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Cultura Pop

Deee-Lite: descubra agora!

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Deee-Lite: descubra agora!

Em 2006 perguntaram para a cantora e DJ Lady Miss Kier (ou melhor, o Sydney Morning Herald perguntou) se ela topava voltar com seu antigo grupo, o Deee-Lite – que no Brasil é relembradíssimo por ter sido um dos primeiros sucessos internacionais executados pela MTV nativa, em 1990. Resposta: “Isso nunca vai acontecer, nunca”, contou ela, avisando que, sim, rolaram ofertas, que ela nunca levou em consideração. “Essa é uma longa e cruel história, cheia de dor no coração. Não acho que ninguém esteja pronto para essa história. Minha mãe costumava dizer: ‘Se você não tem nada de bom para dizer, não diga'”, contou ela.

O fim do Deee-Lite deixou amarguras (muito embora a reportagem faça questão de afirmar que Lady parece tudo, menos uma pessoa amarga). A história da banda, além de seus principais hits, é tão alegre, dançante e pra cima que aquilo tudo não parece ter aberto justamente os anos 1990, a era do grunge. O Deee-Lite vinha de pouco tempo antes: nasceu em Nova York, em 1987, do encontro de três pessoas que estavam longe de suas casas.

Lady (cujo nome é Kierin Magenta Kirby) tinha saído de Pittsburgh para estudar desenho de moda na capital novaiorquina. O ucraniano Supa DJ Dmitry, que começara o grupo com Kier, tinha tido formação clássica e fora para Nova York trabalhar com música. Os dois passaram a namorar. Ao casal, uniu-se Jungle DJ Towa Towa, que vinha do Japão, onde chegara a conseguir sucesso como diretor de vídeo. Para o Deee-Lite, contribuiu com sua cultura musical e seu vasto arquivo de samples.

No começo, o trio era tido como um exemplo muito, mas muito bem acabado da turma house: tinha acesso a samplers desde bem cedo, tocava em clubes LGBTQIA+ e abria shows para nomões como De La Soul. Também era um celeiro de talentos: além da música, tinham cuidado extremo com o visual e com o conceito do trabalho. Miss Kier fazia todos os cartazes e convites, e o trio fazia questão de apostar em temas como inclusão, amor, positividade e ideais afins. A banda pensava como três DJs: Kier dizia que queria fazer as melhores músicas para pista, e que não pensava nas paradas de sucesso.

Começaram a chamar tanto a atenção que a grandalhona Elektra levou o trio. Levou junto também um disco que o Deee-Lite começara a fazer por conta própria em janeiro de 1989, e que virou World clique, o primeiro álbum, lançado em agosto de 1990 com sucesso mundial. No Brasil, quem viu o começo da MTV não tem como não recordar o neopsicodélico clipe de Groove is in the heart, e seu sucesso (e suas sucessivas reprises).

O resto da década não sorriria tanto para o Deee-Lite, que sentiria os ventos de mudança nos mercados do pop e da música eletrônica, e ainda tinha que lidar com crises internas. Foram apenas três álbuns, e depois disso o grupo encerrou atividades, com os integrantes partindo para carreiras solo. Kier virou DJ, produtora e modelo. Dmitry continuou como DJ. Towa Tei virou cantor e passou a fazer parte do supergrupo japonês Metafive. O fim do casamento de Kier e Dmitry é apontado por todo mundo como o que determinou o término da banda.

Perguntei outro dia no Facebook quais artistas todo mundo conheceu quando viu a MTV Brasil quando rolou a estreia do canal, em 1990, e não deu outra: Deee-Lite na cabeça. Todo mundo lembra da banda e guarda os hits do trio numa gaveta especial de recordações. Vão aí então dez músicas de Kier, Towa Towa e Dmitri. Aliás, são nove canções além de seu principal hit, que é…

“GROOVE IS IN THE HEART” (do disco World clique, 1990). Sucesso nos shows da banda desde 1989, o principal hit do Deee-Lite pôs nas mentes, corações e ouvidos de vários fãs, o riff de baixo de Bring down the birds, do jazzista Herbie Hancock (é uma das primeiras coisas das quais você se recorda da música, quer apostar?). As batidas de Get up, de Vernon Burch, faziam parte do pacote, também. E o clipe arrombou a porta do cenário pop trazendo referências neopsicodélicas e neohippies.

