leiturabilidade”, diz a pessoa, que passou horas batendo a conversa.

Na abertura do papo, Gabriela explica que Ian é “obsessivo, gentil, atencioso”, mas “simples, direto e ríspido”. Os dois lados do músico, conhecido pelo mergulho total na atitude punk e pelo “não se vender” levado à máxima potência, ficam bem claros no papo.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Quando Guy Picciotto (Fugazi) cantou enfiado numa cesta de basquete

MacKaye recusa-se a dar conselhos aos repórteres sobre como fazer a cena independente funcionar no Brasil (“vocês não precisam de um americano para dizer como fazer as coisas”, esbraveja) e foge de fazer comentários sobre colegas, mesmo que positivos. Mas diz que Henry Rollins, quando foi cantor do Black Flag, foi roubado pelos donos da gravadora SST. E reclama que as majors, uma tentação a qual o Fugazi nunca cedeu, são ambiciosas demais. “A especialidade delas é pegar um pedaço de merda, dar uma polida e fazer um disco”, diz ele, por sinal amigo de Rollins desde a infância.

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“Não é interessante ser parte de uma major. É chato. Às vezes eu penso: ‘Deus, todos os meus amigos são milionários e famosos, e eu sou este carinha que é fiel ao próprio mundo. As pessoas pensam que uma banda como Rage Against The Machine é que é radical. Como se pode ter raiva da máquina quando se é parte dela?”, prega Ian.

Tá aqui a conversa toda. Leia antes que suma.

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Cultura Pop

Bob Dylan elogiando Madonna

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Bob Dylan elogiando Madonna

Em 1991, Bob Dylan afirmava à American Songwriter que desprezava o pop. O cantor, que tinha lançado um ano antes o disco Under the red sky, elogiou compositores como Brian Wilson e Randy Newman, e disse que ninguém deve se guiar pelas canções de um arista pop. Mas falou bem de ninguém menos que Madonna.

“O entretenimento pop não significa nada para mim. Nenhuma coisa. Você sabe, Madonna é boa. Madonna é boa, ela é talentosa, ela une todos os tipos de coisas, ela aprendeu suas coisas … Mas é o tipo de coisa que leva anos e anos da sua vida para você ser capaz de fazer. Você tem que se sacrificar muito para fazer isso. Sacrifício. Se você quer se tornar grande, você tem que sacrificar muito. É tudo igual, é tudo igual”, disse, rindo.

Bob também fez um comentário bem interessante sobre Jim Morrison quando ouviu que o hoje negacionista militante Van Morrison o considerava o maior poeta vivo. “Os poetas costumam ter finais muito infelizes. Veja a vida de Keats. Olhe para Jim Morrison, se você quiser chamá-lo de poeta. Olhe para ele. Embora algumas pessoas digam que ele está realmente nos Andes”, afirmou.

O repórter da revista perguntou se ele achava que isso era verdade e Dylan saiu fora da resposta. “Bom, nunca passou pela minha cabeça pensar de uma forma ou de outra sobre isso, mas você ouve isso por aí. Pegando carona nos Andes. Montando um burro”, disse.

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Uma revelação que Bob fez no papo é a de que ele prefere, no piano, as teclas pretas para trabalhar. “E elas soam melhor na guitarra também. Às vezes, quando uma música tem uma tonalidade bemol, digamos Si bemol, leve para o violão, você pode querer colocá-la em Lá”, diz. “Quando você pega uma música de tecla preta e a coloca no violão, o que significa que você está tocando em lá bemol, muitas pessoas não gostam de tocar nessas teclas. Para mim não importa”.

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Cultura Pop

Quando Syd Barrett fez resenha de David Bowie

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Quando Syd Barrett fez resenha de David Bowie

A Melody Maker, publicação britânica de música, tinha o hábito de pedir a artistas conhecidos que comentassem lançamentos da época. Em 1967, Paul McCartney chegou a fazer uma resenha (falando bem) de Purple haze, single do Jimi Hendrix Experience. E caiu para ninguém menos que o novato (na época) Syd Barrett analisar um single de um cantor mais novato ainda: Love you till tuesday, de David Bowie.

Segundo a Far Out Magazine, algum emissário da revista visitou o Pink Floyd durante a gravação do single Bike, levou a canção para Syd ouvir e extraiu dele várias opiniões sobre o disco. “Sim, é um número de piada. Piadas são boas. Todo mundo gosta de piadas. O Pink Floyd gosta de piadas”, escreveu/falou o cantor da banda. “É muito casual. Se você tocar uma segunda vez, pode ser ainda mais uma piada”.

A animação de Barrett terminou aí. O cantor ainda disse que as pessoas iriam gostar da letra e de suas brincadeiras com os dias da semana. Mas… “Muito alegre, mas não acho que meus dedos do pé estavam batendo”, afirmou. Ironicamente, Barrett era uma das maiores referências de Bowie em sua primeira fase de carreira, e continuaria sendo uma sombra enorme no trabalho dele por vários anos. Olha Bowie nos anos 1970 cantando See Emily play, do Pink Floyd.

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“Syd foi uma grande inspiração para mim Ele era tão carismático e um compositor surpreendentemente original”, afirmou Bowie em 2006, quando Barrett morreu. “Além disso, junto com Anthony Newley, ele foi o primeiro cara que ouvi cantar pop ou rock com sotaque britânico. Seu impacto em meu pensamento foi enorme. Um grande pesar é que nunca o conheci. Um diamante, de fato”.

Seja como for, nem Love you till tuesday nem o primeiro disco de Bowie, The world of David Bowie (1967) fizeram sucesso algum. E olha que o cantor e seu empresário tentaram, já que saiu até um filme com pequenos clipes do disco. A gente falou disso aqui.

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