Não fazia a mínima ideia disso, mas existiu um musical da revista Mad, lá nos Estados Unidos, e no circuito off-Broadway, para plateias mais reduzidas. The Mad Show teve sua primeira exibição no 9 de janeiro de 1966, no New Theatre, em Nova York. E prosseguiu por 871 apresentações. Não foi um enorme sucesso, mas gerou um álbum lançado pela Columbia naquele mesmo ano. Tem até no Spotify.

A ideia era levar a receita da revista e de suas seções para o palco do teatro. Larry Siegel e Stan Hart, autores da revista Mad com trânsito no humor televisivo, criaram o roteiro. Na hora de fazer a música, chamaram a compositora e roteirista Mary Rodgers. As letras foram escritas por Siegel ao lado de Marshall Barer, Steven Vinaver e Stephen Sondheim.

E teve um musical da revista Mad

Sondheim acabou adotando o pseudônimo Esteban Rio Nido (é a tradução literal de seu nome em espanhol) para assinar uma das canções mais conhecidas do musical, The boy from…, uma paródia de Garota de Ipanema. Não se trata do humor que faria muito sucesso nos dias de hoje, já que a letra fala de uma garota que é apaixonada por um rapaz gay, mas ela mesma não percebe isso. Não era a única paródia do disco. Misery is tirava um pelo de Happiness, do musical da Broadway You’re a good man, Charlie Brown.

Hate song (uma referência ao tradicional Livro do Ódio Mad) volta e meia é recriada em alguns festivais de teatro e de musicais. Tipo esse aí.

E vem por aí um link do musical da Mad com o Brasil, já que o músico e radialista Sérvio Túlio – criador da pioneira banda carioca de música eletrônica Saara Saara – está preparando uma versão em português justamente para The hate song. É a Canção do ódio, que vai para o projeto Kabarett Berlin, que Sérvio divide com o amigo Glauco Baptista. “Ela inclusive cai como uma luva para o momento que estamos vivendo. A minha tradução ainda não está pronta, ainda tenho que acertar umas coisinhas aqui”, conta Sérvio.

“Apesar do Kabarett Berlin ser focado na produção musical dos cabarés alemães dos anos 1920, de vez em quando costumamos fazer um recital ou outro abrindo mais o leque. E incluímos canções de compositores diversos de outros países, que carregam em si essa estética e atmosfera irônica e irreverente dos cabarés. E aí vale tudo, Alvarenga e Ranchinho, Peer Raben, Tom Waits, canções de filmes de Disney, musicais. Até canções novas de amigos que escreveram para nós, como o compositor norte-americano Seth Bedford, que compôs um ciclo de canções contemporâneas de cabaré e nos enviou. Enfim, estamos preparando um recital para tocarmos o que der na telha e o que a gente curte. Claro que The Mad Show não pode ficar de fora”, adianta Sérvio. “Fizemos um projeto de primeiro ir gravando as canções em vídeo, estrear no You Tube e só depois levar ao palco. Certamente faremos isso no inicio de 2019. Até porque o Seth Bedford também vai lançar por lá nos USA os videos com as canções dele”.

Com informações de Masterworks Broadway e Onstageblog.