“WHAT IS LOVE” (do disco World clique, 1990). O lado B do single de Groove is in the heart era uma faixa dance discreta, com uma letra quase infantil cantada por Miss Kier (cuja voz só aparecia lá pela metade da faixa). Uma curiosidade que, no Brasil, foi ouvida só por quem comprou o álbum (a faixa nem rolou no rádio ou na televisão).

“POWER OF LOVE” (do disco World clique, 1990). Tem quem diga que o Deee-Lite foi um one hit wonder. Não foi: apesar de não ter sido um hit tão massivo, Power of love fez bastante sucesso, saiu-se muito bem na parada de dance music da Billboard e, no Brasil, acalmou os ânimos de quem esperava mais um hit bacana do trio. O clipe, na mesma linha psicodélica do de Groove is in the heart, foi bastante visto na MTV.

“GOOD BEAT” (do disco World clique, de 1990). Lançada em single em 1991, aliás o último single retirado do primeiro disco do Deee-Lite. Também ganhou clipe.

“RUNAWAY” (do disco Infinity within, de 1992). No segundo disco, o Deee-Lite era aquele caso de banda que lança um álbum bom mas que… enfim, é bom mas não serve como sequência de um disco altamente estourado nas paradas. O clipe de Runaway tirava a psicodelia do radar do grupo e a substituía por um tom country-estradeiro, dando a entender para os mais implicantes que sem o apelo visual, muito da graça da banda ia embora. Mas a música é muito boa.

“VOTE, BABY, VOTE” (do disco Infinity within, de 1992). A favor do segundo disco do Deee-Lite, dá para dizer que ele também foi o caso típico de: banda pop que começa a ser manifestar politicamente e mexe em terrenos que, no primeiro álbum, não estavam no script (e que provavelmente assustaram muita gente). Definindo o álbum como um disco “pró-escolha”, a favor dos direitos humanos, a banda incentivou nessa vinheta a juventude a votar. A música foi parar em anúncios públicos pró-eleição e ate na campanha Rock The Vote, da MTV.

“RUBBER LOVE” (do disco Infinity within, de 1992). Quase tão bom quanto Groove is in the heart, esse clássico do hi-NRG pregava o sexo seguro, feito sempre com camisinha, de maneira (er) bastante coloquial (“ponha seu cérebro antes do seu ding-a-ling”, diz a letra).

“PARTY HAPPENING PEOPLE” (do disco Dewdrops in the garden, 1994). No terceiro disco, o Deee-Lite anunciou que estava tirando o foco da política e da participação coletiva. E embarcava numa política mais “pessoal”. Towa Tei deu um tempo da banda para fazer trabalhos pessoais e deu lugar a DJ Ani. O primeiro single foi esse house maníaco de letra mínima, que propunha um retorno à era de Groove is in the heart.

“BRING ME YOUR LOVE” (do disco Dewdrops in the garden, 1994). A Billboard definiu esse single como “música de atitude rave flower power”. Na época, saiu em vinil branco.

“CALL ME” (do disco Dewdrops in the garden, 1994).. O single saiu em 1995 e foi o último lançado pelo Deee-Lite, numa época em que muita gente mal sabia que a banda ainda existia, mas o trio tinha um público fiel.  O grupo encerrou atividades conseguindo chegar ao primeiro lugar da parada dance da Billboard.

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Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

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Cultura Pop

Bono trapalhão? U2 antes da fama, na TV irlandesa, usando fantasias de palhaço

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Bono trapalhão? U2 antes da fama, na TV irlandesa, usando fantasias de palhaço

RESUMO: Antes da fama, o U2 tocou Out of control na TV irlandesa vestido de palhaço. Tem gente achando que é obra da IA, mas não é não.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

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No comecinho de sua história, prestes a fazer as primeiras gravações, o U2 fez um vídeo de Out of control na TV irlandesa em clima de circo, com maquiagens faciais e roupas de palhaço. Tá aí o vídeo.

