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Paulo Tatit, do Palavra Cantada, encara o caos adulto em novo single

RESUMO: Paulo Tatit, conhecido pelo Palavra Cantada, troca o universo infantil pelo caos do mundo adulto em Senso de realidade, single sobre excesso de informação e absurdo cotidiano.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Paulo Tatit passou os últimos 32 anos ajudando crianças a cantar sobre bichos, brincadeiras, palavras e outras coisas que fazem sentido no universo infantil. Agora resolveu olhar para o mundo dos adultos — e, aparentemente, não gostou muito do que viu.
Conhecido pelo trabalho no Palavra Cantada, projeto que mantém há mais de três décadas ao lado de Sandra Peres, Tatit acaba de lançar Senso de realidade, um single que troca o universo infantil por banqueiros, congressistas, ricaços, tia do WhatsApp, crianças e adolescentes. Basicamente, ninguém escapa.
A ideia surgiu enquanto ele tocava violão e começou a pensar na maneira como estamos lidando com o excesso de informação. “Estamos vivendo um momento muito peculiar na nossa civilização. A velocidade da informação faz com que a gente não pare para processar algumas notícias. E, às vezes, parece que normalizamos acontecimentos surreais desses tempos, como se estivéssemos perdendo o senso de realidade”, explica.
O resultado é uma música que trata desse absurdo sem fazer um discurso solene sobre ele. Tatit prefere usar rimas, humor, ritmo e interpretação para montar uma espécie de catálogo dos personagens que aparecem diariamente no noticiário. A graça está justamente em colocar todo mundo no mesmo barco: dos poderosos às pessoas comuns, todos parecem estar um pouco perdidos na realidade.
E há uma certa lógica em Tatit escolher a música para falar disso. Afinal, depois de passar décadas escrevendo canções para apresentar o mundo às crianças, talvez fosse hora de alguém explicar o mundo aos adultos — ou, pelo menos, tentar descobrir o que diabos está acontecendo com ele.
Tatit também produziu a faixa e toca baixo, violão, guitarra e teclados. Karol Preta ficou na bateria, Paulo Garfunkel toca flauta e Lin Torres participa nos vocais. Senso de realidade foi gravada e mixada no YB Studio por Diego Techera.
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Fontaines D.C.: o que já dá pra esperar do álbum “Dopamine chamber”

RESUMO: Em Dopamine chamber, o Fontaines D.C. aprofunda sua transformação com eletrônica, samples, referências cinematográficas e participação de Rosalía. Um disco sobre prazer, alienação e um mundo em colapso.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Elizaveta Porodina / Divulgação
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O Fontaines D.C. nunca falou no trabalho do cineasta maldito Kenneth Anger. Pelo menos não que a gente saiba. Mas olhando para a banda hoje em dia, é difícil não pensar de vez em quando no diretor de filmes como Scorpio rising e Lucifer rising: cores irreais, corpos transformados em personagens, rock tratado como iconografia, beleza e ameaça andando juntas, uma sensação de que algo de errado não está certo.
Uma das próprias fotos de divulgação mais recentes da banda (acima) lembra os truques de imagens – e a capa de Dopamine chamber, próximo álbum do grupo, tem algo a ver com o final do curta Invocation of my demon brother, mas em tons de azul. Será?
Pode ser apenas uma associação. Ou Anger pode ser um ancestral distante desse Fontaines cada vez mais cinematográfico, passando pelo glam, goth, pós-punk, industrial e décadas de videoclipes até chegar ali. O fato é que Grian Chatten (vocais), Conor Curley (guitarra), Conor “Deego” Deegan III (baixo), Tom Coll (bateria) e Carlos O’Connell (guitarra) parecem ainda mais interessados nisso em Dopamine chamber, quinto álbum, que sai em 16 de outubro pela XL.
