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Charm Offensive transforma insônia e crises de identidade em power pop nervoso

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Charm Offensive (Foto: Divulgação)

RESUMO: Em Next to you, o Charm Offensive mistura power pop, pós-punk e new wave para falar de insônia, mudanças de humor e da dúvida sobre quem vai acordar ao seu lado: o médico ou Mr. Hyde?

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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Pós-punk, new wave e power pop com um tiquinho assim de humor sombrio e ácido – é a receita do Charm Offensive, inspiradíssimo por nomes como Elvis Costello, Joe Jackson, XTC, The Replacements e The Cars. O projeto criado por Matt Rhea já havia aparecido aqui no Pop Fantasma com a estreia Apathy, que fala de uma pessoa que se defende do estresse com a indiferença (spoiler: não dá nada certo). Agora é a vez de Next to you, rockão 70’s na linha do Television e de Elvis Costello, que transforma noites mal dormidas numa pequena crise de identidade.

A ideia veio da experiência do próprio Rhea com insônia. Depois de algumas noites praticamente em claro, mudanças comuns de humor podem ganhar proporções bem maiores: irritação, ansiedade, percepção alterada e aquela sensação de não saber exatamente qual versão de você mesmo vai levantar da cama pela manhã. Em vez de contar tudo literalmente, Next to you observa a situação pelo ponto de vista de quem acorda ao lado dessa pessoa.

“Entendo o que os testes de personalidade estão tentando descobrir – todos nós temos tendências e algum tipo de modo padrão. Mas ainda gosto da ideia de que eles são meio que uma bobagem”, diz Rhea. “Minhas respostas poderiam ser completamente diferentes dependendo do lado da cama em que acordei. Em alguns dias quero interagir com todo mundo e com tudo; em outros, não quero saber do mundo. Acrescente algumas noites sem dormir e essa diferença pode ficar bem extrema. Gostei de olhar para essa incerteza pela perspectiva da pessoa que acorda ao seu lado.”

Daí a pergunta que reaparece no refrão: “quem vai acordar ao seu lado? / o médico ou o seu Mr. Hyde?”. O velho personagem de Robert Louis Stevenson entra como piada e também como resumo da música: nunca se sabe muito bem quem estará ali pela manhã.

O Charm Offensive acompanha essa instabilidade com uma música que também não fica parada. Next to you alterna levadas em shuffle, guitarras que se cruzam, baixo acelerado, órgão fazendo contramelodias e mudanças rápidas de acordes. Os versos brincam com rimas, o refrão cresce com harmonias vocais e até as partes que retornam ganham pequenos detalhes diferentes.

Rhea já é frequentador do Pop Fantasma – além do Charm Offensive, esteve por aqui com a banda Manganista, que já existe há duas décadas, tem referências de grupos como Devo, Oingo Boingo e The English Beat, é fascinada pelos anos 1980. O Charm Offensive, que você conhece abaixo, vai na mesma onda de recordar o passado sem recorrer ao puro revival.

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Rolling Stones já estão gravando coisas novas, diz um músico ligado à banda

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Rolling Stones - Foto: Kevin Mazur / Divulgação

RESUMO: O saxofonista Courtney Pine revelou ter gravado recentemente com Mick Jagger para os Rolling Stones. A sessão reacende a possibilidade de outro álbum, embora a banda ainda não tenha confirmado nada.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Kevin Mazur / Divulgação

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Os Rolling Stones mal lançaram Foreign tongues, seu 25º álbum de estúdio (resenhado aqui), e já podem estar preparando mais novidades. O saxofonista britânico Courtney Pine contou que esteve em estúdio com Mick Jagger há poucas semanas, apenas três meses depois da chegada do disco. E deu a entender que a gravação foi feita para a banda, não para algum projeto solo do cantor.

“Acabei de fazer outra sessão com Jagger há algumas semanas para os Rolling Stones”, revelou Pine ao programa Private passions, da BBC Radio 3. O músico, que vem do jazz, também falou sobre as diferenças entre seu trabalho e o universo do vocalista. “Mick é um artista incrível. Todo aquele universo pop é completamente diferente de tudo o que conheço”, afirmou.

Os dois já haviam trabalhado juntos em Wandering spirit, disco solo de Jagger lançado em 1993. Pine participou de uma primeira versão do álbum que acabou descartada e, posteriormente, foi chamado a Los Angeles para novas gravações. Mais de três décadas depois, os caminhos dos dois voltaram a se cruzar.

Por enquanto, ninguém confirmou que a sessão recente faz parte de um novo álbum dos Stones. Mas Jagger já havia dado algumas pistas de que não pretendia ficar muito tempo longe das composições. Em junho, antes mesmo do lançamento de Foreign tongues, ele comentou à NME sobre a possibilidade de o disco fazer parte de uma sequência de três trabalhos.