O vídeo é de 1979 e pertence aos arquivos da RTÉ, emissora pública irlandesa – e pelo que a emissora diz, apareceu no programa Our times. Já teve gente levantando a hipótese de ser obra de IA. Não é, pelo visto. “Embora a estética crua e a qualidade amadora das possam levar os espectadores a questionar a sua autenticidade, este vídeo específico foi documentado e discutido pela comunidade de fãs do U2 como uma peça genuína da história da banda”, diz um comentário publicado no canal do YouTube @DutchU2Fan.

Não foi a primeira vez que a banda esteve na atração: em 13 de novembro de 1978, tocaram a música The fool, numa apresentação que acabou sendo reprisada em 27 de novembro. Aliás, a primeira vez que Bono, The Edge, Larry Mullen e Adam Clayton foram à RTE rolou em 2 de março de 1978, quando ainda se chamavam The Hype – na ocasião, foram a programa Youngline e cantaram Street mission.

Além das maquiagens, Bono surge usando apetrechos teatrais e fazendo caras e bocas para a câmera – em alguns momentos, tudo parece uma cena de humorístico brasileiro dos anos 1970. E naquela altura, Out of control era praticamente o cartão de visitas do U2. Em agosto de 1979, o radialista Dave Fanning apresentou três músicas do grupo em seu programa na RTÉ — Out of control, Stories for boys e Boy/Girl — e deixou os ouvintes escolherem qual delas deveria ocupar o lado A do primeiro lançamento da banda. Out of control venceu. No mês seguinte, as três músicas apareceram no EP Three, cuja primeira edição teve mil cópias numeradas.

A canção também tinha uma origem bastante pessoal. Bono a escreveu quando completou 18 anos, pensando no desconforto de perceber que dois dos acontecimentos mais importantes da existência estão totalmente fora das nossas mãos: ninguém decide nascer e, em última instância, também não controla a própria morte.

Agora: por que diabos eles estão vestidos daquele jeito?

Bom, não há, pelo menos na documentação conhecida sobre a apresentação, uma explicação de Bono, The Edge, Adam Clayton ou Larry Mullen Jr. para as roupas, mas maquiagens e os apetrechos. Também não aparece nos arquivos disponibilizados pela RTÉ uma justificativa para o figurino. Pode ter sido uma ideia do programa, uma brincadeira da própria banda ou simplesmente parte da estética daquela atração

O vídeo pertence a uma fase realmente embrionária do U2, que ainda traria uma apresentação no programa Aspects Of rock em setembro de 1979, tocando Life on a distant planet. Em janeiro de 1980, a banda chegou ao Late late show com Stories for boys. E pouco depois, aquela banda de garotos que ainda podia surgir fantasiada na televisão começaria a gravar a estreia Boy, lançada em outubro de 1980. Um primeiro passo na construção do U2 que a gente conhece hoje.

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Cultura Pop

Video Vanguard Award: afinal, que prêmio é esse que o Nirvana recebeu?

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Video Vanguard Award: afinal, que prêmio é esse que o Nirvana recebeu?

RESUMO: O Nirvana recebeu o Video Vanguard Award no VMA e entrou numa história que começou em 1984 com Beatles e David Bowie. Entenda como surgiu e por que o prêmio mudou ao longo das décadas.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

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O Nirvana voltou ao VMA neste domingo (27) para receber um prêmio que, de certa forma, conta a própria história da MTV. Dave Grohl, Krist Novoselic e Pat Smear subiram ao palco para buscar o Video Vanguard Award, homenagem pelo conjunto da obra audiovisual da banda.

Recebendo a honraria, os mais ilustres três ex-integrantes vivos da baanda entraram numa lista que começou com Beatles e David Bowie e, ao longo de mais de quatro décadas, passou por Madonna, Michael Jackson, R.E.M., Beastie Boys, U2, Beyoncé e vários outros.