Cinema, pelo menos, está comprovadamente na receita. No disco Romance, o quarto da banda (2024), Carlos O’Connell confirmou que o teaser do disco foi tirado diretamente da cena do elevador do filme O Iluminado, de Stanley Kubrick. A estética do clipe de Starburster, de Danny Boyle, foi comparada a Trainspotting, embora ali a ideia tenha partido do diretor Aube Perrie. Grian Chatten também já citou o anime Akira, de Katsuhiro Otomo, como referência para o universo visual daquela fase. Agora Marianne, primeiro single de Dopamine chamber, nasce parcialmente de Ripley, série de Steven Zaillian baseada no personagem de Patricia Highsmith.
Só que o cinema agora parece estar entrando também no som. Marianne é enorme, fria e meio decadente. Parece a última música a tocar num salão antes da desgraça, do incêndio, do desastre natural… Algo por aí. E Tongue vai para outro lugar: baixo arrastado, bateria com algo de trip-hop, voz de Chatten alterada por sampler e guitarras usadas mais como ruído e textura. O site Stereogum definiu bem a sensação da faixa como uma espécie de borrão químico e depressivo.
Não é exatamente uma surpresa para quem vem acompanhando a transformação do grupo. A estreia Dogrel (2019) era Dublin quase em estado bruto: poesia, pubs, ruas e pós-punk. A hero’s death (2020) começou a abrir espaços e criar atmosferas. O terceiro disco, Skinty fia (2022), jogou tudo no breu e transformou a distância da Irlanda em assunto. Em Romance (2024), Dublin praticamente saiu de cena e entraram arena rock, breakbeats, shoegaze, grunge, eletrônica e uma vontade assumida de construir outro mundo.
Detalhe: agora nem as guitarras estão garantidas. Conor Curley diz que Dopamine chamber continua exatamente de onde Romance parou, deixando os elementos de banda ao vivo aparecerem apenas quando estes são necessários. Há sintetizadores, samples, triggers, cordas inspiradas pelo pop italiano dos anos 1960 e músicas sem guitarra.
O curioso é que, segundo Carlos O’Connell contou recentemente à revista espanhola Mondo Sonoro, o plano inicial era quase o contrário: fazer um disco simples, com amplificadores, bateria e os cinco tocando juntos numa sala. Eles tentaram. Não funcionou porque a banda que fazia discos daquele jeito aparentemente já não existia.
O que dá pra entender é que o Fontaines não está acrescentando eletrônica ao seu rock. Está tentando readaptar a banda e descobrir o que significa serem eles mesmos hoje em dia. Griann dá uma medida estranhamente precisa para isso. Para ele, Romance era “60% humano e 40% corrompido pela automação e pela perda de sensibilidade”. No novo disco, a proporção virou, já que parece mais “60% corrompido. A máscara está vestindo o rosto um pouco mais”.
Se você precisava de um pouco de esperança, aliás, pode tirar o cavalinho da chuva: a banda avisa que Dopamine chamber veio da necessidade de fazer um disco que soasse “como um alerta catastrófico”. Daí o título. “O álbum em si é uma câmara de dopamina”, diz Chatten. “Você entra e nós testamos essas diferentes peças musicais que alteram a mente ou o humor em você”. Prazer, hedonismo, telas, inteligência artificial, crise ambiental e violência política, tudo junto no mesmo fluxo de informação.
Um detalhe interessante é que Rosalía participa do disco, na faixa Where is gone?, que será a primeira faixa de um álbum do Fontaines com alguém de fora cantando. E a parceria não caiu do céu. O’Connell contou à Mondo Sonoro que é fã da espanhola desde Los Ángeles, seu disco de 2017, e que ele já havia falado com ela sobre fazer algo juntos quando Fontaines e Rosalía tocaram no mesmo palco no festival de Glastonbury, em 2019 – ou seja, bem antes da “Rosalía mania”. A revista compara a faixa aos duetos de Lee Hazlewood e Nancy Sinatra (eita).
Dá pra dizer que Rosalía – homenageada pelo U2 na faixa The mirror maker (Rosalía), de seu próximo álbum Carnaval de luz, previsto para 13 de novembro – foi desmontando tudo até chegar a uma música que pode ser pop, flamenco, clássico, eletrônico, ruído ou tudo ao mesmo tempo. E vai daí que o Fontaines está fazendo algo parecido com o que ela fez, mas com sua própria identidade. Ou seja: faz total sentido que banda e cantora se encontrem numa gravação.
