Agatha Christie e Lou Reed no mundo surrealista de Tom Adams
Por muito pouco, a capa do epônimo primeiro LP solo de Lou Reed (1972) não trouxe uma foto do cantor na praia em Freeport, com seu cachorro Seymoure. Lou deparou com as capas que Tom Adams havia feito para redições do escritor Raymond Chandler. E pensou que poderia colocar em seu disco algo mais surrealista, que evocasse livros do escritor como “A arte de matar”. Daí chamou Tom e, em vez de uma inocente foto na praia, saiu aquela cena bizarra com vários pássaros e um ovo fabergé. O ovo, aliás, representava sua ex-banda Velvet Underground, na cabeça de Lou e de Tom. O assunto ocupa alguns trechos de “Dirty blvd.: The life and music of Lou Reed“, de Aidan Levy.

Num texto no site de Adams, o ilustrador fala sobre como foi trabalhar com o roqueiro. “Foi bom para mim encontrar Lou Reed e falar a respeito de sua música brilhante e de suas letras poéticas. Não estou certo de que fiz justiça à obra dele. Mas foi excelente estar envolvido em seu primeiro disco britânico”.

O americano Tom, que hoje tem 91 anos, nasceu em Providence, Rhode Island. Desde cedo radicou-se na Inglaterra. E teve lá suas outras conexões com o rock. Fez pôsteres para os light shows de Mark Boyle em 1967, na época em que Boyle fazia projeções psicodélicas em shows de Jimi Hendrix Experience e Soft Machine. Sua aproximação com Reed se deu mesmo foi pela ligação com a literatura, já que ele havia feito as tais capas de Chandler. E Adams também ilustrou uma série BASTANTE surrealista e impressionante de capas para Agatha Christie, nos anos 1960. Foi quando os livros da escritora chegaram às livrarias no formato de brochura.

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Esse período em que Tom Adams ilustrou as capas de Agatha, e que foi de 1963 a 1975, ficou tão (sem trocadilho) ilustre que chegou a sair um livro documentando tudo, “Tom Adams’ Agatha Christie cover story”, lançado em 1981 pela Dragons World.