Mas o que exatamente é o Video Vanguard? Bom, temos duas respostas, uma curta e uma longa. A resposta curta: é uma espécie de prêmio pelo conjunto da obra do VMA, dedicado a artistas que tiveram impacto importante sobre o videoclipe e a cultura pop. Não está ligado a um vídeo específico lançado naquele ano e nem sequer é entregue em todas as edições.

A resposta longa é… a própria história do prêmio. E é a melhor resposta, já que o prêmio nasceu junto com o próprio VMA, em 1984. E não custa lembrar que nessa época videoclipe ainda era uma linguagem em formação e a MTV tinha apenas três anos. Na primeira cerimônia, só pra você ter uma ideia, David Bowie ganhou o prêmio, e houve menção especial aos Beatles e a Richard Lester, que dirigiu os filmes Help e A hard days night, do quarteto.

No caso dos Beatles e Lester, a escolha reconhecia especialmente a importância dos filmes do grupo para aquilo que, anos depois, se consolidaria como a linguagem do videoclipe – e da mesma forma, Bowie havia desenvolvido muito do idioma dos clipes vários anos antes. Na real, como ainda nem sequer havia uma “história” do videoclipe, era fundamental apontar quem havia ajudado a inventar aquela nova linguagem.

Nos anos seguintes, por sua vez, já estava claro que o grande lance era premiar quem já estava fazendo história ali mesmo, com a linguagem dos clipes. Em 1985, ganharam o prêmio David Byrne (então apenas o líder dos Talking Heads) e os diretores Russell Mulcahy e Godley & Creme. Madonna recebeu em 1986. Peter Gabriel, em 1987.

Detalhe: Michael Jackson ganhou em 1988 e, a partir de 1991, seu nome passou a ser associado oficialmente à honraria, que durante décadas ficou conhecida como Michael Jackson Video Vanguard Award. Em 2019, a MTV silenciosamente, mas nem tanto, tirou o nome do astro do prêmio. Nesse ano, a vencedora foi a rapper Missy Elliott.

Na década seguinte, a lista parece quase um resumo do período em que rock e MTV andavam grudados. Bon Jovi recebeu o Vanguard em 1991; Guns N’ Roses, em 1992; Tom Petty e Rolling Stones, em 1994; R.E.M., em 1995; Red Hot Chili Peppers, em 2000; U2, em 2001; e Duran Duran, em 2003. Exceções à regra: em 1997 o rapper LL Cool J levou a estatueta pra casa. No ano seguinte, os Beastie Boys ganharam o prêmio.

Depois, o perfil foi mudando junto com a própria MTV e com a cultura pop. Britney Spears, Justin Timberlake, Beyoncé, Kanye West, Rihanna, Pink, Jennifer Lopez e Missy Elliott estão entre os homenageados. Nos últimos anos vieram Nicki Minaj, Shakira, Katy Perry e Mariah Carey. Agora o prêmio volta ao rock com o Nirvana.

Dá pra dizer que poucos grupos carregam uma ligação tão evidente com a era clássica da MTV. Smells like teen spirit não apenas virou um dos clipes mais associados aos anos 1990 como ajudou a transformar a imagem do rock no canal. Come as you are, In bloom e Heart-shaped box reforçaram uma identidade visual que misturava estranheza, humor, desconforto e uma boa dose de antipatia pelos padrões do estrelato.

No VMA deste ano, coube a Chuck D, do Public Enemy, entregar o prêmio. Novoselic aproveitou o discurso para colocar Kurt Cobain no centro da história e lembrou que muitas ideias dos vídeos vinham da visão artística do vocalista. Para ele, a permanência do Nirvana também tem relação com uma busca do público por autenticidade.

Grohl, Novoselic e Smear receberam a homenagem sem Cobain, morto em 1994, mas com sua imagem aparecendo durante a cerimônia. A escolha fecha um círculo curioso: uma banda que ajudou a definir a MTV dos anos 1990 recebe, mais de três décadas depois, um prêmio criado justamente para reconhecer quem mudou a maneira de juntar música e imagem.

Mais do que um troféu para quem acumulou clipes famosos, o Video Vanguard começou como uma homenagem a quem empurrou o videoclipe para algum lugar novo. E sua lista de vencedores acabou registrando também as mudanças da própria MTV: dos Beatles e dos diretores pioneiros ao domínio do rock, daí às grandes estrelas do pop e do hip hop.