Conor Deegan resume a trajetória de outro jeito: “Nossos álbuns sempre questionaram uma sensação de pertencimento a um lugar. Primeiro Dublin; depois estar longe de Dublin – e então tentar encontrar o romance em outro lugar. Neste disco, a pergunta passou a ser: para onde você foge?”. Vai ver, Dopamine chamber é justamente o disco em que eles descobrem que não existe mais lugar nenhum para onde fugir. Mas agora, só aguardando!
(abaixo, os dois singles já lançados, a capa do disco, e a lista de faixas!)
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LISTA DE FAIXAS:
01. Six shot morning
02. Marianne
03. Mimesis
04. Happy for you
05. Demolition
06. Tongue
07. One man
08. Where is gone? (feat Rosalía)
09. You miss me
10. Japan
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Tony Iommi: o que já dá pra esperar do álbum “From the dark”

RESUMO: Aos 78 anos, Tony Iommi tem na agulha From the dark, disco que passeia pelo doom e pelo metal mais veloz, recupera ecos da fase Dio do Black Sabbath e traz Jørn Lande nos vocais.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Ross Halfin / Divulgação
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Não perguntem a Tony Iommi o que vem depois do heavy metal – ele não parece nada interessado nesse tipo de assunto. Aos 78 anos, o guitarrista que ajudou a inventar o negócio está fazendo justamente aquilo que se espera dele. E que é (ora ora…) heavy metal. Inclusive já dá pra perceber, pelas duas músicas já lançadas de From the dark, seu terceiro disco solo – prometido pela BMG para 23 de outubro – que ele não vai suavizar em nada o pacote.
World alone é a mais rápida das duas já lançadas. Iommi toca como se estivesse parado naquela esquina entre os anos 1970 e 1980, época em que o hard rock endurecia de vez e bandas como Judas Priest aceleravam o metal. Jørn Lande, recrutado para cantar no disco, ajuda bastante nisso aí: é possível ouvir alguma coisa de Rob Halford naquele vozeirão, só que com um pouco mais de ferrugem e menos cerimônia.
O próprio Iommi contou à Rolling Stone que costuma cair naturalmente no lado doom da coisa e que precisa lembrar a si mesmo de escrever músicas mais rápidas. “Eu sempre começo pelas coisas doom. Sempre fui assim. Fico absorvido pelos riffs doom”, disse. World alone nasceu justamente da tentativa de sair desse primeiro impulso. A revista ouviu ecos do hit Mob rules (1981) na música — e faz sentido. A aproximação com a fase Ronnie James Dio do Black Sabbath é bem maior do que com a era Ozzy.
Stormwatcher, segundo aperitivo, muda um pouco a paisagem. É mais épica, mais pesada e deixa espaço para aquela grandiosidade que o Sabbath desenvolveu tanto com Dio quanto em momentos mais lustrosos de discos como Sabotage (1975). O riff é imediatamente reconhecível como coisa de Iommi, e os solos continuam o fino.
Lande também está longe de ser apenas o sujeito contratado para cantar. Ele divide a composição das oito faixas com Iommi e contou que sua preocupação foi encontrar melodias vocais que servissem aos riffs e arranjos do guitarrista, sem tentar encaixar o trabalho antecipadamente em algum estilo. Não deixa de ser curioso que Iommi tenha escolhido justamente uma voz com parentesco evidente com Dio: ele já conhecia Lande desde o tributo ao cantor realizado em 2010 e diz que gostou de sua voz desde aquela ocasião.
E olha que From the dark quase nem teve cantor. Iommi revelou à Loudwire que começou o projeto pensando num álbum instrumental e chegou a gravar duas músicas dessa maneira. Depois mudou de ideia e chamou Lande. O núcleo ficou completo com a baixista Becky Baldwin, atualmente no Mercyful Fate, e Karl Brazil na bateria. Mike Exeter, colaborador antigo de Iommi, divide a produção.
