Connect with us

Cultura Pop

“Never mind the bollocks”, segundo John Lydon e Glen Matlock

Published

on

Sex Pistols na época de "Never mind the bollocks"

“No estúdio ao lado, o Queen estava gravando um de seus discos (News of the world) e Brian May veio me perguntar se eu não queria fazer backing vocals em uma de suas músicas. Não lembro mais qual a música, não era aquela do ‘Galileo’ (Bohemian rhapsody, do disco A night at the opera, de 1975). Mas fui lá e foi fantástico ver como Freddie Mercury gravava cada linha vocal em separado. Às vezes fazia só uma palavra, e editavam. Caralho, eu tinha direito a um take e estava acabado. Dois takes se cometesse um erro. Eu finalmente vi que a música tinha vencido. Independentemente das alegadas regras e regulamentos que sempre nos foram lançados”.

Isso aí é John Lydon, o popular Johnny Rotten, se preparando para engatar a quarta marcha e, ao lado do primeiro baixista do grupo, Glen Matlock, comentar cada música do clássico Never mind the bollocks, dos Sex Pistols, para o NMENever mind the bollocks fez 40 anos no sábado (28) e ganha em breve edição comemorativa. O box tem o disco normal, um de raridades, um de gravações ao vivo, um livro e um DVD com vários shows. Abaixo, confira alguns dos comentários de Lydon e Matlock.

“HOLIDAYS IN THE SUN”: “Decidimos por férias coletivas e nos agrupamos nas Ilhas Anglo-Normandas. Fomos rejeitados: como éramos os Sex Pistols, éramos persona non grata em todos os lugares. Eles não nos deixavam ficar em nenhum hotel (…). Steve (Jones, guitarrista) e Paul (Cook, baterista) foram para casa, e eu e Sid (Vicious, baixista) fomos a Berlim, porque era o lugar mais louco para ir. Pensamos: ‘Cacete, se não pudermos entrar em um lugar tão suave quanto as Ilhas Anglo-Normandas, vamos descobrir o que é o Muro de Berlim’ (…) (A música) somos nós, do nosso lado, olhando pela parede e (os alemães) estão apontando armas para nós” (Lydon).

“BODIES”: “A música é sobre o aborto. É direito de uma mulher decidir sobre se quer abortar ou não, porque ela tem que criar a criança e viver todos os problemas que vêm depois. É sábio trazer uma criança indesejada para o mundo? Não, não acho que seja, mas, novamente, isso é minha opinião, porque é para a mulher decidir. Levanto ambos os lados da questão e me coloco lá também. Se não fosse pela graça de Deus, minha mãe poderia ter tido um aborto e eu não estaria aqui. Aquele verso ‘foda-se isso, foda-se aquilo’ não foi improvisado, foi escrito antes” (Lydon).

“NO FEELINGS”: “Escrevi essa porque meu pai estava hospedando órfãos, e uma das garotas se sentiu muito atraída por mim. Tive que dizer a ela: ‘Olha, eu não sinto nada por você. Só porque meu pai está deixando você ficar em sua casa para o fim de semana não significa que você pode se casar comigo” (Lydon).

“LIAR”: “Muitas pessoas inspiraram Liar, começando pelo nosso empresário (Malcolm McLaren). Nós éramos apenas idiotas infelizes e realmente não estávamos preparados para o mundo de ganância no qual fomos jogados tão rapidamente” (Lydon).

“GOD SAVE THE QUEEN”: “Achei o riff e as mudanças de acordes quando começamos a fazer as primeiras gravações apropriadas de Anarchy in the UK. (…) Tinha um piano no estúdio. Não sei tocar, mas dei uma brincada nele, posso tocar Blueberry hill se quiser ouvir essa música. Mas eu encontrei esse riff sobre isso. Eu trabalhei no violão e eu disse: “Eu tenho uma música” (Matlock)

“Acho que a música foi mal interpretada como um ataque pessoal à monarquia. Não era. É absolutamente contra a instituição da monarquia, mas não a eles como pessoas. Oh, meu Deus, eles têm minha sincera simpatia. Sinto que eles nasceram em uma gaiola” (Rotten).

“PROBLEMS”: “Os problemas formaram todo o nosso caminho. Não sei se em algum momento nós sentamos para tentar descobrir qual a razão de estarmos juntos. Nós não apenas parecíamos que não gostávamos uns dos outros, acho que nós realmente não nos gostávamos. Foi o maior ano e meio que já vivi”. (Rotten)

“SEVENTEEN”: “Dezessete é a idade em que tudo dói. Você não é um adulto, não quer ser visto como um jovem explorador, e você também não está preparado para a idade adulta. E toda a devida referência ao Eighteen, de Alice Cooper” (Rotten).