“Sim, poderia ser uma trilogia. Já comecei a escrever músicas, de qualquer forma”, respondeu. Só que nem tudo o que ele compõe acaba necessariamente nas mãos dos Rolling Stones. “Quando você escreve uma música, às vezes decide: ‘Isso não é para mim, mas poderia ser para o Red Hot Chili Peppers’, ou algo assim”, explicou. “Tenho muita coisa, e nem tudo é adequado para os Rolling Stones. Isso não deveria me impedir de continuar escrevendo”.

Se essas gravações vão render outro disco, ainda é cedo para saber. Mas, pelo visto, Jagger já está pensando no que vem depois de Foreign tongues.

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Wry mistura shoegaze e pós-punk em “Décimo andar”, faixa sobre solidão e espera

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Wry - Foto: Eric Marques / Divulgação

RESUMO: O Wry antecipa seu nono álbum com Décimo andar, single de shoegaze e pós-punk sobre isolamento e ausência. A música chega com capa inspirada no Prédio Pirâmide, de Sorocaba.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Eric Marques / Divulgação

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Em novembro, um ícone do rock alternativo nacional vai lançar disco novo: o Wry retorna com seu nono álbum de estúdio, cujo título ainda não foi revelado- só se sabe que é o segundo da banda a ser cantado em português. Para anunciar o disco, o grupo já lançou os singles Sob os olhos da multidão e No meio de um sonho, e agora é a vez de Décimo andar.

A faixa mistura shoegaze e pós-punk, com riffs gélidos e beat marcial – com sensação de isolamento acentuada pela parede de guitarras. Já a letra “surgiu de uma imagem: alguém sozinho à noite ouvindo a vida acontecer lá fora, enquanto espera por alguém que não está lá e talvez nunca esteve. O décimo andar é alto e longe do chão, um lugar de espera e observação. Conseguimos fazer uma música enigmática, densa e melancólica que parece uma cena de filme”, explica o vocalista e compositor Mario Bross.

A capa do single também tem a ver com essa ideia de distância e isolamento. Mario Bross usou uma foto do Edifício Antares, conhecido como “Prédio Pirâmide”, construído em 1986 no centro de Sorocaba (SP). O prédio, que virou um dos cartões-postais da cidade, tem uma ligação especial com o que a banda procura expressar na música. “A história desse prédio de certa forma serve como um parâmetro à nossa própria história, ao nosso lugar e à ideia de isolamento, observação e não pertencimento presentes na letra”, completa Bross.

Ainda sobre o próximo disco do Wry, a banda revela que ele vai ter dez faixas inéditas que abordam amor, dor e sobrevivência – ele da sequência ao elogiado Aurora, de 2022. Além da Mario, participaram da gravação do single Lu Marcello (guitarra), William Leonotti (baixo), Gabriel Penatti (harmonia vocal) e Italo Ribeiro (bateria), além de João Antunes, que cuidou de eletrônicos e fez a produção (com Bross), a gravação (com Luciano Marcello) e a mixagem e a masterização de Décimo andar.

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Pássaros: dupla mexe no baú e estreia com música guardada há anos

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Pássaros: dupla mexe no baú e estreia com música guardada há anos

RESUMO: Formado por Débora Camiotto e Zozi Xavier, o Pássaros estreia com Não te quero mais, composição recuperada após mais de duas décadas que mistura grunge, nu metal e industrial.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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Uma música composta há mais de 20 anos foi o ponto de partida para a estreia do Pássaros, dupla de Florianópolis (SC) formada pela cantora Débora Camiotto e pelo multiinstrumentista Zozi Xavier. Lançada em setembro, Não te quero mais recupera uma composição de James Raznor, antigo parceiro musical de Débora, e mistura grunge, nu metal e industrial.

Débora passou por bandas da cena independente paulista, como Hellas e BBGG. Já Zozi, natural de Pelotas (RS), tocou em grupos como Biotech e Fake Twilight, além de projetos autorais como La Noche Del Cuervo e Redundance. “Nos conhecemos em Florianópolis, no meio do caminho entre nossos antigos mundos, e desde o início, a música ocupou uma parte central no nosso relacionamento. Então voltar a produzir sempre foi um desejo forte, que agora conseguimos realizar”, conta Zozi.

A dupla já prepara o próximo single, Reinfect, cantado em inglês. As letras do projeto abordam experiências pessoais, conflitos emocionais e temas sombrios, às vezes com alguma ironia.

O nome Pássaros vem da imagem de uma ave presa numa gaiola, sem perceber que pode escapar. Para Débora, a metáfora também tem um significado pessoal. “Refere-se àquela sensação de estar preso, ao desejo de romper limites e à descoberta de que as asas sempre estiveram ali. Pra mim, é o ressurgimento depois de um período pessoal muito difícil, na música encontrei uma forma de sair da inércia”, explica.

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