Agora o Nirvana entrou nessa história. Digamos que, para uma banda que chegou à MTV parecendo não pertencer àquele mundo, demorou bastante.

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Cultura Pop

Qual é a do The Coverups, banda de covers de Billie Joe (Green Day) e amigos?

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The Coverups: Billie Joe recebe Bruce Dickinson (Foto: Reprodução Internet)

Antes de Bruce Dickinson, cantor do Iron Maiden, aparecer de surpresa no palco em Québec, o The Coverups já dava muitos sinais de vida havia anos. O projeto paralelo de Billie Joe Armstrong continua funcionando exatamente como nasceu: como uma desculpa para tocar músicas que seus integrantes amam, sem a pressão de lançar discos ou sair em turnê.

Criado em 2018, o grupo reúne integrantes e colaboradores do Green Day em apresentações pequenas, normalmente em clubes da Califórnia. A formação original contava com Billie Joe Armstrong (voz e guitarra), Mike Dirnt (baixo e voz), Jason White (guitarra), Bill Schneider (baixo) e Chris Dugan (bateria) – Mike e Jason são os únicos que fazem parte também do Green Day, sendo que Jason atua como músico de turnê. Nos últimos anos, porém, Dirnt deixou de participar dos shows, e o The Coverups passou a atuar como quarteto.

O repertório é uma carta de amor ao rock e ao punk. Clássicos de Ramones, David Bowie, The Clash, Cheap Trick, Joan Jett, Tom Petty, Misfits, Nirvana, Rolling Stones e até Strokes costumam aparecer nas apresentações, que muitas vezes são anunciadas poucas horas antes de acontecer. Diferentemente de outros projetos paralelos de Billie Joe, como Foxboro Hot Tubs e The Longshot, o The Coverups nunca teve a intenção de gravar músicas próprias. A proposta é apenas revisitar clássicos em um ambiente intimista, recriando um pouco da atmosfera dos primeiros dias do Green Day nos clubes da região de Berkeley e Oakland.

Mesmo sem lançar um único álbum de estúdio, a banda conquistou um público fiel justamente por isso: oferece a rara oportunidade de ver Billie Joe tocando as músicas que ajudaram a moldar sua formação musical, longe das grandes produções e da rotina de estádios do Green Day.

Nos últimos meses, o The Coverups voltou a fazer apresentações esporádicas na Califórnia, mantendo esse espírito despretensioso. Não havia qualquer indicação de mudanças de rumo, nem anúncios de gravações ou turnês. A maior novidade acabou sendo justamente a participação-surpresa de Bruce Dickinson em um show realizado em Québec. Sem aviso prévio, o vocalista do Iron Maiden subiu ao palco para cantar All the young dudes, clássico do Mott the Hoople escrito por David Bowie, num encontro improvável que reuniu dois dos nomes mais conhecidos do rock em um contexto bastante informal.

Houve uma outra novidade recente, que rolou durante o show da banda no Roxy, na Califórnia, dia 21, uma segunda-feira. Antes de tocar Drain you, clássico do Nirvana (do disco Nevermind, de 1991), Armstrong dedicou a música a Jennifer Finch, baixista do L7, que morreu recentemente. Antes, Adrienne Armstrong, esposa do músico, havia doado US$ 5 mil para uma campanha criada para ajudar a custear o tratamento de Finch.

De qualquer jeito, Bruce fi a primeira participação especial de grande repercussão na história recente do The Coverups e, naturalmente, chamou muito mais atenção do que os próprios shows da banda. Ainda assim, tudo indica que o projeto continuará exatamente como sempre foi: um grupo de amigos reunidos para tocar os discos que mudaram suas vidas, sem maiores pretensões além da diversão.

Ah, sim: importante falar que All the young dudes faz parte do repertório solo de Bruce há bastante tempo. Ele a havia regravado em seu primeiro álbum solo, Tattoed millionaire, de 1990. Na época, teve até clipe da faixa.

Foto: Reprodução Internet

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