“ANARCHY IN THE UK”. “Gravamos isso em 1976 e foi o fim do meu trabalho no disco. Lembro de falar com Duff McKagan (Guns N Roses), que uma vez assistiu a um show nosso e falou: ‘Glen, não percebi que você conseguia tocar todo tipo de material da Motown’. Em Anarchy, estou tentando imitar James Jamerson (lendário baixista de estúdio da Motown) (…) Não é verdade que não gostei da letra. O único verso que me fazia estremecer era: “Eu sou um anticristo / sou anarquista”. Eles não rimam. Músicas que não rimam corretamente me irritam. Não tinha nada a ver com o sentimento” (Matlock).

“SUB-MISSION”. A história contada por Matlock é a que muitos fãs sabem. Malcolm McLaren propôs a ele que a banda fizesse uma canção sobre “submissão” (no sentido de jogos sexuais). A banda respondeu compondo uma canção sobre missões submarinas. “É a coisa mais próxima de uma música de amor que fizemos. E foi escrita por duas pessoas que não se gostam”, diz Rotten, sobre a parceria com Matlock.

“PRETTY VACANT”. “Tinha a mudanças de acordes e a letra, mas eu estava sem um riff. Eu sabia que precisava de uma coisa melódica, e eu ouvi algo em um disco, feito por uma banda chamada Abba (Matlock teria se inspirado no hit S.O.S). E isso inspirou o riff que eu precisava. Mencionei a influência de Abba em uma entrevista uma vez. O baixista da banda conseguiu meu endereço e começou a me mandar cartões de Natal por cerca de 10 anos” (Matlock).

“NEW YORK”. “É uma referência ao New York Dolls (…) As bandas de Nova York pareciam ser um pouco mais velhas e ter um pouco de dinheiro da mamãe naquilo. em vez de serem aquelas bandas que tinham sido escoladas na rua” (Rotten).

“E.M.I.”. “A EMI queria assinar com a gente para mostrar que eram um selo grande e variável, mas eles realmente não eram. Esta música foi divertida para escrever (…) Eles só queriam ser famosos e ganhar muita grana com a gente. E tivemos um grande desapontamento com essa turma que saiu da geração hippie. Eles estavam tão envolvidos com essa coisa do lucro que isso levou ao seu declínio. Por isso usávamos blusas como ‘nunca confie em um hippie'” (Lydon).

E ouça Never mind the bollocks em sua edição original, aqui.

Barra pesada: treze fatos sobre Sid Vicious – leia aqui.

Cultura Pop

Chapterhouse: “O termo shoegaze era depreciativo”

Published

on

O Jesus and Mary Chain deu uma de Padre Quevedo indie e explicou numa entrevista ao site Stereogum que isso aí de shoegaze “não existe” – para Jim Reid, em particular, isso não passa de invenção de “algum palhaço do New Musical Express“. Pois bem, num papo com a newsletter First Revival, Stephen Patman, guitarrista, vocalista e fundador do Chapterhouse, uma espécie de “banda de shoegaze original” (que por sinal vem ao Brasil em setembro), deu mais detalhes sobre a origem do termo. E ainda lembrou que não era exatamente um orgulho ser chamado de “olhador de sapato” (shoegazer significa exatamente isso em português).

“O termo shoegaze era um comentário depreciativo, uma provocação”, recorda ele, lembrando que inicialmente, um jornalista chamado Steve Sutherland, da Melody Maker, escreveu que o Chapterhouse e bandas como Moose e Lush eram “a cena que celebra a si própria”. “Basicamente, porque tínhamos o mesmo empresário que o Moose e o Lush (Howard Gough), então saíamos bastante com eles e íamos aos shows uns dos outros. Também conhecíamos o Ride e o Swervedriver de Oxford, porque era bem perto de Reading”, contou.

Ele lembra de uma nomenclatura de tiro curto que surgiu: “Antes disso, chamavam de ‘cena do Vale do Tâmisa’, que incluía nós, Ride, Swervedriver e Slowdive. Então, era assim que chamavam, depois ‘a cena que se celebra'”, diz. “E aí o Andy Ross , que era o chefe da Food Records, estava assistindo ao show do Moose, e os quatro estavam lá parados olhando para baixo. Foi ele quem criou o termo ‘shoegaze’. A Polly (Birkbeck), assessora de imprensa da Food, provavelmente comentou com alguém, e a notícia chegou à imprensa musical, e aí eles começaram a usar o termo”.

