Para entrar no clima de Low, um dos discos mais estranhos e anticomerciais lançados por David Bowie (há 40 anos!), tem esse texto excelente da Rolling Stone americana, publicado em janeiro. Gravado em parte na França (no mitológico Chateau d’Hérouville) pouco após Bowie produzir The idiot, de Iggy Pop, o disco foi produzido por (e impactado por) Brian Eno.

O ex-tecladista do Roxy Music já vinha trabalhando com climas ambient e letras de criação automática desde seu primeiro disco solo, Here come the warm jets, de 1974. Tony Visconti, que produziu vários dos grandes discos de Bowie, co-produziu Low e trouxe como contribuição uma espécie de pré-sampler: o Eventide Harmonizer, que gravava e alterava sons com a maior rapidez. Sua contribuição para o disco é muitas vezes negligenciada, mas sem Visconti, o álbum não teria sido o que foi.

E essa animação feita pelos The Brothers McLeod mostra um dos momentos mais curiosos do disco. A gravação da influente Warszawa, um trabalho de criação de Eno que Bowie completou com vocais sem palavras. E que acabou lançando bases para o lado negro da força do synthpop. A animação brinca com situações que rondavam a relação de Bowie com Eno e Visconti. Há desde o ciúme atribuído a este último por ser um “co-produtor”, até as brincadeiras entre Eno e Bowie – que costumavam imitar a dupla cômica Derek & Clive (Dudley Moore e Peter Cook) ao conversarem. Quando terminar de ver, ouça Low correndo.

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