O álbum também não nasceu depois da morte de Ozzy Osbourne. Iommi já vinha acumulando ideias havia anos e explicou que trabalhava nelas sem prazo, normalmente entrando no estúdio de casa com Exeter às segundas e terças. “Não havia pressão”, resumiu. Ainda assim, From the dark inevitavelmente ganha outro peso: é seu primeiro grande trabalho a chegar depois da morte do velho parceiro. Iommi diz que ainda custa acreditar que Ozzy se foi. “Parece que ele ainda está aqui”, contou à Rolling Stone.
Até a capa estabelece uma ligação involuntária com essa história. A cruz, símbolo inseparável da imagem de Iommi, remete aos crucifixos que Jack Osbourne, pai de Ozzy, fez para os integrantes do Sabbath nos primeiros tempos da banda. Segundo o próprio site oficial de Ozzy, eram cruzes de alumínio, posteriormente benzidas e usadas pelo grupo como proteção.
O restante do disco promete aprofundar esse lado pesado. Dizem as resenhas já publicadas que Beyond The dead reduz o andamento e acrescenta orquestrações, enquanto Return of the arbalist volta a acelerar. E Legacy, com sete minutos, encerra o álbum em escala épica, formando o que já estão chamando de alternância entre velocidade, peso e atmosfera. Tem ainda Brian May, amicíssimo de Iommi: o guitarrista do Queen aparece em Death wake, faixa que Iommi descreveu como puro doom. May foi convidado a tocar em outras músicas, mas recusou. “É o seu álbum”, respondeu ao amigo.
A melhor pista sobre From the dark está com certeza numa frase bem simples de Iommi: “Não estamos tentando provar nada”. Depois de World alone e Stormwatcher, dá para acrescentar: aparentemente ele também não está tentando agradar ninguém fora do heavy metal. E, se me permitem o clichê, tá tudo bem.
Abaixo, confira as duas já lançadas, a capa e a lista de faixas de From the dark.
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LISTA DE FAIXAS:
01. Over the violent sun
02. Black times
03. World alone
04. Beyond the dead
05. Stormwatcher
06. Death wake
07. Return of the arbalist
08. Legacy
(a edição deluxe em CD tem ainda as faixas Scent of dark e Deified)
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Supervão leva reta final de turnê ao Sul e à Bahia, e espalha sessions ao vivo por aí

RESUMO: O Supervão encerra a turnê de Amores e vícios da geração nostalgia com shows em Porto Alegre e na Bahia, enquanto libera novas sessions ao vivo e prepara outro álbum para 2027.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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Para esbarrar com a banda gaúcha Supervão ao vivo, é só dar uma chegadinha em Porto Alegre (RS) e na Bahia durante o mês de outubro. Nesta quinta (8), o Fuga 4ºD, na capital gaúcha, recebe a banda Jovem Dionísio (em plena Migalhas tour), em show com abertura deles. No dia 25 a banda toca com a banda Copérnico Maior no Bar Ocidente, ambas abrindo para o Chococorn And The Sugarcanes.
Já na Bahia, onde o grupo vai pela primeira vez, eles tocam em Feira de Santana (dia 15, na Casa Noise), em Salvador (dia 16, na Casa 141) e em Vitória da Conquista (dia 18, no Festival Suíça Bahiana). Mas se você está bem longe dos dois estados, não desanime: em plena finalização da tour do disco Amores e vícios da geração nostalgia (2024, resenhado aqui) – e prestes a lançar outro álbum ano que vem, como adiantaram ao site Popload – a banda vem deixando rastros ao vivo por aí.
Recentemente o grupo fez uma session no estúdio Fleeting, em São Paulo, e de lá saiu o vídeo da música Sei lá, não deu, que eles liberaram no YouTube no finalzinho de setembro. Mas teve também outra session recente, que rolou no programa Radar, da TVE do Rio Grande do Sul – e da qual saíram os vídeos de Nostalgia, Tudo certo pra dar errado, Love e vício em sunshine e a mesma Sei lá, não deu.
Depois disso, só esperar os próximos passos.
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