Só que o termo – surgido, na prática, de uma postura tímida e mal-ajambrada de palco – acabou se revelando um feitiço que se virou contra um monte de feiticeiros do barulho. “Quando houve uma espécie de mudança na imprensa musical após a euforia inicial de 1991 em torno de tudo, eles (os jornalistas) de repente se voltaram contra nós, e passaram um ano inteiro zombando de nós. E como também saíamos juntos, os jornalistas nos viam reunidos e escreviam colunas de fofoca tirando sarro de nós de alguma forma”, continua. “Foi aí que ouvi o termo shoegaze pela primeira vez, e era um comentário depreciativo, uma provocação”.

“Mas, de certa forma, ele foi ressignificado ao longo dos anos e se tornou um gênero, o que eu acho bem curioso. Nós nunca nos consideramos uma banda shoegaze. Para ser sincero, não somos exatamente fãs de shoegaze. Não ouvimos esse tipo de música”, diz Patman. “Mas principalmente porque a maioria era de artistas contemporâneos, dos quais você não se torna fã por ser amigo. Então, sim, era um termo pejorativo que chegou à imprensa e eles começaram a usá-lo”.

“E agora o conceito se expandiu, com tantas bandas que nem de longe eram consideradas shoegaze, como The Verve, Kitchens of Distinction e Catherine Wheel, agora são consideradas assim. Eles até chamam The Jesus and Mary Chain e Cocteau Twins de shoegaze”, continua Stephen, que também não gosta do termo dream pop para definir qualquer tipo de música com alguma distorção e reverb. “É ainda mais repugante”.

E pra saber mais sobre o show do Chapterhouse no Brasil, só ir aqui.

Continue Reading

Cultura Pop

R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

Published

on

R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

No dia 31 de maio de 1982, a gravadora I.R.S. enviava um press release avisando que havia assinado com o R.E.M., “uma banda de Athens, Georgia, aclamada pela crítica”. E já anunciava que no dia 26 de agosto sairia o EP Chronic town, com as faixas 1,000,000, Stumble, Wolves, lower, Gardening at night e Carnival of sorts (Boxcars). A foto de imprensa, em preto e branco, trazia Peter Buck (guitarra), Mike Mills (baixo), Bill Berry (bateria) e Michael Stipe (vocais) com visual pós-adolescente.

“O EP vai ser seguido por um álbum no ano que vem. O R.E.M. planeja fazer uma turnê pelo Oeste do país durante o verão, seguida pelos estados da Costa Leste e do Canadá durante o Outono”, avisava a gravadora, oferecendo também o contato da empresária Betsy Alexander, primeira pessoa a cuidar profissionalmente do grupo, ajudando em contatos, logística e gestão. O release só errava na ordem das músicas do EP, que possivelmente ainda não estava decidida (Chronic town também saiu dividido em duas partes, com lado A nomeado Chronic town e lado B com nome Poster torn)

O contrato era de longo prazo e previa cinco discos – ou seja, tudo que saiu do grupo até Life’s rich pageant, o quarto álbum, de 1986. Depois disso, o grupo renegociou e lançou o quinto disco, Document, de 1987 – mas acabou migrando para a Warner e terminando o contrato com a coletânea Eponymous (1988).

A I.R.S. tinha sido criada em 1979 por Miles Copeland III, irmão de Stewart Copeland, baterista do The Police. O selo vinha da cena punk/new wave britânica e funcionava como uma espécie de ponte entre o underground e uma estrutura profissional de distribuição via A&M (a gravadora do Police, por acaso).

Na época em que o R.E.M. assinou, a I.R.S. já tinha grupos como Wall of Voodoo, Oingo Boingo, The Go-Go’s e The English Beat. Era um selo muito ligado a college radio, pós-punk, new wave e à ideia de independência artística. Depois, virou praticamente sinônimo do rock universitário americano dos anos 1980 por causa do próprio R.E.M.

A entrada da banda na gravadora aconteceu muito por conexões da cena. O empresário/agente Ian Copeland, irmão de Miles e Stewart, já acompanhava o grupo desde os primeiros shows em Athens. O baterista Bill Berry tinha trabalhado para Ian em Macon como roadie e serviços-gerais, e mantinha contato com ele. Isso ajudou o R.E.M. a conseguir shows de abertura para bandas maiores, como The Police e Gang of Four, até chamar atenção da I.R.S.

E olha o post comemorativo do R.E.M. aí.

 

Ver essa foto no Instagram

 

Um post compartilhado por R.E.M. (@rem)

Continue Reading

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

Published

on

George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Continue Reading

Acompanhe pos RSS